Publicidade
Manaus
Manaus

Igarapé que corta o Coroado sofre com a seca, com o lixo e vira cenário ideal para o Aedes

Fôrma de ovos, garrafas PET, copos descartáveis e sacolas plásticas são alguns dos entulhos, que podem acumular água, presentes ao longo de toda extensão 16/02/2016 às 17:14
Show 1
Todo o leito do curso de água está tomado por lixo
Silane Souza Manaus (AM)

A falta de chuva tem influenciado no volume de água dos igarapés de Manaus, entre eles o que corta o bairro Coroado, na Zona Leste. No local, o leito do igarapé está raso e cheio de bancos de areia, além de muita sujeira e se depender das previsões climáticas o igarapé continuará igual um córrego porque a expectativa é que as chuvas só ocorram com maior frequência em meados de abril.

Além da seca, o lixo também toma conta das margens do igarapé. Fôrma de ovos, garrafas PET, copos descartáveis e sacolas plásticas são alguns dos entulhos, que podem acumular água, presentes ao longo de toda sua extensão. Cenário adequado para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, febre Chikungunya e Zika vírus.

A grade que fica no entorno do igarapé está danificada o que facilita a ação das pessoas de jogar o lixo nas suas margens e até dentro do próprio leito do rio. “Tudo o que não presta o pessoal joga aqui. Está horrível! E agora que está mais seco o lixo fica todo nas margens do igarapé”, afirmou o autônomo Afonso Alves Lima, 60. Conforme ele, há mais de um ano a área não é limpa pelo órgão público responsável.

Para ele, é preciso haver conscientização das pessoas para não jogar o lixo no igarapé e também do poder público em manter o local conservado. “Estão falando muito do problema da dengue e do Zika vírus, que tem que limpar o quintal, há duas semanas agentes de endemias passaram lá em casa falando isso, mas olha as condições desse igarapé. Não poderia ter ações voltadas para limpar esses ambientes”, questionou.

A Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp) informou que as atividades de limpeza de igarapés são diárias e ininterruptas. Faça chuva ou faça sol, as equipes estão dentro dos leitos puxando o lixo (jogado pela população) de dentro. E que o igarapé do Coroado, inclusive, passa por limpeza frequente.

A Semulsp informou ainda que no dia 24 de agosto do ano passado, foi realizado o último mutirão de limpeza no bairro, que durou mais de duas semanas. Depois disso, até o final do ano, equipes do órgão estiveram no local para retirada de lixeira viciada, limpeza do igarapé e varrição.

El Niño

De acordo com a previsão dos especialistas em clima, os efeitos provocados pelo El Niño se estenderão até abril, prolongando desta forma a forte estiagem que atinge o Amazonas, onde três municípios estão em situação de emergência por causa da falta de chuvas.

Em números

148.832 toneladas de resíduos sólidos, média de 407 toneladas diárias, foram recolhidas em 2015, durante os mutirões de limpeza que atenderam mais 250 de localidades em Manaus, conforme a Semulsp. As taxa médias de coleta de mutirões em relação à extensão e área executadas, neste período, correspondem a 29 toneladas por km e 5.087 toneladas por hectare, respectivamente.

Prefeitura enumera ações

De acordo com a Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp), esse ano, mais de 10 igarapés, contando os maiores e as artérias de rios, receberam mutirão de limpeza do órgão, entre eles os igarapés do Franco, Mindu, Passarinho, Manaus 2000, da Cachoeirinha, Avenida Brasil, orla da Ponta Negra, Marina do Davi e Tarumã.

A Semulsp informou que ontem (16), as equipes estavam trabalhando mais uma vez no igarapé do São Raimundo, igarapé do Lírio do Vale I e Manaus Moderna. “Ocorre que um dia depois de limparmos os leitos, o lixo volta a descer. Por isso, a limpeza é constante”. Conforme a secretaria, a limpeza de igarapés é a modalidade mais cara do mundo. Custa, por mês, mais de R$ 900 mil aos cofres públicos.

“Para diminuir a quantidade de lixo que vai parar nos rios, a Semulsp desenvolve uma série de trabalhos, como orientação da população; coleta diferenciada nos becos e rip-raps; coleta diária de lixo de domicílios (para que os sacos não fiquem expostos e sejam rasgados) e a varrição constante das ruas, já que todo e qualquer resíduo jogado nas esquinas ou arremessado dos carros, com as chuvas, vão parar nos igarapés”.

Outra medida que ajuda a reduzir o lixo nas águas, conforme a Semulsp é o mutirão de limpeza, que vai aos bairros e recebe da população os lixos pesados, como entulhos e resto de eletrodomésticos que (frequentemente) são retirados de dentro dos igarapés.

Publicidade
Publicidade