Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019
DIA DOS PAIS

Guarda compartilhada após separação permite relação mais próxima com filhos

Mesmo após fim de relacionamento, pais cumprem paternidade ativamente e dividem responsabilidade na criação



agnaldo_e_filhos.jpg Agnaldo Júnior afirma que ter a guarda compartilhada fez toda a diferença na convivência com Luís Guilherme, 17, e Pedro Luís, 5 (Foto: Arquivo pessoal)
13/08/2017 às 06:33

O fim de um relacionamento costuma acarretar dores e mágoas pelo caminho. Quando há crianças em meio ao conflito, lidar com a separação pode ser ainda mais complicado. Porém, quem disse que é impossível conviver em paz e não estar presente na vida dos filhos? Neste Dia dos Pais, vamos conhecer histórias daqueles que não se abdicaram de cumprir seu papel e que não abrem mão da paternidade.

“Temos guarda compartilhada e ele é um pai nota mil. Mais presente que ele, só sendo ele duas vezes”, afirma Kelle Gomes, 29, sobre o ex-marido, Marcelo Maciel Palmeira, 31. Eles compartilham a guarda de Isabella Zahara, 5, que fica de quinta à domingo com o agente rodoviário. “Filhos são para sempre. A pessoa tem que deixar toda mágoa e perdoar, porque os filhos não têm culpa de nada”, diz ele.



Apesar de levá-la diariamente para a escola, sempre passear e curtir os fins de semana, um dos maiores desafios dele, desde a separação, é não ter a pequena sempre em casa. Marcelo, inclusive, não entende porque alguns pais sequer visitam os filhos e se afastam, após o fim do casamento. “Fico na dúvida se um pai que faz isso sente amor pelo filho. Eu morro pela minha filha. Ela é minha maior riqueza”, enfatiza.

‘Um por todos... E todos por um!’

Na opinião de Agnaldo Oliveira Júnior, 41, ter a guarda compartilhada fez toda a diferença na convivência com Luís Guilherme, 17, e Pedro Luís, 5. Após o fim de um namoro e um divórcio, dos quais os meninos são frutos, ele sempre faz planos para que o trio possa curtir momentos juntos. São passeios de bicicleta, afazeres na rotina e viagens, como dez dias desbravando os pontos turísticos de Santa Catarina.

“Somos o ‘Clã Oliveira’, é como nos definimos e, de certa forma, unimos como nova família. Nós estamos sempre juntos, conversando, trocando ideias, fazendo atividades esportivas, indo ao cinema, a festinhas de aniversário e, principalmente, tornando nossa amizade e cumplicidade algo absolutamente parte da nossa rotina de amor e respeito mútuos”, afirma o jornalista. O amor é o que verdadeiramente sustenta a relação paternal”, ressalta.

O primogênito do “clã” demorou a compreender o porquê de a relação entre os pais não ter dado certo, quando ainda era criança. Entretanto, a presença e o apoio de Júnior em cada etapa do crescimento de Luís Guilherme o fizeram aprender a lidar com os acontecimentos inesperados da vida. Para o adolescente, o apoio do pai é efetivo, assim como seguir os passos e exemplos dele.

“Em tudo, recebo dele apoio. Nós conversamos muito e os conselhos são sempre acertados. Ele me influenciou no gosto musical, no jeito de encarar algumas coisas da vida. Às vezes reconheço em mim, coisas dele, jeito de falar, de vestir, de agir. Essa presença foi fundamental para que eu pudesse me tornar um jovem de bem, feliz e agora, consciente de algumas atitudes importantes que vou levar pra toda vida”, afirma.

Pai sempre perto

Natural de Minas Gerais e sem família em Manaus, Fábio Junior Pereira da Silva, 35, está separado de Nívea Benfica, 35, desde quando Izabella tinha apenas 1 ano de idade. Hoje, a menina está com 8 anos, e é cuidada de forma igual por ambos. O empresário tem acesso livre à casa da ex-mulher, com quem mantém amizade e decide tudo o que é necessário para oferecer o melhor à filha.

“Procurei sempre morar perto para estar ao máximo ao lado dela, nunca me afastei. Apesar da separação entre marido e mulher, na relação pai e filha nunca houve separação. Dividimos tudo: despesas, colégio, roupa, remédios... Não temos nenhum problema em relação a visitas, feriados, ou viagens. A família me acolheu e até hoje me ajuda muito”, declara.

Ator exalta reciprocidade

Entre os famosos também há exemplos de pais dedicados, mesmo após o fim do casamento. Um exemplo é Cauã Reymond, 37, que mantém uma boa relação com Grazi Massafera, 35, na guarda compartilhada de Sofia, 5. Em entrevista ao Programa do Bial, na noite da última terça-feira (8), o ator declarou que, de todos os papeis que já encarou, a paternidade é o mais importante de sua vida.

“Só tenho a agradecer a Grazi, quando preciso ficar fora ela entende e a parceria é recíproca,” declara ele, que mora no mesmo bairro da ex para garantir uma convivência mais próxima da pequena. “No Rio de Janeiro, é fácil ter a guarda compartilhada e isso foi muito bom. O conselho que me deram quando eu e Grazi nos separamos era ‘viva perto da sua filha e da ex-mulher’. Temos uma boa relação e conseguimos nos organizar”, enfatiza.

Responsabilidade igual

Desde 2014, a guarda compartilhada tem sido o padrão em casos de divórcio e dissolução de união estável. Embora a criança more apenas com um dos pais, todas as necessidades e responsabilidades são dividas entre mãe e pai, em comum acordo. Desde que apresente condições para tanto e a mãe das crianças concorde, não há nada que impeça o pai de permanecer com os filhos menores.

“Todas as atividades relacionadas com a rotina ficarão por conta do pai guardião, como, por exemplo, levar à escola, ao médico, ao dentista, cuidar da alimentação, vestuário e tudo aquilo que diz respeito ao cotidiano do lar”, explica Ivone Zeger, advogada especialista em Direito de Família e Sucessão, membro do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), com mais de 25 anos de experiência em casos desse tipo.

BLOG Luis Cláudio Chaves, Juiz da 4ª Vara de Família de Manaus

A guarda compartilhada foi instituída como regra pelo ordenamento brasileiro a partir de estudos que aferiram ser ela mais benéfica às crianças e adolescentes. Essa forma de guarda pretende dividir os poderes e responsabilidades de forma igualitária entre os pais e, consequentemente, aproximar ambos do processo de criação. Com isso, em tese, há uma tendência de aproximação dos pais na vida dos filhos. Mas é importante destacar que a guarda compartilhada só deve ser estipulada quando ambos estiverem em condições de exercer os poderes inerentes, a partir de uma análise de cada caso concreto. E sempre atender aos melhores interesses da criança, como princípio que inspira o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).


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