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Manaus
INFRAESTRUTURA

População sofre com serviços precários em conjuntos habitacionais de Manaus

Afastadas da zona central, mais de 57 mil pessoas sofrem com a oferta de serviços precários de saúde, transporte coletivo e aumento da criminalidade nos conjuntos habitacionais nas zonas Oeste e Norte 04/11/2017 às 18:01 - Atualizado em 05/11/2017 às 09:11
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Viver Melhor 1 e 2 sofre com precariedade de serviços básico. Fotos: Winnetou Almeida
Álik Menezes Manaus (AM)

Distantes da área central da cidade, moradores de conjuntos habitacionais construídos nas zonas Norte e Oeste da capital amazonense sofrem com a precariedade de serviços básicos como acesso ao atendimento de saúde, escolas, transporte público e o aumento da criminalidade, que mantém a população refém dentro de suas próprias casas. 

Nos quatro conjuntos, moram aproximadamente 57.519 mil pessoas, segundo estimativa da Superintendência Estadual de Habitação (Suhab). 

Nos conjuntos habitacionais Viver Melhor 1 e 2, localizados no bairro Santa Etelvina, na Zona Norte, a dona de casa Vanda Escórcio contou que um dos principais problemas da comunidade é com relação a segurança pública. Moradores vivem com medo de assaltos e pedem proteção de Deus para não terem as casas saqueadas ou até mesmo ocupadas por bandidos. 

“Infelizmente é algo comum. Eles arrombam os apartamentos e roubam as coisas, agridem e depredam tudo. Na rua, os assaltos também são frequentes e falta policiamento. Aqui é quase um município, nós deveríamos ter pelo menos uma delegacia”, desabafou. 

Falta UBS

O atendimento médico é outro problema enfrentado por aqueles que buscam auxilio na única Unidade Básica de Saúde (UBS) do conjunto. Os relatos são de sofrimento e revolta de quem, muitas vezes, precisa se deslocar para outros bairros distantes para conseguir uma consulta ou encaminhamento para fazer exames. 

“O sofrimento é grande, somos tratados como lixo. Para conseguir uma ficha para pediatra, a gente precisa passar a madrugada na fila, correndo risco de ser assaltada ou até estuprada pelo caminho. Aqui não é viver melhor, aqui na verdade é viver pior, estamos esquecidos pelos governantes”, lamentou a dona de casa Elsilândia Leal, 44, mãe de dois filhos e que mora na segunda etapa do Viver Melhor há quatro anos. 

Transporte coletivo

O transporte público foi eleito pelos usuários como um dos piores serviços prestados à população que paga tarifa de R$ 3.80, uma das mais caras do País. O autônomo Daniel Marques Moraes, 38, mora no conjunto há três anos e disse que sofre todos os dias para ir e voltar do trabalho. “São muitas pessoas que precisam sair para trabalhar e estudar. As linhas não dão conta, os ônibus demoram mais de uma hora para passar e só vivem lotados. É desumano o que fazem com essa gente toda”, disse ele.

A situação de transporte, violência e atendimento médico se agrava ainda mais no habitacional em virtude das invasões que cercam o conjunto. Os moradores do Viver Melhor afirmaram que, além  péssimos, os serviços precisam ser divididos com os invasores de terra que ocupam áreas particulares e públicas no entorno do conjunto.

A CRÍTICA entrou em contato com a Polícia Militar para questionar sobre a denúncia de moradores da falta policiamento, mas não obteve respostas sobre se haverá reforço policial e nem que ações seriam realizadas a partir das denúncias.

Moradores clamam por melhorias de serviço

A situação dos moradores do Viver Melhor, do bairro Tarumã, na Zona Oeste, não é diferente dos outros conjuntos habitacionais. Os relatos são de aumento da criminalidade, falta de policiamento, inexistência de Unidade Básica de Saúde (UBS) na comunidade e iluminação pública precária.

“Aqui não tem nenhuma UBS, mais tem duas no Parque Riachuelo. Uma delas é bem próxima daqui de casa, mas os funcionários mandam a gente ir para uma outra que fica mais longe. Idosos e deficientes sofrem com a dificuldade de locomoção. O prefeito deveria olhar com mais atenção e construir uma aqui entre o Cidadão e o Viver Melhor”, disse o vigilante Márcio José Moura Chaves, 41, que mora na rua 15 do Viver Melhor há três anos. 

