Sábado, 18 de Janeiro de 2020
SOLIDARIEDADE

Idosa constrói abrigo no bairro Chapada para gatos em condição de rua

Iniciativa anônima ajuda bichanos com espécie de abrigo construído na rua Perimetral no bairro Chapada. Há três anos, a idosa leva água, comida e, em caso de doença, presta assistência com anti-inflamatórios.



42688600932_d008554bde_h_0136B410-8DDE-4223-AA13-FE666F67B6B1.jpg Foto: Clóvis Miranda/Freelancer
01/12/2019 às 13:44

Às vezes tudo o que os animais de rua precisam é de um teto para poder fugir da chuva, às vezes só um pouco de ração ou muitas vezes só um pouco de carinho. Foi pensando nisso que  há mais de 3 anos uma senhora resolveu ajudá-los e dar a eles de tudo disso um pouco.

Ela fez uma casinha na rua Perimetral no bairro Chapada, Zona Centro-Sul, atrás da Conde do Pão, no meio do mato próximo a calçada, onde os gatinhos que ali perto moram podem se proteger do frio, ter comida e água limpa, que ela mesma se responsabiliza todos os dias de cuidar.



Preferindo não se identificar por questões familiares, a senhora de 65 anos, com as iniciais V. S., destaca ainda que a questão não seja o que ela faz, mas sim para quem faz. “Eu não quero a atenção para mim, eu não sou nada. Quero que as pessoas se sensibilizem, ajudem esses animais, adotem, cuidem, foi pra isso que tentei ajudá-los, mas preciso de ajuda também”, comentou.

A ideia inicial de V. S., era poder criar um espaço onde os animais se protegessem até serem adotados ou resgatados por quem quisesse. Infelizmente, o local no qual deveria haver uma movimentação de entrada e saída de animais, só vê entrada, e cada vez mais gatos aparecem por lá, depositados pelas pessoas que passam na rua.

“As pessoas não adotam, eu comecei cuidando de alguns gatinhos, hoje tem mais de 20 aqui. Eles simplesmente passam e abandonam os animais, como se fosse um depósito ou um abrigo, mas só é um teto provisório, não são as condições que nenhum animal deveria viver”, relata.

Esse projeto é a “herança” de uma amiga, que começou com os cuidados e V. S. assumiu. “Era uma senhora que frequentava a capela de onde vou, e nos tornamos amigas. Ela me mostrou os animais que ajudava em casa, e como também não tinha condições de cuidar, já que eram muitos, aí eu resolvi ajudar, assumi a situação, mas foi crescendo e piorando”, diz.

V. S diz que só consegue pensar o que aconteceria com aqueles animais na época de chuva e que não seria capaz de abandoná-los. Então pediu para o vizinho da frente construir uma casinha para ajudá-los.

“Muita gente falou que ia me ajudar com os animais, mas todos largaram mão, hoje eu tô só, mas eu nem tenho mais saúde pra isso. Eu ainda não abandonei porque meu coração dói e só de pensar que eles dependem desse alimento, porque ninguém mais faz isso, me parte aqui dentro. Eu dou remédio, dou antiinflamatório, e não tenho ajuda de ninguém”, desabafa ela,

A idosa garante ir lá todos os dias, faça chuva ou faça sol, e que nem precisa que as pessoas se identifiquem para ajudar. Ela diz querer algo espontâneo, quem passar lá e puder levar algum deles ou simplesmente deixar um pouco de ração e água, já é de grande ajuda.

“Vai chegar uma hora que não dou mais conta. As pessoas só depositam e trazem mais pra cá, mas ninguém vem ajudar. Eu vou viajar em fevereiro e não tem ninguém para cuidar deles enquanto eu não estiver. Eu lavo vasilha, eu limpo o cantinho deles todos os dias. Chego lá cansada, mas nunca deixei de cumprir a minha missão”, afirma.

Repórter de A Crítica

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