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Manaus
AUXÍLIO

Haitianos abandonados em aeroporto serão levados para abrigos do Governo

Grupo de mais de 50 estrangeiros está em Manaus há dias esperando resposta de companhia aérea. Segundo a Sejusc, mais de 150 podem estar na mesma situação. Anac oficiou companhia aérea a prestar esclarecimentos 03/03/2017 às 12:06
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Grupo está abrigado em aeroporto por falta de respostas de companhia (Foto: Márcio Silva)
Oswaldo Neto Manaus (AM)

Mais de 50 haitianos abrigados no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, na Zona Oeste, serão levados para abrigos da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc). O grupo está em Manaus após problemas em voos da empresa Insel Air. Ontem, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) determinou que a companhia preste informações sobre cancelamentos na rota Curaçao/Manaus.

Todo o grupo estava hospedado em um hotel na capital aguardando uma resposta da empresa, porém, devido à falta de informação da companhia com o hotel, o grupo foi deixado por volta das 8h30 no aeroporto sem qualquer solução.

A secretária de Estado de Justiça e Direitos Humanos, Graça Prola, disse que o Governo do Estado está acompanhando o caso dos haitianos desde a madrugada. Ela afirmou que eles devem ser levados para três abrigos da rede. Além dos 50 estrangeiros encontrados no aeroporto, o órgão estima que outros 100 haitianos estejam com o mesmo problema.

“Eles aceitam o acolhimento temporário para não ficarem aqui no aeroporto, e já providenciamos as vagas nos abrigos disponíveis na rede”, disse ela.

Servidores do Programa Estadual de Proteção, Orientação e Defesa do Consumidor (Procon-AM) estiveram no aeroporto durante a manhã para realizar um mapeamento da quantidade haitianos sem voos e buscar contato com a empresa aérea.

“Do ponto de vista dos direitos do consumidor que também são feridos, nós já acionamos o Procon para acionar a Anac ou acionar através do Procon no Rio de Janeiro o correspondente da empresa aqui no Brasil. É o único contato que nós temos, que mesmo assim não está atendendo”, declarou.

Sem respostas

Na manhã desta sexta-feira (3), dezenas de estrangeiros continuavam no saguão do aeroporto aguardando informações sobre um possível retorno para casa.

O haitiano Marckens Viki Gelin, 25, veio do Haiti para Manaus em busca de um novo voo para São Paulo, capital onde mora e trabalha como montador de móveis. Ele diz estar faltando o trabalho há três semanas por conta das falhas da Insel Air.

“Não sei se vou voltar e continuar trabalhando. É uma falta de respeito porque pagamos por essas passagens”. O boleto pago por ele mostra que o trecho de ida e volta custou R$ 3.061.

Sozinho em Manaus, ele conta que os companheiros de voo têm se ajudado financeiramente e compartilhado informações no contato com os brasileiros, pois segundo ele, poucos falam a Língua Portuguesa.  

“Não tenho dinheiro para comprar nova passagem nem a minha família... Eles (Insel Air) nos deixaram aqui abandonados, sem lugar para dormir. Meu dinheiro está acabando até para comprar comida”, disse ele.  

Histórico de problemas

A Insel Air começou a operar em Manaus em 2015, iniciando com a rota para Aruba e depois, em julho do mesmo ano, oferecendo os voos para Curaçao. Desde o ano passado, no entanto, os problemas enfrentados pelos passageiros da empresa são recorrentes. Muitos cancelamentos vem sendo registrados, tanto saindo de Manaus quanto saindo de Curaçao, o principal 'hub' -  base para os voos - da companhia. 

A situação levou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a oficiar a empresa para que ela preste esclarecimentos a respeito dos motivos dos problemas. A Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur) também procurou a empresa, e segundo a diretora-presidente do órgão, Oreni Braga, a posição oficial da Insel é que ela está em fase de venda para a Avianca, que deve assumir seus voos. 

A reportagem tentou nesta sexta-feira (3 uma nova resposta da Anac para o caso dos haitianos, mas até a publicação desta matéria não obteve sucesso. Em todas as matérias publicadas previamente pelo Portal A Crítica a respeito das falhas da Insel, nunca houve sucesso na busca por um posicionamento da empresa. 

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