Publicidade
Manaus
TERCEIRA IDADE COM SAÚDE

Idosos empoderados em Manaus falam dos desafios para manter a qualidade de vida

Chegar à terceira idade é um desafio para manter a rotina com qualidade de vida e independência 04/10/2018 às 16:37 - Atualizado em 04/10/2018 às 16:38
Show idososempoderados1 daf3cc86 33fb 42b3 94de dea17344ca36
O casal Maria Madalena, 70, e Wilson Dias, 80: dançando para viver melhor. Fotos: Jair Araújo
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Envelhecer é o desafio contínuo de fazer do limão uma limonada. Com o passar do tempo, o corpo humano deve se ajustar continuamente a um lento processo de perdas físicas, psicológicas e cognitivas. Continuar ativo é uma condição, sendo que  muito da velhice saudável depende da aceitação dessa condição de ser da terceira idade. Nesta Semana Internacional do Idoso, muitos deles mostraram-se empoderados, ativos e independentes, “dançando na cara” do preconceito.

E por falar em dançar de bem com a vida, que o diga o casal de aposentados Maria Madalena, 70, e Wilson Dias do Nascimento, o “Fumaça”, 80. Ambos são casal de porta-bandeira e mestre-sala da ala da terceira idade da escola de samba Mocidade Independente de Aparecida, e trazem na bagagem toda a malemolência e o gingado que nem o tempo apagou.

“Faço toda atividade, exercício, piscina (hidroginástica), danço, bolero, tango e vou levando a minha vida até quando Deus quiser”, disse o carioca Fumaça, aposentado da Aeronáutica e que passou por agremiações tradicionais do Rio de Janeiro como a Portela, e em Manaus pela verde e rosa Vitória Régia. Ele adora uma salada de alface e quiabo, não fuma há cerca de 20 anos e deixou de beber há 1 ano. “Adoramos dançar, fazer atividades e buscamos uma boa alimentação. Não nos deixamos cair, temos muitas amizades e vamos levando a vida”, destaca Maria Madalena, que brinca Carnaval desde 1975 - o casal reside na Colônia Antônio Aleixo, na Zona Oeste, e diariamente se desloca para fazer atividades no Centro Estadual de Convivência da Família de Aparecida, na Zona Sul.


Grupo da Terceira Idade após atividade no Centro de Convivência da Aparecida  

O empoderamento feminino passa pela independência de ir a qualquer lugar, sozinha. É o que ensina a costureira Anadema dos Santos, 69, que vem da Raiz, na Zona Sul, ao CCF da Aparecida, para se exercitar em cinco atividades: “Faço hidroginástica, musculação, dança livre, dança coreográfica e pilares; venho sozinha de ônibus”.
Viúva há mais de 40 anos, com três filhos e sem netos, ela viaja, passeia em qualquer lugar e diz que a alimentação se, exageros é uma das receitas de estar bem com a vida.

A vida é uma rosa

A professora aposentada Rosenilda Mata dos Passos, 68, é conhecida no bairro de São Raimundo, onde mora, como “Rosa”, tanto pela doçura no falar quanto pela inteligência por ter formado tantos alunos. Ela diz se sentir madura, mas não em processo de envelhecimento. “Estou me estruturando para quando chegar os 70, 75 anos. A vitalidade e a prevenção são muito importantes”, ensina a sábia educadora, cujo pai, Sandoval Vieira Passos, tem 94 anos de idade.  “É uma aprendizagem diária”, diz ela.


A professora aposentada Rosenilda Mata dos Passos: 68 anos e muita vitalidade

Estatística

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2017, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),existem em todo o Amazonas um total de 349 mil idosos (acima de 60 anos de idade), sendo 9,7% da população atual para o Estado que é de 3.918.000 pessoas. No Amazonas há predominância da terceira idade é feminina: 186 mil contra 163 mil idosos.

Já na capital amazonense, de acordo com o PNAD do IBGE, há 190 mil idosos acima de 60, sendo 108 mil mulheres e 82 mil homens.

