Sexta-feira, 24 de Maio de 2019
PERÍCIA

IML identifica 39 corpos de detentos mortos em presídios de Manaus

Diretor prometeu criar grupo de Whatsapp com familiares para dar informações mais rapidamente; lista só será divulgada após famílias serem avisadas



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Famílias tem se aglomerado na frente do IML em busca de informações (Foto: Antônio Lima)
03/01/2017 às 17:50

O Instituto Médico Legal do Amazonas (IML-AM) já identificou 39 corpos da carnificina registrada no sistema prisional do Amazonas entre domingo (1º) e segunda-feira (2). No total, 60 presos foram assassinados, sendo 56 no Complexo Penitenciário Anísio Jobim e outros quatro na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP).

Dos 39 identificados, 36 são de detentos do Compaj e outros três da UPP. Segundo Jefferson Mendes, diretor do Departamento de Polícia Técnico-Científica, 30 morreram por decapitação e outros 9 por dilacerações, marcas de estoques e aparelhos perfuro cortantes.  Até aqui, não houve corpos encontrados com perfurações de armas de fogo, segundo ele.

Entre os mortos, quatro já foram entregues às famílias para procedimentos fúnebres, enquanto outros seis aguardam a chegada dos parentes. De acordo com Jefferson, a lista dos mortos só será divulgada depois que todos os corpos forem identificados e entregues às famílias. "Vamos primeiramente informar as famílias, que são as mais interessadas, e após isso vamos divulgar", afirmou ele.

Segundo o diretor, o IML conta com o auxílio dos familiares para que eles relatem marcas no corpo, como tatuagens e cicatrizes, por exemplo, que podem auxiliar na identificação dos mortos. A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) repassou ao DPTC informações sobre tatuagens, cicatrizes e o odontograma com arcada dentária dos detentos.

Até o momento, os peritos do IML usaram dois métodos de identificação dos corpos: através de impressão digital e por meio da arcada dentária. Exames de DNA ainda não foram necessários, segundo Jefferson Mendes. "A equipe do DNA já está trabalhando no processamento dessas amostras, mas é um exame que pode demorar três a quatro dias ou semanas e meses. Depende do estado do corpo", disse.

Ainda conforme Jefferson Mendes, os corpos considerados de mais difícil identificação são os que foram carbonizados. Segundo o diretor do DPTC, as vítimas carbonizadas ficam sem impressão digital e, as vezes, até impossibilitada a identificação por arcada dentária. “Tem uma dificuldade bem maior porque fatalmente a gente perde a impressão digital e se arcada nao tiver conservada”.

Whatsapp

Um grupo de Whatsapp será criado com os familiares dos detentos para alertá-los sobre as novidades referentes ao reconhecimento dos corpos. "Vamos criar esse núcleo para as famílias não firarem nesse sol em uma situação que por si só já é bastante sofrível e vamos trabalhar para que eles tenham informações mais rápido para evitar problemas", detalhou. Duas salas serão montadas na sede do IML em Manaus para o atendimento humanizado das famílias.

Peritos

Segundo o diretor do DPTC, os peritos estão preparados para identificar os corpos, já que receberam treinamento para situações de grande quantidade de corpos desde a época das Olimpíadas. “Estão preparados, mas é algo chocante. Eles falam que nunca viram corpos de tal forma. Vale lembrar que muitos vieram voluntariamente trabalhar em folga para ajudar”.


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