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Homem assume ‘administração’ do porto público do São Raimundo e cobra por serviços

No jogo de empurra-empurra entre Dnit e SNPH para saber quem é o responsável pelo porto, que custou R$ 22 milhões, ‘Xerife’ cobra taxa das embarcações 29/12/2014 às 09:13
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Pedro Paulo afirma que como ninguém assumiu a responsabilidade pelo porto, ele próprio resolveu administrar
perla soares Manaus (AM)

Três anos depois de sua inauguração, o Terminal Hidroviário de São Raimundo, localizado na Zona Oeste, apresenta um aspecto de abandono, resultado da pouca utilidade da estrutura após a inauguração da ponte Rio Negro. Agora é administrado por um “Xerife”, segundo os trabalhadores do local.

Mesmo tendo custado R$ 22 milhões aos cofres públicos, existe uma incerteza em relação ao futuro do Porto e quanto à sua administração. Atualmente o porto vem sendo administrado por um senhor conhecido como “Pedro Paulo” que, de acordo os donos de embarcações, donos de bancas de café e vendedores de água, é ele quem cobra taxa para quem quiser trabalhar naquela local.

O funcionária da empresa Tanaka, que faz transporte de barco para São Gabriel da Cachoreira ( distante 851 quilômetros de Manaus), afirmou que para realizarem a venda de passagens no porto a empresa paga para Pedro R$ 100 por cada barco. “Ele cobra somente para colocarmos uma mesa, vendemos as passagens e atracar o barco, porque ele não oferece estrutura nenhuma”, disse.

O dono da Genesis Embarcações, Ismael Soares, 65, disse que está no porto trabalhando com vendas de passagem para o interior há três meses e que paga para estar trabalhando no local. Ele não acha justo o porto a cobrança, uma vez que o porto é público . “Ele (Pedro Paulo), cobra para todos estarem ali e não oferece nada , nem banhiero, nem condições de higiene e tampouco segurança”, afirmou.

Pedro Paulo é conhecido como o “Xerife do Porto” pelas pessoas que de alguma forma trabalham ali. “Ele anda de chapéu e é quem manda, é o Xerife”, destacou Renato Assunção, vendedor de água.

Ao ser questionado pela equipe de A CRÍTICA sobre a responsabilidade de quem administra o porto, Pedro Paulo respondeu que era ele mesmo. “O porto não é de ninguém, como alguém tem que organizar, eu resolvi fazer isso”, afirmou.

Em relação à circulação de dinheiro e cobrança de ambulantes e donos de embarcações Pedro ainda disse que eram para a manutenção de luz, banheiros, água e segurança, sendo que não existe nada desses serviços no local constatado pela reportagem. Quem visita o terminal encontra um cenário bem diferente de anos atrás. Os dez boxes que serviriam de fonte de renda a comerciantes estão todos desativados e servem de abrigo para bêbados, moradores de rua e animais.

Projeto do porto não foi aceito

A Superintendência Estadual de Navegação, Portos e Hidrovias (SNPH) de Manaus admite que o terminal do São Raimundo, hoje, não funciona na sua totalidade por falta de equipamentos navais e as balsas flutuantes em ‘T’, custariam mais R$ 17 milhões para serem implantadas. Segundo o porta-voz da SNPH, Marinaldo Matos, esses equipamentos são necessários para que o porto funcione plenamente. “Apresentamos o projeto logo que inaugurou a Ponte (do rio Negro) para a confecção das balsas. O projeto não foi contemplado e, hoje, está parado”, informou Matos.

O porta-voz ainda ressaltou que com essas balsas o porto de São Raimundo poderia atender os barcos vindos da calha do rio Madeira e Alto Solimões, além do rio Negro, que já são atendidos hoje.

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