Blog: Margareth Galvão, psicóloga

"Hoje já vemos idosos buscando esse empoderamento. A um tempo atrás era pouco visto ou quase não era. Mas atualmente, por conta das atividades que já existem, de alguns órgãos que já estão trabalhando isso, hoje já percebemos que eles buscam estar inseridos em algum grupo da terceira idade, que temos vários em Manaus. Somos vinculados à Secretaria de Estado da AÇão Social (Seas) e a equipe psicossocial está no Centro de Convivência da Aparecida desde maio do ano passado. O idoso quer manter a autonomia e a independência deles. Esses são dois aspectos importantes até pela questão da capacidade funcional e cognitiva deles, de estarem com autonomia e independência. Quando nos procuram, os idosos buscam companhia, ter pessoas para conversar, interagir, se queixam que em casa eles acabam ficando sós. Há pessoas que estão todos os dias aqui pois eles encontram espaço onde são bem recebidos, buscando melhor qualidade de vida”.

Pontos

*Segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria (SBG), estudos indicam que até 60% da população com mais de 65 anos sofre algum tipo de queda anualmente. Desses, em torno de metade ocasiona em algum tipo de lesão e, aproximadamente, 5% resulta em fraturas, muitas vezes grave.

*de acordo com levantamento da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), quase um terço das pessoas com diabetes têm mais de 65 anos.

*Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2017, o País superou a marca de 30 milhões de idosos. A previsão é de que, em 2042, a população brasileira atinja 232,5 milhões de habitantes, sendo 57 milhões de idosos (24,5%).

*No início do século XX, a expectativa de vida era de cerca de 40 anos. Hoje, gira em torno dos 75-85 anos, principalmente nos Países desenvolvidos.

Um terço das pessoas com diabetes têm mais de 65 anos

Dados da International Diabetes Federation (IDF) colocam o Brasil como a quarta nação do mundo em número de pessoas com diabetes – 13 milhões de pacientes. Destes, grande parte já está na terceira idade, faixa que pede cuidados especiais no manejo da doença, a fim de atingir as metas de controle metabólico e preservação arterial e de massa corporal. Para se ter uma ideia, de acordo com levantamento da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), quase um terço das pessoas com diabetes têm mais de 65 anos.

Primeiramente, é necessário considerar que o idoso já está mais predisposto a complicações cardiovasculares. Além disso, está mais sujeito a ser poli medicado e ter perdas funcionais e cognitivas, que se somam a problemas como depressão, quedas e fraturas, incontinência urinária e dores crônicas. Ou seja, a atenção a esta população deve ser diferenciada e respeitar todas essas condições na hora de pensar a estratégia para tratamento do diabetes.

Política Nacional do Idoso tem 24 anos

No 1º dia do mês de outubro celebra-se o Dia do Idoso no Brasil. Até 2006, o Dia do Idoso era comemorado no dia 27 de setembro. Isso porque, em 1999, a Comissão pela Educação, do Senado Federal, havia instituído tal data para a reflexão sobre a situação do idoso na sociedade, ou seja, a realidade do idoso em questões ligadas à saúde, convívio familiar, abandono, sexualidade, aposentadoria etc.

No dia 1º de outubro de 2003, porém, foi aprovada a Lei nº 10.741, que tornou vigente o Estatuto do Idoso.Pelo fato de o Estatuto ter sido instituído em 1º de outubro, em 2006 foi criada uma outra lei (a Lei nº 11.433, de 28 de Dezembro de 2006) para transferir o Dia do Idoso para 1º de outubro. Vale salientar que desde 1994, com a Lei nº 8.842, o Estado brasileiro já havia inserido a figura do idoso no âmbito da política nacional, dado que essa lei criava o Conselho Nacional do Idoso. O fato é que, com a criação do Estatuto do Idoso, em 2003, o Brasil começou a incorporar à sua jurisprudência resoluções de organizações internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Publicidade
Publicidade