Terça-feira, 18 de Junho de 2019
VIOLÊNCIA

Homicídios aumentaram 134% em 10 anos no AM; mortes de mulheres subiram 121%

Segundo o Atlas da Violência, mortes violentas por ano no Estado saltaram de 715, em 2007, para 1.674, em 2017. Dados foram divulgados esta semana



morte_7BF0B3AD-D4E9-481B-ACEB-545A2A380F48.jpg Foto: Arquivo/AC
06/06/2019 às 07:15

Em uma década, o número de homicídios registrados no Amazonas a cada ano mais que dobrou. Conforme levantamento do Atlas da Violência 2019, divulgado ontem, a quantidade de registros no Estado, em números absolutos, passou de 715, em 2007, para 1.674, em 2017 – uma variação de 134,1%. No mesmo período, quando a população cresceu 19,9% [passando de 3,38 milhões de pessoas para 4,06 milhões], índice de homicídios a cada 100 mil habitantes subiu 95,3%, saltando de 21,1 para 41,2. 

O estudo ressalta que, há uma década, o Amazonas apresentava uma taxa de homicídios inferior à média nacional, que era de 25,5 a cada 100 mil habitantes e hoje é de 31,6. “Nesse período o índice de violência letal praticamente dobrou, sendo que a maior prevalência antes circunscrita à região metropolitana se espraiou para cidades do interior, numa dinâmica que acompanhou um processo nacional de interiorização do crime para cidades pequenas”, detalha trecho do atlas. 

Por outro lado, tendo em vista a amplitude e posição geográfica do Estado, que faz fronteira com Peru, Colômbia e Venezuela, o estudo aponta que o Amazonas “é um território importante para a logística do narcotráfico, disputado por facções penais como o PCC e a Família do Norte que protagonizaram a rebelião no Complexo Prisional Anísio Jobim, em Manaus, no dia 1º de janeiro de 2017”.

O Estado foi o que apresentou as maiores diferenças entre os sistemas de informação da saúde e da segurança, cujos registros policiais (B.Os) indicaram 403 vítimas a menos em 2017 do que os dados do Datasus. O atlas ressalva que a Segurança Pública e Saúde contam com metodologias distintas para contabilização das mortes, “pois seus sistemas de informação servem a propósitos distintos”. Apesar disso, de uma forma geral, afirma que a desconfiança das discrepâncias é natural e sugere que a melhoria do registro “deve ser perseguida continuamente”.

Assassinatos de jovens

Conforme os dados de 2017, o Amazonas ocupa o 13º lugar no ranking dos estados brasileiros com maiores taxas de homicídios de jovens (homens e mulheres): são 80,5 a cada 100 mil habitantes, enquanto a média nacional é de 69,9. O estado que lidera o ranking é o Rio Grande do Norte (152,3), seguido do Ceará (140,2). Na região Norte, o estado com a maior taxa é o Acre (123,3). Já São Paulo está isolado nacionalmente  com o menor índice nesse quesito, 18,5.

Em relação especificamente aos  jovens do sexo masculino a taxa, em 2017, ficou em 151,5 a cada 100 mil habitantes, acima da média nacional de 130,4.

Mulheres

Quanto às mortes de mulheres (de todas as idades), o atlas mostra que o  Amazonas saiu de 52 em 2007 para 115 em 2017, um aumento de 121,2%. Em 2017, o Amazonas ocupou a 14ª colocação no ranking nacional, com 5,7 mulheres mortas a cada 100 mil habitantes. A média nacional é de 4,7. O estado com maior taxa é Roraima (10,6) e o que tem a menor é São Paulo (2,2).

SSP-AM destaca ações da nova gestão

Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-AM) ressaltou que, quanto ao percentual de homicídios no Norte, o Amazonas é o 5º entre os sete estados da região. “Também vale salientar que esses indicadores refletem um período que não é o da atual gestão”, informou.

A atual gestão da pasta, que assumiu em janeiro deste ano, destaca que “implementou diversas ações que promoveram uma queda de 7,3% no número de homicídios entre janeiro e abril”. “De 2014 pra cá, este ano apresentou o menor número de homicídios para o primeiro quadrimestre”, destacou.

A secretaria afirmou que  estão sendo realizadas operações integradas para fortalecer o trabalho policial contra a criminalidade, numa política de tolerância zero contra os criminosos, especialmente contra o crime organizado. Neste ano, até ontem, foram realizadas 21 operações sob a coordenação da SSP-AM, com mais de 500 pessoas presas e mais de 40 adolescentes apreendidos em Manaus e no interior.

De janeiro até abril, somente a DEHS prendeu 58 autores de diversos assassinatos. Os números englobam prisões em flagrante e em cumprimento de mandados judiciais e representam aumento de 190% em relação ao mesmo período de 2018.

Brasil teve  65.602 homicídios em 2017

A taxa de homicídios no Brasil aumentou 4,2% de 2016 para 2017, chegando ao recorde de 31,6 mortes para cada 100 mil habitantes. Segundo o Atlas da Violência 2019, divulgado  ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil teve 65.602 homicídios em 2017, um número absoluto 4,9% maior de que em 2016.

O indicador aumentou puxado pelo crescimento dos crimes cometidos nas regiões Norte e Nordeste, onde a taxa passou de 45 homicídios por 100 mil habitantes. O Ipea aponta a disputa de facções sediadas no Sudeste  (PCC e CV) e seus aliados locais (como a FDN) pelo domínio de mercados varejistas e de novas rotas internacionais de tráfico como um dos possíveis fatores que explicam o crescimento da violência no Norte e Nordeste. 

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