Sexta-feira, 17 de Janeiro de 2020
Estratégia

Redes de Hotéis que atuam no Amazonas reduzem diárias para tentar elevar ocupação

Com ocupação média abaixo de 50%, hotéis de Manaus apostam em promoções para atrair hóspedes e aumentar o movimento durante os Jogos Olímpicos, que começam na próxima semana, tendo Manaus como subsede



hotel.JPG Para evitar que instalações fiquem desertas, hotéis de Manaus apostam nas promoções como arma para atrair hóspedes. No Quality, taxa atual é de 60%, mas já foi de 80% durante grandes eventos / Foto: Divulgação
29/07/2016 às 15:38

Praticamente todos os hotéis de Manaus estão com diárias até 40% mais baixas, em função da proximidade dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que iniciam em cinco dias. A informação é do  presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira do Amazonas (ABIH-AM), Roberto Bulbol.

A explicação para os preços bem abaixo da média - os  menores do País, conforme o setor  -, segundo Bulbol, é a expectativa dos empresários de aumentar a taxa de ocupação dos hotéis que está abaixo de 50% , com menos de sete mil leitos ocupados ou reservados para o período do evento. O total, nos empreendimentos hoteleiros da cidade é de  aproximadamente 14 mil leitos. 



A ‘esperança’, diz o presidente da Abih-AM,  era que essa taxa de ocupação crescesse nas proximidades do evento, uma vez que Manaus  vai sediar jogos dos torneios de futebol feminino e masculino.  A única exceção para a taxa de ocupação baixa é o Tropical Hotel, que hospeda as delegações dos oito times que se enfrentarão nos 4 jogos marcados para ocorrerem na arena da amazônia.

“Infelizmente, a poucos dias para o início dos  jogos, vemos que a configuração deve permanecer a mesma. Quem tinha intenção de vir para Manaus, já está aqui ou já reservou  o quarto”, detalhou.

E para agravar a situação, contou ele, das reservas feitas inicialmente, muitas foram canceladas. “Esses cancelamentos ocorreram em função da  situação política do País e de falhas diversas na organização do evento, da segurança pública e na área de saúde, só para citar alguns exemplos”, avaliou.

Estratégia

Um dos empreendimentos que precisou reduzir o valor da diária, na tentativa de aumentar o movimento na época do torneio esportivo foi o Hotel Go Inn Manaus, da rede Atlantica Hotels.

 De acordo com o gerente geral, Arilson Pontes, em janeiro, a diária de um quarto single (uma cama) custava R$ 325 e o duplo (duas camas), R$ 370.

Em maio, em função da falta de demanda para o evento, esses valores foram reduzidos em 30%, passando para R$ 227,50 e R$ 259, respectivamente.

“Mas mesmo assim não tivemos uma melhora expressiva e então, nesta semana, reduzimos mais 10%”, informou.

Desta forma, os valores despencaram ainda mais, passando para R$ 204,75 e R$ 233,10.

“Mesmo assim não funcionou e ainda amargamos uma taxa de ocupação de 40%. Para se ter uma ideia da queda, há três anos, nossa ocupação variava entre 80% e 85% do total de leitos que possuímos”, lamentou.

Promoção ‘forçada’ na rede hoteleira

No Quality Hotel, a estratégia promocional de emergência se repete. Apesar de registrar uma taxa de ocupação atual de 60% dos 289 leitos que possui, o empreendimento já chegou a apresentar um índice de 80%, em períodos anteriores em que eventos de grande porte movimentaram a cidade.   

De acordo com a executiva de vendas do hotel, Waldielly Pontes, em fevereiro do ano passado, quando o Comitê Rio 2016 escolheu as cidades que vão sediar os torneios de futebol masculino e feminino - entre elas, Manaus - , a diária para se hospedar em um quarto superior no hotel (28 metros quadrados e cama de casal)  custava R$ 275. Já a suíte Business, que tem 47 metros quadrados e um escritório embutido (equivalente à suíte presidencial) tinha o valor tabelado em R$ 425. Hoje esse preço recuou para R$ 392 (-7,7%), enquanto o quarto superior custa hoje R$ 242 (12% a menos).  

“Com apenas 40% de ingressos vendidos para os jogos do torneio de futebol em Manaus, até o momento, fomos obrigados, assim como a maioria dos outros estabelecimentos do setor a fazer uma promoção ‘forçada’, para ver se haveria demanda, o que não ocorreu”, contou.

Mesmo assim, a gerente avaliou que a taxa de ocupação ainda é alta em comparação a outros hotéis da cidade e que ainda será possível obter um  tímido  crescimento nas vendas de pacotes de hospedagem, de 5% a 10%.

“Um fator que pode nos auxiliar é que, com a redução das tarifas, turistas de outros lugares, que não tinham interesse de vir para os jogos, vieram por conta dos preços baixos, mas mesmo assim, esse volume é ínfimo em torno de 10% da taxa de ocupação atual e não é o suficiente para alcançar a meta inicial de 80% de ocupação dos leitos”, relatou.

Setor local está à beira do colapso, diz Roberto Tadros 

O segmento do turismo no Estado já vinha em crise histórica,  está à beira de um colapso, situação que se configurou logo   após a Copa do Mundo realizada no Brasil, em 2014. Essa é a avaliação do presidente da Federação do Comércio do Estado do Amazonas (Fecomércio-AM) e empresário do setor hoteleiro em Manaus, José Roberto Tadros.

Segundo ele, o preço da diária em Manaus já está bem abaixo das diárias cobradas em todo o País e hotéis de três e quatro estrelas estão cobrando valores de uma e duas estrelas para poderem atrair alguma demanda. “Os empresário estão fazendo essas reduções nas tarifas com muito sacrifício porque já quase não há mais o que cortar, sem que se prejudique ainda mais o empreendimento. É preciso lembrar que quarto de hotel sem hóspede e assento de avião sem passageiro são dois prejuízos irrecuperáveis”, pontuou.

Para Roberto Tadros, é necessário mais comprometimento com o turismo no Estado para que o segmento em geral, incluindo a hotelaria, saia dessa situação, considerada por ele, como calamitosa. 

Outro ponto, segundo ele,   é a crise econômica e política vivenciada pelo País. “Um evento do porte dos Jogos Olímpicos deveria ser certeiro para aumentar as tarifas e não reduzi-las, mas enfrentamos problemas variados e de natureza grave no País”, analisou.

Entre eles, Tadros citou o déficit nas contas publicas, epidemias na área da saúde, como as ocasionadas pelo mosquito que provoca as doenças dengue,  zika e chikungunya, e promessas não consolidadas na área de infraestrutura como a construção de portos e  aeroportos. “Isso  só para citar alguns”, lamentou.


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