Publicidade
Manaus
DIREITOS HUMANOS

Homem trans diz que não consegue trabalhar e nem estudar por causa de seu nome

*Eduardo pede na Justiça o direito de usar o seu nome social. Ele nasceu mulher, fez cirurgias e quer usar o novo nome 17/02/2017 às 20:13 - Atualizado em 17/02/2017 às 20:31
Show 1112
Atualmente, *Eduardo está com 26 anos de idade e há três anos tem uma companheira. Foto: Reprodução/Internet
Rafael Seixas Manaus (AM)

“A pessoa trans sabe desde cedo. No meu caso, sempre me senti homem, mas não entendia o motivo do meu corpo ser diferente dos outros”. Esse é um dos relatos de *Eduardo, que luta na Justiça para conseguir que seu nome social passe a constar no seu registro civil. O caso foi levado pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), nesta sexta-feira (17), ao Tribunal de Justiça do Amazonas para retificação de registro civil de um homem trans. O processo está em segredo de justiça e deve ser encaminhado para a Vara de Registros Públicos e Usucapião.

*Eduardo nasceu com o sexo feminino, mas se identifica desde muito novo com o gênero masculino. Aos 19 anos, ele começou a pesquisar sobre o que sentia e descobriu que se tratava de transexualidade. Ou seja, a condição do indivíduo que não se identifica com o seu gênero de nascimento e procura fazer a transição para o gênero oposto.

“A partir dos 19 anos, descobri que podia adequar meu corpo para a forma que eu me sentia. Li sobre tratamento hormonal e cirurgias. Então, me assumi para a minha família e comecei o tratamento. Meus pais eram muito religiosos e não entendiam a questão na época, mas hoje entendem completamente e respeitam”, contou o jovem, que fez uma mamoplastia para a retirada das mamas e se submeteu ao tratamento hormonal com testosterona. Atualmente, ele está com 26 anos de idade e há três anos tem uma companheira.

 “Inicialmente, ela nem sabia que eu era trans, mas contei e expliquei que sou um homem trans, que nasceu biologicamente com o corpo feminino. Ela entendeu a situação e os pais dela também entenderam perfeitamente. Eles me respeitam muito”, garantiu.

Estudos e mercado de trabalho

O manauara chegou a fazer até o 3° período de Design, mas teve que trancar o curso porque sofreu com o preconceito de pessoas e da própria instituição de ensino. “Tive que trancá-lo porque tive depressão. Adoeci mesmo. Ainda não voltei para o curso porque a faculdade não aceitou o meu nome social”.

Além desse problema, *Eduardo explicou que transexuais têm dificuldade para conseguir se inserir no mercado de trabalho. Muitas empresas não aceitam o uso do nome social e, quando contratam uma pessoa trans, quer que seja utilizado o nome de registro, o que acaba causando diversos constrangimentos.

“A dificuldade maior é relacionada à questão do trabalho. A maioria vê isso como tabu ou tem preconceito descarado. Fica difícil trabalhar ou, quando conseguimos, temos que usar o nome de registro e é muito constrangedor”.

Para conseguir se sustentar, *Eduardo faz bicos como designer gráfico. Ele espera que a Justiça aprove a sua retificação de registro civil. Assim, conseguiria mais oportunidades de emprego ao usar o seu nome social em seus documentos de identificação.

“A questão do nome é a que mais pesa. As outras questões vêm depois. A cidadania é a mais importante, porque assim podemos trabalhar e nos sustentar. No meu caso, essa aprovação [do registro] vai trazer uma mudança grande na minha vida, porque agora ela está estagnada. Não consigo estudar e nem trabalhar por causa do meu nome”, finalizou. O pedido movido pela DPE-AM é pra retificar o nome e também o sexo de feminino para masculino de * Eduardo.

*Como o caso está em segredo de Justiça, a reportagem usou um nome fictício.

Publicidade
Publicidade