Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
Acidente

Homem morre após deslizamento de terra em obra no Parque 10; um sobrevive

Chuva e irregularidades em obra pode ter contribuído para o deslizamento de terra no local. Parte de via será interditada por conta do deslizamento. Obra registrou em setembro outro acidente



08/12/2016 às 14:25

Um homem morreu e outro foi resgatado com vida pelo Corpo de Bombeiros na tarde desta quinta-feira (8) após um deslizamento de terra em uma obra localizada na avenida Perimetral, bairro Parque 10, Zona Centro-Sul de Manaus. Dois metros da via devem ser interditados por conta do caso.

Informações preliminares apontam que um grupo de trabalhadores estavam na obra quando a terra cedeu. A primeira vítima, Raimundo Vieira da Silva, 37, foi resgatado com vida por volta após 1h30 de buscas. Ele foi levado com escoriações leves ao Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto. Não há informações do estado de saúde dele. 

Um segundo homem, identificado como Manoel Moreira Alcântara, 39, também foi encontrado pelos bombeiros. A morte dele foi confirmada após duas horas de buscas. Peritos da Polícia Civil estão no local e o corpo deve ser encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). 

No local, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Amazonas (Sintracomec), informou que dois metros da avenida Perimetral serão interditados por conta do deslizamento de terra. Ele informou ainda que além da chuva, irregularidades na execução dos trabalhos na obra contribuíram para o deslizamento. 

Ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência estiveram no local para prestar atendimento.

Investigação

Em nota, a prefeitura informou que vai acionar a Polícia Civil para que investigue a responsabilidade criminal da proprietária e responsável técnico da obra onde ocorreu o deslizamento de terra.

Segundo a prefeitura, a obra já havia apresentado problemas no dia 11 de setembro, provocando a erosão de parte da via. Nesta semana, o proprietário assinou o compromisso de construir um muro de arrimo e solucionar a erosão provocada, liberando a pista definitivamente.

No local, a Defesa Civil constatou que não há riscos às residências próximas e fará um novo relatório técnico sobre a situação do local para encaminhar ao Implurb. A Secretaria Municipal de infraestrutura (Seminf) está no local prestando auxílio para conter a erosão no terreno particular, com 20 trabalhadores e máquinas. Já a Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh) encaminhou assistentes sociais para acompanhamento dos familiares das vítimas.

Obra havia sido embargada

No dia 11 de setembro, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) embargou a obra comercial e particular, de propriedade de Eliane Sigrid Lacerda dos Reis Bezerra, que sofreu um desabamento, afetando o passeio público.

A obra tinha alvará de construção com validade até 30 de setembro de 2016, com responsabilidade técnica do engenheiro Antonio Carlos Lapa Bezerra (CREA-AM 5695-D/AM-RR), e Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) número 21.920. A construção comercial permanece embargada por não obedecer ao projeto previamente aprovado, antes do sinistro.

No dia 14 de setembro de 2016, o Implurb emitiu, em caráter emergencial, alvará para construção de muro de arrimo, em razão do desabamento do dia 11, com validade de 30 dias, tendo como responsável técnico Marcos Vinicius de Vasconcelos Paiva (CREA-AM 260620541-3 e ART AM 20160060119, de 13 de setembro de 2016).

Em 30 dias, o proprietário não concluiu o muro de arrimo. No dia 7 de novembro, a obra foi notificada para renovar o alvará de construção do muro de contenção e no dia 16 recebeu um auto de infração pela não renovação e por não recuar o tapume da via.

No dia 2 de dezembro, foi feito uma vistoria pela Gerência de Levantamento Técnico (GLT), que constatou que na área desmoronada estava sendo executada a contenção da obra. Nesta quarta, dia 7 de dezembro, o proprietário assinou uma notificação extrajudicial para que o mesmo, em razão dos transtornos causados exclusivamente pelo notificado, realizasse, com urgência, o imediato saneamento da irregularidade causada, em razão do prazo expirado do alvará do muro.

A notificação extrajudicial deu prazo de 15 dias, a contar de 8 de dezembro, efetive a desobstrução da via pública e recuperação do passeio, com segurança.

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