Publicidade
Manaus
Estratégia

Redes de Hotéis que atuam no Amazonas reduzem diárias para tentar elevar ocupação

Com ocupação média abaixo de 50%, hotéis de Manaus apostam em promoções para atrair hóspedes e aumentar o movimento durante os Jogos Olímpicos, que começam na próxima semana, tendo Manaus como subsede 29/07/2016 às 15:38 - Atualizado em 29/07/2016 às 15:38
Show hotel
Para evitar que instalações fiquem desertas, hotéis de Manaus apostam nas promoções como arma para atrair hóspedes. No Quality, taxa atual é de 60%, mas já foi de 80% durante grandes eventos / Foto: Divulgação
Juliana Geraldo Manaus (AM)

Praticamente todos os hotéis de Manaus estão com diárias até 40% mais baixas, em função da proximidade dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que iniciam em cinco dias. A informação é do  presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira do Amazonas (ABIH-AM), Roberto Bulbol.

A explicação para os preços bem abaixo da média - os  menores do País, conforme o setor  -, segundo Bulbol, é a expectativa dos empresários de aumentar a taxa de ocupação dos hotéis que está abaixo de 50% , com menos de sete mil leitos ocupados ou reservados para o período do evento. O total, nos empreendimentos hoteleiros da cidade é de  aproximadamente 14 mil leitos. 

A ‘esperança’, diz o presidente da Abih-AM,  era que essa taxa de ocupação crescesse nas proximidades do evento, uma vez que Manaus  vai sediar jogos dos torneios de futebol feminino e masculino.  A única exceção para a taxa de ocupação baixa é o Tropical Hotel, que hospeda as delegações dos oito times que se enfrentarão nos 4 jogos marcados para ocorrerem na arena da amazônia.

“Infelizmente, a poucos dias para o início dos  jogos, vemos que a configuração deve permanecer a mesma. Quem tinha intenção de vir para Manaus, já está aqui ou já reservou  o quarto”, detalhou.

E para agravar a situação, contou ele, das reservas feitas inicialmente, muitas foram canceladas. “Esses cancelamentos ocorreram em função da  situação política do País e de falhas diversas na organização do evento, da segurança pública e na área de saúde, só para citar alguns exemplos”, avaliou.

Estratégia

Um dos empreendimentos que precisou reduzir o valor da diária, na tentativa de aumentar o movimento na época do torneio esportivo foi o Hotel Go Inn Manaus, da rede Atlantica Hotels.

 De acordo com o gerente geral, Arilson Pontes, em janeiro, a diária de um quarto single (uma cama) custava R$ 325 e o duplo (duas camas), R$ 370.

Em maio, em função da falta de demanda para o evento, esses valores foram reduzidos em 30%, passando para R$ 227,50 e R$ 259, respectivamente.

“Mas mesmo assim não tivemos uma melhora expressiva e então, nesta semana, reduzimos mais 10%”, informou.

Desta forma, os valores despencaram ainda mais, passando para R$ 204,75 e R$ 233,10.

“Mesmo assim não funcionou e ainda amargamos uma taxa de ocupação de 40%. Para se ter uma ideia da queda, há três anos, nossa ocupação variava entre 80% e 85% do total de leitos que possuímos”, lamentou.

Promoção ‘forçada’ na rede hoteleira

No Quality Hotel, a estratégia promocional de emergência se repete. Apesar de registrar uma taxa de ocupação atual de 60% dos 289 leitos que possui, o empreendimento já chegou a apresentar um índice de 80%, em períodos anteriores em que eventos de grande porte movimentaram a cidade.   

De acordo com a executiva de vendas do hotel, Waldielly Pontes, em fevereiro do ano passado, quando o Comitê Rio 2016 escolheu as cidades que vão sediar os torneios de futebol masculino e feminino - entre elas, Manaus - , a diária para se hospedar em um quarto superior no hotel (28 metros quadrados e cama de casal)  custava R$ 275. Já a suíte Business, que tem 47 metros quadrados e um escritório embutido (equivalente à suíte presidencial) tinha o valor tabelado em R$ 425. Hoje esse preço recuou para R$ 392 (-7,7%), enquanto o quarto superior custa hoje R$ 242 (12% a menos).  

“Com apenas 40% de ingressos vendidos para os jogos do torneio de futebol em Manaus, até o momento, fomos obrigados, assim como a maioria dos outros estabelecimentos do setor a fazer uma promoção ‘forçada’, para ver se haveria demanda, o que não ocorreu”, contou.

Mesmo assim, a gerente avaliou que a taxa de ocupação ainda é alta em comparação a outros hotéis da cidade e que ainda será possível obter um  tímido  crescimento nas vendas de pacotes de hospedagem, de 5% a 10%.

“Um fator que pode nos auxiliar é que, com a redução das tarifas, turistas de outros lugares, que não tinham interesse de vir para os jogos, vieram por conta dos preços baixos, mas mesmo assim, esse volume é ínfimo em torno de 10% da taxa de ocupação atual e não é o suficiente para alcançar a meta inicial de 80% de ocupação dos leitos”, relatou.

Setor local está à beira do colapso, diz Roberto Tadros 

O segmento do turismo no Estado já vinha em crise histórica,  está à beira de um colapso, situação que se configurou logo   após a Copa do Mundo realizada no Brasil, em 2014. Essa é a avaliação do presidente da Federação do Comércio do Estado do Amazonas (Fecomércio-AM) e empresário do setor hoteleiro em Manaus, José Roberto Tadros.

Segundo ele, o preço da diária em Manaus já está bem abaixo das diárias cobradas em todo o País e hotéis de três e quatro estrelas estão cobrando valores de uma e duas estrelas para poderem atrair alguma demanda. “Os empresário estão fazendo essas reduções nas tarifas com muito sacrifício porque já quase não há mais o que cortar, sem que se prejudique ainda mais o empreendimento. É preciso lembrar que quarto de hotel sem hóspede e assento de avião sem passageiro são dois prejuízos irrecuperáveis”, pontuou.

Para Roberto Tadros, é necessário mais comprometimento com o turismo no Estado para que o segmento em geral, incluindo a hotelaria, saia dessa situação, considerada por ele, como calamitosa. 

Outro ponto, segundo ele,   é a crise econômica e política vivenciada pelo País. “Um evento do porte dos Jogos Olímpicos deveria ser certeiro para aumentar as tarifas e não reduzi-las, mas enfrentamos problemas variados e de natureza grave no País”, analisou.

Entre eles, Tadros citou o déficit nas contas publicas, epidemias na área da saúde, como as ocasionadas pelo mosquito que provoca as doenças dengue,  zika e chikungunya, e promessas não consolidadas na área de infraestrutura como a construção de portos e  aeroportos. “Isso  só para citar alguns”, lamentou.

Publicidade
Publicidade