Publicidade
Manaus
DENÚNCIAS

Idosos: agressões podem chegar a 10 mil neste ano, segundo dados da SSP

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, só nos primeiros três meses do ano foram 2,6 mil casos, média de 28 registros por dia 07/06/2017 às 23:15 - Atualizado em 08/06/2017 às 08:06
Show foto idosa
Segundo a polícia, a violência contra o idoso pode ir além da agressão física (Foto: Winnetou Almeida)
Álik Menezes Manaus

O amor e o medo inibem que idosos, vítimas de agressões praticadas por filhos e netos, denunciem seus algozes e faz com eles vivam reféns dentro das próprias casas. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM), nos três primeiros meses deste ano foram registrados 2.607 crimes contra idosos, uma média de 28 denúncias por dia, que pode passar de 10 mil casos ao longo do ano, se continuar nesse ritmo. No ano passado, no mesmo período, foram registrados 2.555 casos.

A delegada titular da Delegacia Especializada em Crimes contra o Idoso (DECCI), Ivone Azevedo, disse que, em média, de 8 a 10 denúncias são formalizadas por dia na delegacia, mas o número poderia ser ainda maior.

De acordo com a delegada, a maioria dos casos registrados na delegacia são crimes contra a honra, difamação, perturbação e apropriação ou desvio de bens. “Tem muitos casos críticos, em que o idoso protege filhos e netos. Porque eles, às vezes denunciam, mas, depois, ficam com medo de que eles sejam presos”, disse.

Um dos casos mais comuns registrados na delegacia, segundo a delegada, são de filhos que se apropriam dos cartões dos idosos para fazer saques da aposentadoria e não entregam esse benefício ou decidem como esse dinheiro será utilizado. “O familiar pega o benefício do idoso e usa  em proveito próprio, não usa com o dono do benefício, ele desvia da finalidade, que seria da necessidade básica do idoso. Dinheiro do idoso é do idoso”, explicou.

A delegada também afirmou que, se o idoso está lúcido, ele tem o direito de escolher o que fazer com o dinheiro e onde quer morar. Há casos registrados de filhos que levam os pais para morar na casa deles ou invadem a casa dos pais e decidem tudo referente a vida dos pais. Segundo Ivone, ancião tem o direito de decidir e escolher como e onde quer viver. “Tem idoso que nem sabe porque está morando com um dos filhos ou os filhos na casa dele. Se ele estiver lúcido, tem o direito de decidir sobre sua vida”, disse.

Denúncias
Para a policial, os idosos devem buscar apoio para se livrar das agressões e que esses algozes sejam punidos conforme a lei. “Para o idoso chegar a denunciar o filho ou um neto é porque ele já não aguenta mais, já está no limite, mas é importante que esse idoso procure ajuda imediatamente. Ele não precisa sofrer”, disse.

Em casos mais extremos, as agressões podem levar à morte, como ocorreu com o aposentado José Fernando Leão Piro, 75, no dia 15 de novembro de 2015. Ele foi agredido, torturado e morto pelo próprio filho, o eletricista Marcelo da Silva Piro, 44, que se irritou, achando que vítima tivesse pego uma furadeira dele. O crime ocorreu na casa do idoso, localizada na rua das Acácias, bairro Campos Sales, Zona Oeste.

Voluntária
A advogada aposentada Etelvina de Lima Mateus, 75, é frequentadora do Parque do Idoso, localizado no bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Centro-Sul e atua em defesa dos idosos de forma voluntária.

Segundo Etelvina, há casos de idosos que chegam tristes no parque e, em conversas, ela descobre que estão sendo vítimas dentro dos próprios lares. “Os filhos, netos ou outro parente pega os cartões de benefício e fica com o dinheiro dos idosos. Isso não pode acontecer, quando a gente descobre tenta ajudar”, disse.

A aposentada contou que, há menos de um ano, um homem foi agredido por outras pessoas no parque após tentar agredir a mãe dele, uma idosa. “Ele queria o cartão dela, isso é muito comum, triste, mas comum”, disse.

2.607 -  crimes contra idosos, uma média de 28 denúncias por dia, foram registradas pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, de janeiro a março deste ano, em Manaus.


Vizinhos podem exercer papel fundamental ao denunciar
O psicólogo Ismael Rabelo disse que muitos idosos não conseguem denunciar seus agressores porque vivem numa relação de dependência e não conseguem ver meios para sair. “Geralmente, quem está vivenciando uma situação contínua de violência encontra-se numa relação de dependência da qual não ver meios de sair, chegando a aceitar e ter como natural os episódios vividos”, disse.

Por viverem com medo, muitos idosos não conseguem denunciar e precisam de ajuda de outras pessoas. Para o psicólogo, a sociedade precisa estar alerta e denunciar esses casos. “Na maioria dos casos, são os vizinhos que vão exercer um papel fundamental para romper a violência ao denunciar. É preciso estar alerta e sensível para ajudar”.

Para o especialista, o ideal é que o idoso sejam  inseridos em grupos de convivência, mas também defendeu a importância de trabalhos de conscientização.

 

Publicidade
Publicidade