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História encontrada no Igarapé do São Raimundo

Trabalho de arqueologia, mostrado em exposição, traz objetos encontrados no leito e nas margens de curso d’água 09/04/2013 às 11:13
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Estudante de arqueologia, Daniel Comapa mostra manilhas usadas nas tubulações de casarões antigos de Manaus
NELSON BRILHANTE ---

Alunos do curso de Arqueologia da Universidade do Estado do Amazonas (EUA) descobriram que no igarapé de São Raimundo, além de lama e lixo, havia importantes registros da história de Manaus.

No leito e na orla foram encontrados peças antigas de louças, manilhas (tubulação usada nos antigos casarões), tijolos, cerâmicas, pisos e azulejos, vasilhas de produtos que já não existem e até moedas e uma garrafa do século XVIII. Parte do que foi recolhido está exposto no hall de entrada da reitoria da UEA, na avenida Djalma Batista, bairro Flores, Zona Centro-Sul.

A pesquisa foi concentrada na área do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus III (Prosamin), localizada no igarapé de São Raimundo, entre a avenida Kako Caminha e a foz, no rio Negro.

A Exposição Arqueológica Urbana, que tem o apoio do Instituo de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), fica na reitoria da UEA até o dia 8 de maio e pode ser visitada no horário comercial.

Entre as peças mais antigas estão uma garrafa de grés, um tipo de cerâmica do século XVIII, e uma moeda de bronze, datada de 1893.

De acordo com o aluno de Arqueologia, Daniel Comapa, 31, muitas das peças expostas foram encontradas graças a escavações feitas pela equipe na orla do igarapé. Outras foram encontradas em quintais de casas que estão sendo retiradas da orla pelo Prosami.

“De cada período você tem um indicador representado nessas peças. São indicadores até do status social. Por exemplo, pisos de azulejo português usado em casas antigas, louças de faiança e de porcelana, de diferentes épocas”, esclarece o aluno.

Foram resgatados tijolos e telhas com o identificação de olarias que há décadas deixaram de funcionar como Cacheta, Manaós e F. Marçal, entre outras.

Segundo Comapa, a pesquisa deve continuar por mais dois anos, envolvendo outros igarapés de Manaus e sempre obedecendo todos os critérios técnicos, sob a orientação da professora de Arqueologia da UEA, Arminda Mourão.

s buscas fazem parte da chamada Arqueologia de Contrato, obrigatória antes da liberação ou não de uma área cuja formação ambiental poderá sofrer alterações.

Saiba mais Processo Depois de coletado, o material arqueológico vai para análise num laboratório especializado, no antigo Palacete Provincial, Centro de Manaus. Em seguida é feito o inventário, o controle e um relatório sobre todas as atividades desenvolvidas pelos pesquisadores no trabalho de campo. Esse relatório é enviado ao Iphan, órgão responsável pela validação do material encontrado.


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