Sexta-feira, 26 de Abril de 2019
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A condutora operadora de viatura do Corpo de Bombeiros, Greicy Lima / Foto: Jair Araújo
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MULHER

Histórias, objetivos, conquistas e lutas que personificam a garra das mulheres no AM

A coragem e o sangue-frio estão incluídos no “pacote” da vida paralelo a sensibilidade de mulheres que buscam sempre o primor em suas vidas; acompanhe algumas dessas guerreiras


07/03/2019 às 19:57

Coragem, dedicação, perícia e liderança são características das mulheres dedicadas a serem melhores em tudo que se propõem. Neste dia dedicado a elas, A CRÍTICA conversou com quem sempre buscou primor e se superar em tudo o que faz.

A coragem e o sangue-frio estão incluídos no “pacote” da vida paralelo a sensibilidade dessas mulheres. A condutora operadora de viatura do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, Greicy Lima, 35, atua no Centro de Suprimento e Manutenção (CSM), no Comando dos Bombeiros em Petrópolis, Zona Sul, e sentiu na pele o drama do incêndio ocorrido no bairro de Educandos no dia 17 de dezembro do ano passado: foi a primeira combatente a chegar ao local para conter as chamas que deixaram mais de 500 famílias desabrigadas.

“Quando chegamos ao local o cenário era de completo caos, com pessoas correndo para todos os lados, carregando suas coisas e desesperadas nos pedindo para apagar o incêndio. Foi um momento triste de ver famílias perdendo casas lá. No entanto, sempre é preciso manter o foco de chegar lá, de fazer a nossa parte e salvar as pessoas”, comentou a combatente motorista, que chegou ao local do sinistro por volta de 21h e que só saiu de lá às 4h do dia seguinte.

Perícia e dedicação

Não faltam arrojo, disciplina e competência para as peritas da Polícia Civil do Amazonas. Vinculadas ao Departamento de Polícia Técnico-Científica, elas integram um grupo fundamental à elucidação de casos: a perícia produz a prova técnico-científica, que tem  grande peso durante o julgamento de um processo judicial de acusados. Ela pode inocentar ou condenar.


A perita criminal Daniela Koshikene,  gerente do Laboratório de Biologia e de Genética Forense (Foto: Jair Araújo)

A perita criminal Daniela Koshikene, 40, que é gerente do Laboratório de Biologia e de Genética Forense, destaca que seu trabalho é “fundamental como ferramenta para combater o crime e reduzir e criminalidade que enfrentamos nas ruas e visando melhorar a qualidade de vida, um bem estar melhor”.

Ex-oficial do Exército Brasileiro e hoje responsável pelo Laboratório de Análise de Instrumentos do Instituto de Criminalística, a perita criminal Alcione Ribeiro, 52, era acostumada a periciar cenas de crime in loco. Num momento da vida, passou a aprender a tocar violino. “Estudei violino para transcender, desestressar das coisas absurdas que eu via”, disse ela, bióloga e advogada e presidente do Conselho Regional de Biologia da 6ª Região.  


A responsável pelo Laboratório de Análise de Instrumentos do Instituto de Criminalística, perita Alcione Ribeiro (Foto: Jair Araújo)

A dermatologista e perita médica-legista Janaina Silva Tirapelle Vieira atua no Instituto Médico Legal (IML). Ela não afirma que por ser mulher o trabalho seja mais minucioso, pois considera as generalizações um risco, mas enaltece que o trabalho realizado por ela é, sim, minucioso, “um trabalho auxiliar à Justiça. A interface entre a Medicina e o Código de Processo Penal”.


A perita médica-legista Janaina Silva Tirapelle Vieira, que atua no Instituto Médico Legal (IML) (Foto: Jair Araújo)

Aurea da Silva Trindade Soares, 38, formada em Engenharia Florestal e atual gerente de Identificação Civil do setor de gerência civil do Instituto de Identificação Aderson Conceição de Melo, relata nunca ter sofrido preconceito na carreira. “Nunca sofri preconceito”.


Áurea Soares, gerente de Identificação Civil do setor de gerência civil do Instituto de Identificação (Foto: Jair Araújo)

Jeane Filgueiras da Costa, 50, assumiu em janeiro a gerência do Departamento de Polícia Técnico-Científica da Polícia Civil do Amazonas (DPTC). Segundo ela, a mulher que assume uma gerência como a dela precisa ter “pulso firme, sempre ser profissional e, apesar de estar em um ambiente com maioria masculina, é necessário competência e anos de casa”.


Jeane Filgueiras da Costa, 50, que assumiu em janeiro a gerência do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) (Foto: Divulgação/DPTC)

Perita mais veterana do Estado Amazonas, Edlene Corrêia Pinheiro, 63,tem quase 30 anos na área. Tendo atuado na área criminal e hoje contábil, ela dá uma dica a todas as mulheres: “Se valorizem, busquem igualdade e foquem em seus objetivos”.


