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Manaus
VIDAS TROCADAS

História de Samantha traz à tona novas trocas de bebês na Beneficente Portuguesa

Samantha Silveira, que foi trocada na maternidade ao nascer, em 1990, acabou sendo criada por outra família. A história dela trouxe à tona outros casos semelhantes 17/01/2017 às 13:27 - Atualizado em 17/01/2017 às 15:10
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O caso de Maria e Samantha não foi o único de ‘troca de bebês’ na maternidade. Foto: Aguilar Abecassis
Silane Souza Manaus (AM)

A família “de criação” de Samantha Devellyn Maia da Silveira, 26, que foi trocada na maternidade do Hospital Beneficente Portuguesa, em 1990, ainda não recebeu nenhuma pista sobre quem são os pais biológicos da jovem. O caso, divulgado pela TV A CRÍTICA na semana passada, trouxe à tona outras histórias suspeitas de troca de bebês na mesma instituição, além de causar preocupação de muitas mães e filhos que passaram pelo local nesse momento da vida.

De acordo com a mãe de criação de Samantha, Maria Deusamira Venâncio Maia, 51, a família só descobriu a troca em 2008, após ser confirmada por meio de um exame de DNA. Mas, desde pequena, a menina era muito diferente dos pais. A falta de semelhança fez com que o marido de Deusamira saísse de casa quando a filha tinha apenas dois meses. “Para ele foi um ato de traição. Então eu cuidei da menina sozinha com a minha família”, disse.

Procura

Deusamira deu à luz à filha no dia 18 de abril de 1990, às 15h30, na maternidade do Hospital Beneficente Portuguesa, localizada no Centro. Desde 2008, quando a troca foi descoberta, tanto ela como a filha de criação, desejam saber quem é sua filha verdadeira e quem são seus pais biológicos, respectivamente. “No começo eu não queria divulgar nada. Foi muito difícil aceitar. Mas depois percebi que é um direito dela e meu saber a verdade”, afirmou.

Investigação

Conforme ela, a busca não tem sido fácil. A Sociedade Beneficente Portuguesa do Amazonas forneceu, após intervenção da Defensoria Pública do Estado (DPE-AM), os registros com o nome de todas as mães que tiveram filhos entre os dias 17 e 19 de abril de 1990, mas a pesquisa ainda é complicada. “A lista tem muitos nomes, mas chegamos a 27 famílias que tiveram meninas assim como eu. Mas sem apoio é muito difícil chegar nessas famílias”, relatou.

Maria Deusamira colocou a Sociedade Beneficente Portuguesa do Amazonas na justiça por danos morais. O processo está em andamento desde 2008. “Eles sempre recorrem da decisão. Não querem se responsabilizar pela negligência. Os advogados chegaram a dizer que a culpa era nossa e que a troca podia não ter sido feita na maternidade”, contou, destacando que viu a filha verdadeira por cinco segundos após o parto e agora não sabe onde ela está.

A reportagem entrou em contato com o hospital, mas de manhã as ligações não foram atendidas e, de tarde, foi informado que a gerente do setor de comunicação está de férias.

Laudo confirma

O resultado de DNA de Samantha Devellyn não da margem para dúvidas. Em 26 de agosto de 2008 ele diz “concluímos que Expedito Meneses da Silveira não é o pai biológico de Samantha Devellyn Maia da Silveira e Maria Deusamira Venâncio Maia não é a mãe biológica”.

Blog: Jucilene Lopez, internauta

“Assistir à entrevista da troca de bebês na Maternidade Beneficente Portuguesa me fez voltar 20 anos, naquela mesma maternidade, no dia 23 de agosto de 1992, quando dei entrada com dores para ter meu bebê, que até então eu não sabia o sexo. Na mesma sala tinha outra grávida com o nome Rosilene, que chorava e gritava muito. A médica pediu para eu subir, veio a enfermeira e eu expliquei que a moça estava muito mal e poderia ir primeiro. Elas se olharam e resolveram fazer a troca. Desci novamente e a moça subiu e teve seu bebê, de sexo feminino, eu lembro bem disso. Às 13h45 vieram me buscar novamente. Passei mal e não vi o nascimento do meu bebê. Horas depois, ao acordar, vieram trazer uma menina com uma pulseirinha com o nome de Rosilene, mas o meu é Jucilene. Foi quando se deram conta que haviam trocado nossos documentos na sala de cirurgia e aquela bebê era dela, que por sua vez já estava com meu filho no quarto dela. Por isso, quando vi a reportagem, pensei que poderia ser eu ali”.

Trinta anos depois, mãe descobre que criou filha de outra

No dia 8 de junho de 1983, a auxiliar de enfermagem Sandra Lucia Vieira Naranjo, 56, deu à luz na maternidade do Hospital Beneficente Portuguesa uma menina. Em 2013, através de um exame de DNA, ela descobriu que a menina não era sua  filha biológica. Ela conta que o nome que constava na pulseirinha do bebê que ficou com ela era: Sandra Lucia Mara Pere, possivelmente, a verdadeira mãe da criança. “Talvez esta outra mãe não saiba que nossos bebês foram trocados”, destacou.

A filha que a auxiliar de enfermagem criou, Katyenne Vieira Naranjo, 33, quer saber onde está sua família. Sandra também procura pela filha de sangue. “Nosso desejo nesta terra é de encontrarmos minha filha verdadeira e a mãe biológica da minha filha que criei. Nós nos amamos muito, mas precisamos esclarecer que fomos vítimas”, disse Sandra, que criou a fanpage “Crianças Nascidas e Trocadas na Beneficente Portuguesa em Manaus” e tem vários vídeos no You Tube denunciando o caso.

Para Katyenne, a desconfiança de que ela não era filha biológica de Sandra sempre existiu, mas na época, exame de DNA não era comum ser feito e a família não tinha condições financeira de fazer o teste. O que só aconteceu só em 2013.  “Quando veio a confirmação foi um baque para todos nós. A partir daí começamos as buscas, mas o Beneficente diz que não tem mais registros daquela época e não encontramos nada também nos cartórios e na polícia”, contou.

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