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Manaus
Mutirão

Há uma semana sem água, moradores improvisam nos afazeres diários

Há até quem lave as roupas na própria rua para aproveitar o pouco de água que é liberado aos moradores 16/08/2016 às 21:16 - Atualizado em 28/08/2016 às 16:26
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Reportagem flagrou momento em que a água do poço foi interrompida / Foto: Clóvis Miranda
Isabelle Valois Manaus (AM)

Com mais de uma semana sem água nas torneiras, os moradores do bairro Mutirão, Zona Leste, tem providenciado o banho, a lavagem das roupas e até o preparo da comida de formas inusitadas. No caso da dona de casa Francisca de Souza, 43, nos últimos dias tem aproveitado o chuveiro da academia que frequenta para poder tomar o banho diário. 

“Aqui no Mutirão sempre passamos por problemas sério com a falta do abastecimento de água. Tem algum problema que a concessionária até agora não conseguiu resolver. Mas, nunca ficamos tanto tempo sem o abastecimento como estamos desta vez. São mais de oito dias sem água na torneira e até agora nenhuma providência foi adotada, mas no final do mês irei receber a conta para pagar por um serviço que não tive”, comentou Francisca.

Além de ter que tomar banho na academia, a dona de casa precisou levar as roupas sujas para as proximidades do Centro de Convivência da Família, na avenida Penetração para poder tentar lavá-las na ontem, quando foi liberado uma mangueira do poço da unidade para os moradores da comunidade.

No momento em que esfregava o sabão nas fardas escolares dos filhos, a água do poço foi intenrrompida. “Acredito que as autoridades precisam cobrar da concessionária um posicionamento, pois para os moradores não dizem nada e a situação só piora”, disse.

O pedreiro Edmilson Silva de Oliveira, 40, contou que desde o último sábado, caminhões-pipas tem passado pelas ruas do bairro vendendo água. “O caminhão-pipa é o sonho de consumo dos moradores, quando ele passa pelas vias, quem mora na rua ‘sorteada’ sai com os baldes, garrafas e até as panelas na espera de conseguir um pouco de água que é vendida, cada mil litros se paga R$ 50. E muita das vezes, a quantidade de água comprada, nem sempre é o suficiente para o dia”, contou.

No caso da dona de casa, Selma Cavalcante, 51, não é diferente. Todos os meses ela precisa pagar valores absurdos do consumo de água. “Acho que estão cobrando até pelo vento da tubulação, pois temos sérios problemas com o abastecimento de água, e no final do mês sempre a conta vem um absurdo. Procurei a concessionária para verificarem a situação da minha casa, mas fui informada que tudo está normal, não há nenhum problema e que estou pagando pelo consumo, não sei que consumo, pois não há água”, detalhou Selma.

Usuária foi em busca dos seus direitos

A dona de casa, Terezinha Oliveira Ramos, 67, chegou a procurar nos últimos dias a concessionária Manaus Ambiental para saber qual o problema que tem ocasionado a falta do abastecimento da água. Na primeira vez os atendentes da unidade mais próxima do bairro informaram que era um problema na bomba, mas que logo seria resolvido. Depois de cinco dias sem o abastecimento, a dona de casa procurou novamente a unidade que informou para a moradora que o problema estava na estação de tratamento da ponta do Ismael, Zona Oeste.

Alternativa para ajudar os vizinhos

Há moradores do bairro, como é o caso do autônomo Erivaldo Paiva, 52, que busca maneiras de conseguir ajudar os demais vizinhos que também estão sem o abastecimento de água. No caso dele, possui um poço e sempre que a caixa principal está cheia doa pelo menos dois baldes de água para cada família que vai vai pedir ajuda.

“Não cobro de ninguém, pois sei o quanto é ruim você ficar sem o fornecimento de água. São famílias, crianças, idosos e demais que precisam utilizar a água para a higiene pessoal, alimentação. Se posso ajudar dessa forma, então tenho me desempenhado nesses oito dias para conseguir ajudar a todos os que me pedem ajuda”, comentou. Alguns dos moradores, como é o cado do Manoel Silva, 56, se preocupa com os gastos de Paiva. “Para encher a caixa principal ele gasta com energia. Sei que ele não cobra de ninguém, mas me preocupo com isso”, disse.

Causa do problema

A Manaus Ambiental informa que a causa da inconveniência temporária que afetou os clientes teria sido um defeito elétrico na Bomba de Transferência do Núcleo 23 que abastece a área do Mutirão. Equipe técnica está atuando no local. A previsão para a normalidade no abastecimento seja estabelecida hoje.

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