Nem Código de Endereçamento Postal (CEP), os moradores do conjunto têm, o que dificulta a entrega de correspondências e fazer cadastros em órgãos e matrículas em escolas e cursos. “Uma bagunça. Nossas contas muitas vezes são extraviadas, tem gente com o nome sujo porque as contas não chegam”, contou. 

A iluminação pública das ruas do conjunto é outro problema. Segundo uma dona de casa, que pediu para não ser identificada, na rua 15 do conjunto, criminosos agem livremente roubando moradores que caminhas nas ruas e em uma escada, que é uma segunda opção para as pessoas se deslocarem.

Criminosos e usuários de drogas ameaçam e chegam até a invadir casas de moradores para furtar e até estuprar as mulheres que ficam sozinhas em casa. Eles agem em qualquer hora do dia e não se intimidam quando enfrentados pelos moradores.

Sobre a iluminação pública, a Unidade Gestora de Projetos Municipais de Abastecimento de Energia Elétrica informou que acionará a ManausLuz para checar as denúncias e fazer a manutenção.

Serviços precários causam transtornos

No Conjunto Cidadão 10, localizado no bairro Tarumã, Zona Oeste da cidade, os moradores sofrem com poucos ônibus, assaltos frequentes, falta de vagas em escolas públicas e Unidades Básicas de Saúde (UBS). 

O militar aposentado Luiz Soares, 54, mora no conjunto há três anos, e disse que apenas dois ônibus entram no conjunto e não são suficientes para atender toda a demanda. Conforme ele, há pessoas que preferem sair do conjunto caminhando para o bairro vizinho para ter mais opções de transporte.

“A caminhada chega a ser de 20 minutos. Mas aí a gente corre o risco de ser assaltado e até agredido pelo meio do caminho, principalmente as mulheres e crianças”, afirmou ele. 

Os assaltos nas ruas do conjunto são frequentes e moradores vivem com medo até de sair de casa para estudar ou trabalhar. “Eles assaltam os ônibus, os comércios e as pessoas que caminham pelas ruas. Os horários mais desertos eu fecho o comércio para não facilitar, falta policiamento aqui no conjunto, mas já foi pior, bem pior”, contou ele.

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) informou que está realizando estudos para identificar áreas para construção de UBSs nos conjuntos para ampliar o acesso aos serviços de atenção básica.

A pasta informou que até que as novas estruturas sejam construídas e as existentes reformadas e/ou ampliadas, a Semsa tem feito o remanejamento dos usuários para as unidades próximas para garantir o atendimento a esses moradores.

Já a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) informou que vai fiscalizar e avaliar a demanda e a frequência de saída das linhas para verificar se há necessidade de reforço na frota nas áreas mencionadas.

Semed promete escolas

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que possui 15 unidades de ensino entre creches, centros municipais de educação infantil e escolas municipais de ensino fundamental nas áreas citadas, que atendem aproximadamente 13 mil alunos e há projetos de construção de 29 novas unidades, que deve atender 20 mil alunos.

A CRÍTICA entrou em contato com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) para questionar sobre as reclamações do moradores, mas não obteve respostas até o fechamento.

Conjunto João Paulo 2 coleciona problemas

Os moradores do conjunto João Paulo 2, localizado no bairro Santa Etelvina, Zona Norte, reclamam da falta de Unidade Básica de Saúde (UBS), ônibus e a até da cobrança ‘absurda’ nas contas de água.  A dona de casa Claudene de Silva Nunes, 43, contou que os moradores têm dificuldades para sair da comunidade. “Os ônibus demoram muito, são velhos e andam lotados. É humilhante”, disse ela. 

A comerciante Francineide de Souza, 34, disse que o atendimento na UBS é precário e os moradores precisam se deslocar para outros bairros para conseguir consultas e até remédios. “Tem gente que não tem dinheiro e vai a pé para outros bairros para ser atendido e pegar um remédio. É uma enfermeira e um médico apenas”, contou.

A Manaus Ambiental informou que todos conjuntos citados na reportagem foram construídos e entregues aos moradores com infraestrutura completa de água e coleta esgoto, os quais são operados pela Manaus Ambiental e estão em pleno funcionamento operacional, com as devidas licenças operacionais e ambientais vigentes. 
Segundo a empresa, quaisquer reclamações devem ser feitas  pelo  número  0800 092 0195 ou e-mail faleconosco@manausambiental.com.br.

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