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Homicídios sobem 17,6 % no primeiro semestre na cidade de Manaus

Disputas e rachas entre as facções são apontadas pelas autoridades como o fator do aumento 04/07/2017 às 05:00
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Matança da guerra do tráfico na Zona Sul tirou a paz dos moradores e houve até toque de recolher determinado pelos bandidos. Foto: Gilson Mello/Freelancer - 16/mar/2017
Dani Brito Manaus (AM)

Com uma média de três mortes violentas por dia nos seis primeiros meses, 2017 já supera o ano de 2016 em relação ao mesmo período do ano passado em Manaus. Foram 521 mortes entre homicídios e latrocínios registrados de janeiro a junho. No mesmo período do ano passado foram 443 mortes. O crescimento é de 17,6%.

Para o comandante geral da Polícia Militar, David Brandão, o aumento dos homicídios está diretamente ligado ao massacre da primeira semana do ano em presídios da cidade - quando  67 presos foram mortos, seguido pela fuga em massa de detentos do sistema prisional. Só no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) foram 59 mortos  em 1º de janeiro, sendo que o número incial era  56, mas posteriormente foram encontrados mais três corpos de detentos.

Em maio deste ano mais uma vez o sistema prisional do Amazonas  foi destaque nas páginas de polícia. Seis detentos da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) foram mortos dentro das celas onde eles  permaneciam presos em regime fechado.

Apesar de expressivas, essas mortes no sistema carcerário não entram no total de 521  homicídios e latrocínios registrados.

Guerra e ações

Desde março deste ano, a Zona Sulda cidade tem sido  destaque pelos crimes de homicídio. Os crimes estão diretamente ligados à disputa pelo domínio do tráfico naquela área, que é considerada um dos  berços da  facção criminosa do Amazonas, a Família do Norte (FDN).

 “Desde que os líderes da facção romperam, os soldados do tráfico começaram uma disputa para ver quem irá tomar conta daquela zona e a forma que eles encontraram para isto foi eliminar os concorrentes tirando a vida deles. Instalou-se uma verdadeira guerra, mas já identificamos os principais envolvidos neste crime organizado e só sossegaremos quando prendermos todos”, ressaltou o diretor do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), Guilherme Torres.

O aumento no número das mortes têm mobilizado as polícias. “Temos uma equipe de inteligência que está trabalhando para inibir tais registros. Por exemplo, desde março temos registros que os homicídios na zona Sul aumentaram e após um levantamento de inteligência fizemos inserções nos bairros daquela zona e conseguimos um bom resultado, uma vez que as mortes diminuíram naquela localidade”, disse o delegado-geral adjunto, Ivo Martins.

Para o segundo semestre, a PM está investindo em operações e na presença de policiais em áreas onde a mancha criminal é maior.

Ano da guerra entre facções

“Estamos trabalhando  com uma realidade diferente dos outros anos, pois desde o início do ano instaurou-se uma guerra entre as facções. Iremos continuar combatendo estes crimes e trazer a paz ”, disse David Brandão.

Blog: Sérgio Fontes, secretário de Segurança

Trabalhamos com as consequências da briga entre facções criminosas que ocorrem dentro e fora dos presídios basicamente por mais territórios e áreas de influência.  A esmagadora maioria das execuções tem relação direta com essa disputa. O objetivo é  desarticular essas organizações criminosas por meio de grandes apreensões de drogas  e a prisão de todos os seus líderes.

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