Edlene Corrêia Pinheiro é a perita mais experiente do Amazonas (Foto: Divulgação)

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Conheça a jovem que lidera unidade de apoio a venezuelanos 

Catalina Sampaio, 25, trabalha para a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) no Brasil desde 2014, primeiro como uma assistente de Proteção em Boa Vista e agora como chefe de Unidade de Campo em Manaus. Em seu novo cargo, uma de suas responsabilidades é liderar a resposta do ACNUR na proteção e acolhimento de venezuelanos. Aqui, ela compartilha alguns momentos marcantes de sua experiência:


Catalina Sampaio, 25, trabalha para o Acnur no Brasil desde o ano de 2014 / Flávia Faria/Divulgação Acnur

Você pode descrever o trabalho do Acnur no norte do Brasil?

Nosso trabalho aqui é dar suporte ao governo brasileiro, para garantir a devida proteção e ajudar refugiados e pessoas que foram forçosamente deslocadas, principalmente venezuelanos, para que possam ter um lugar seguro pra dormir, acesso a alimentos, água e remédios. Ano passado, mais de 10 mil venezuelanos se beneficiaram com abrigos de emergência no norte do Brasil e mais de 4 mil foram realocados para outras cidade com o suporte do ACNUR e de parceiros.

Por que esse trabalho é tão importante para você?

Grande parte da minha família já foi refugiada escapando de perseguição política na América do Sul. A ajuda e proteção internacional que eles receberam foram fundamentais para a reconstrução de suas vidas. Suas experiências, o que eles passaram é minha maior inspiração para continuar a ajudar refugiados. É muito importante para mim ser capaz de oferecer proteção que salva vidas para aqueles que enfrentam uma jornada semelhante a que minha família enfrentou.

Qual é o aspecto mais gratificante do seu trabalho?

O objetivo do meu trabalho é coordenar as atividades do ACNUR em Manaus, ajudando o governo a garantir que refugiados e pessoas deslocadas possam ter acesso a seus direitos, nesse caso principalmente os venezuelanos. Quando encontramos refugiados e solicitantes de refúgio pela primeira vez, normalmente eles estão em condições extremamente vulneráveis e precisam de assistência imediata. Algumas pessoas chegam gravemente queimadas pelo sol, e com fome. Alguns caminharam mais de 200km para chegar aqui.

Quando eles chegam, frequentemente não têm informação sobre para onde ir, então é por isso que o centro de recepção em Pacaraima, administrado pelo ACNUR e por parceiros, é tão importante. Lá eles são instruídos sobre os serviços básicos disponíveis para eles aqui no Brasil, como saúde. Eles são muito solidários uns com os outros, então eles se comunicam e organizam para garantir que todos estejam cientes de seus direitos. Assistir eles reconstruir suas vidas e se tornarem mais fortes e confiantes é muito gratificante. Também fico feliz quando os testemunho reconquistando suas independências – e uma vez que isso acontece, eles sempre querem compartilhar as notícias, me contando, “Olha, eu posso tomar conta de mim, estou bem, estou vivendo minha vida”.

Qual é a parte mais difícil?

Por outro lado, é desafiador quando não podemos atender, individualmente, todos os casos que chegam para nós. Muitas vezes temos que lidar com múltiplos casos com diferentes níveis de risco e não somos capazes de responder todos os casos imediatamente. Em situações como essas, devido aos recursos limitados, precisamos classificar o que é urgente, diferenciar o que requer ação em menos de 24 horas do que pode esperar até 72 horas. Sabemos que em uma crise humanitária tudo é urgente. Então, a parte mais difícil deste trabalho é ter que identificar e classificar as prioridades.

Por exemplo, isso aconteceu com o crescente número de venezuelanos chegando em Boa Vista, a cidade onde trabalhava. Nosso papel em identificar aqueles que precisam de ajuda imediata começa com os venezuelanos recém-chegados e em situação de rua. Com a informação correta, somos capazes de realocar todos para abrigos. Oferecer proteção a tantas pessoas de uma só vez é muito gratificante.

Qual foi o ponto alto do seu trabalho no último ano?

Minha melhor lembrança é de maio de 2018, quando o ACNUR em conjunto com outros parceiros, abriu o abrigo temporário de emergência Jardim Floresta – o primeiro na área –, onde cerca de 600 pessoas em situação vulnerável, que estavam vivendo nas ruas, foram capazes de finalmente dormir em segurança. Ajudamos com o estabelecimento voluntário de família com crianças pequenas, mulheres, idosos e homens que precisavam de assistência imediata.

Situação da Venezuela

Mais de 3,4 milhões de venezuelanos deixaram seu país desde 2014. O fluxo de pessoas aumentou em 2017 e, especialmente, em 2018. Este é o maior êxodo na história recente da América Latina, e as pessoas continuam a deixar a Venezuela devido à violência, insegurança, ameaças e falta de alimentos, medicamentos e serviços essenciais. A maioria são família com crianças, mulheres grávidas, idosos e pessoas com deficiência. O ACNUR está respondendo as crescentes demandas enquanto o número de refugiados continua a crescer. Nós trabalhamos para garantir que as pessoas mais vulneráveis estão protegidas com abrigo, atendimento de saúde e documentação que os permitirá acesso a serviços, para que eles não vivam em situações precárias, expostos e em risco. Por favor, ajude fazendo uma doação hoje.

*Colaborou a Agência Acnur

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