Domingo, 24 de Janeiro de 2021
Campanha

Ilustradoras de Manaus em campanha contra violência obstétrica

Quem andar pelas principais avenidas de Manaus nos próximos dias irá se deparar com outdoors que trazem relatos de mulheres que foram vítimas de violência na hora do parto



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25/11/2020 às 15:18

Idealizada pela ONG Humaniza, a campanha "Do luto à luta" busca sensibilizar a população sobre a realidade da violência obstétrica, que ocorre em uma a cada quatro mulheres, de acordo com dados da Fundação Perseu Abramo e apresentar alternativas às mulheres que desejam parto humanizado.

Larissa Costa é obstetriz formada pela Universidade de São Paulo, sua profissão é melhorar a qualidade dos partos e diminuir as cesarianas. "Decidimos criar ilustrações em outdoors a partir de relatos de mulheres que sofreram violência obstétrica, e que nos autorizaram. Cada outdoor é um relato de uma mulher diferente. No total serão ilustrações de 7 artistas. Hoje, a Humaniza atende mais de 160 casos de violência obstétrica".

Conforme Larissa os modelos de atenção ao parto e nascimento, que têm enfermeiras obstétricas e obstetrizes como líderes e responsáveis primários pela realização de partos normais, aumentam as chances de partos espontâneos e diminuem as intervenções desnecessárias.

A ilustradora e designer Sara Farias é uma das convidadas pela ONG e explica porque, mesmo não sendo mãe abraçou a causa: "Eu sou feminista, desejo ser mãe e também trabalho com crianças então fui me aproximando da pauta do feminismo materno. Faço parte de um coletivo de ilustradoras feministas chamado _Matinta_ e nós integramos a campanha "Do luto à luta". Cada ilustradora recebeu um relato de violência obstétrica com a missão de ilustrá-lo. Quando recebi o meu foi muito pesado, a experiência me marcou profundamente e foi uma grande responsabilidade ilustrar o trauma de alguém, por ser um momento tão delicado e ao mesmo tempo tocar o público e comunicar algo. Estou muito feliz em fazer parte da campanha e de ter essa experiência como artista", afirmou.

A intenção da campanha é sensibilizar a população para promover uma ruptura com o ciclo de violência. "Decidimos falar de forma clara e objetiva que as mulheres sofrem violência obstétrica para trazer o tema para o debate público para assim, dissolver a banalização da violência contra a mulher durante o parto", completou Larissa.

Parto humanizado uma alternativa possível

A blogueira de viagens Nayara Rebello procurou serviço de profissionais após escolher o parto natural humanizado: "Eu pesquisei muito sobre parto domiciliar, tranquilizei minha mãe mostrando documentários e estudos sobre o tema. Foi uma escolha acertada e Mateus veio direto pro meu colo, foi emocionante. O serviço pode custar de 6 a 7 mil reais, valor até mais barato que um parto em um hospital particular", disse.

"Para o parto, contratei o serviço da Celeste Parteria, são duas enfermeiras e uma doula. Elas te acompanham desde o 3º mês de gestação até o pós parto. Elas levam banheira, oxigênio, tudo esterilizado e você se sente confortável e segura parindo em casa. Quando o bebê nasce elas fazem acompanhamento depois de 7 dias, as enfermeiras fazem visita para checar o aleitamento", completou. 




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