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Guardadores ameaçam fechar ruas se projeto ‘Zona Azul’ não aproveitar 623 trabalhadores

Os chamados “flanelinhas” temem que a novidade impeça o “ganha pão” de centenas deles e ameaçam “parar o Centro” em manifestação, fechando ruas e avenidas, caso necessário 19/01/2015 às 21:17
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De acordo com a Aglavam, 623 guardadores de veículos atuam nas ruas e avenidas do Centro, mas apenas 200 deles devem ser ‘aproveitados’ pelo Zona Azul
Natália Caplan ---

Ainda não há uma data exata para a implantação do projeto “Zona Azul” no Centro de Manaus, previsto para ser ativada ainda este ano. Porém o sistema de cobrança para quem estacionar em parte daquela área já é motivo de preocupação da Associação dos Guardadores e Lavadores de Veículos do Estado do Amazonas (Aglavam). Os chamados “flanelinhas” temem que a novidade impeça o “ganha pão” de centenas deles e ameaçam “parar o Centro” em manifestação, fechando ruas e avenidas, caso necessário.

Quem avisa é o presidente da entidade, Henrique André dos Santos, 39, que atua há 27 anos na avenida Eduardo Ribeiro. “Estamos em negociação com a prefeitura há seis meses para que os que trabalham na área delimitada pela Zona Azul possam ser aproveitados como mão de obra da empresa vencedora da licitação”, explicou. “Entretanto, 623 guardadores atuam em todo o Centro e haverá apenas 200 vagas nos dois lotes. O que faremos com os outros que não conseguirem?”, questionou.

O presidente da Aglavam disse que foi extra-oficialmente informado de que a implantação do Zona Azul será feita na segunda semana de março. “Foi a informação que eu recebi. Por isso, precisamos de alguém que faça algo por nós logo. Mas, se necessário, todos (os 1,2 mil) já estão preparados para uma manifestação”, ressaltou.

Segundo ele, o objetivo é chegar a um acordo com o “Consórcio Amazonas”, que ganhou o direito de administrar o sistema na capital amazonense por meio de certame, com aval do secretário do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), Paulo Henrique Martins.

Tecnologia

Diferentemente de outras cidades do Brasil, que adotaram a “Zona Azul” com a instalação de máquinas automáticas para a compra das “horas estacionada”, Manaus terá aparelhos portáteis, que serão de responsabilidade dos ex-guardadores de carros. Ou seja: a nova função deles será vender parte dos bilhetes aos motoristas. “Pedimos que não utilizassem apenas máquinas para que não perdêssemos espaço. Agora, apelamos pelos pais de família que correm o risco de ficar desempregados”, enfatizou.

Ainda de acordo com André Henrique dos Santos, a Aglavam foi fundada em 2003 e tem aproximadamente 1,2 mil associados, que atuam em diferentes partes da cidade. A média recebida por cada “flanelinha” é de R$ 60 diários. “Não são todos que conseguem ganhar esse valor porque depende da movimentação de cada ponto. E ainda não sabemos exatamente o salário dos que trabalharem com a ‘Zona Azul’. Mas todos terão carteiras assinadas”, disse o representante da categoria.

Processo passa por cinco etapas

A contratação dos guardadores de veículos deverá dar prosseguimento a quatro de cinco etapas. A primeira, fazer o levantamento dos “flanelinhas” que atuam no primeiro lote do sistema – que abrange 20 ruas do Centro de Manaus – já foi realizada, totalizando 242 nomes. “O passo seguinte, que já iniciamos, é a entrega dos documentos e carteira de trabalho. O terceiro procedimento é a negociação do salário. O quarto é o treinamento dos que se enquadram e, por último, o início do trabalho”, informou Henrique Santos.

Em meio ao impasse, José Roberto de Andrade Coelho, 41, teme pela diminuição drástica na renda. Ele atua na avenida Eduardo Ribeiro, próximo ao Teatro Amazonas, há 25 anos. “Tenho ‘patrão’ de mês e de semana, que eu guardo vaga e lavo os carros. Se eu não puder mais ‘guardar’, só vou ganhar lavando e isso será ruim”.

Implantação

De acordo com a assessoria do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), o projeto “Zona Azul” já foi encaminhado à Prefeitura de Manaus. Portanto, a responsabilidade de “bater o martelo” para a implantação definitiva está nas mãos do prefeito, Artur Neto.

 Mão de obra

Já a negociação sobre o aproveitamento da mão de obra dos “flanelinhas” foi confirmada. Esta semana, inclusive, representantes da categoria deverão se reunir com o titular do Manaustrans, Paulo Henrique Martins, para discutir a reivindicação de mais vagas para os trabalhadores.

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