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Manaus
TRÁFEGO NAS ÁGUAS

Imprudência e falta de fiscalização ocorrem diariamente, dizem trabalhadores

Trabalhadores da região do Tarumã e da orla do rio Negro reclamam dos abusos dos condutores e da falta de controle, ao longo de toda a semana 25/05/2017 às 05:00
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Nos fins de semana, o número de casos é ainda maior. Foto: Clóvis Miranda
Alik Menezes Manaus (AM)

Apesar do Comando do 9º Distrito Naval da Marinha do Brasil alegar que a Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental realiza fiscalizações diárias no Estado, canoeiros, funcionários e frequentadores de flutuantes do Tarumã, na Zona Oeste de Manaus, afirmam que diariamente é possível testemunhar algum tipo de imprudência praticada por condutores de lanchas e jet-skis e apontam ausência de fiscalização. 

Segundo dados da própria Marinha do Brasil, apenas nos cinco primeiros meses desse ano foram registrados 35 acidentes envolvendo embarcações nos rios do Amazonas. No último sábado, o empresário Daniel Dabela teve traumatismo craniano após a colisão de uma lancha contra um jet-ski numa região conhecida como Laguinho, no Tarumã-Açu. 

O canoeiro Suli Cunha, 45, contou que todos os dias vê algum tipo de imprudência sendo cometida na área do Tarumã, principalmente nas proximidades da Praia Dourada, onde há vários flutuantes. Segundo ele, os condutores de jet-skis e lanchas não respeitam a delimitação da área e assustam banhistas e donos de pequenas embarcações.

“Deveria ter uma fiscalização porque os caras não estão nem aí se tem gente na água ou em barcos menores, eles andam em alta velocidade e colocam em risco a segurança de todo mundo”, disse. 

Segundo ele, a situação se agrava mais ainda nos fins de semana, quando o fluxo de banhistas, jet-ski e lanchas aumenta. “É perigoso, imagina que aqui é uma rua e toda rua precisa ter a ordem, deveria ter áreas que as lanchas não deveriam nem chegar perto, só que aqui é terra sem lei”, lamentou. 

O gerente do flutuante Abaré, Beto Mota, contou que há muitos casos de imprudência, mas, mesmo assim, eles orientam os condutores a não se aproximarem tanto da área onde os frequentadores tomam banho. “Muitos insistem em avançar e ficar passando perto”, contou.  Beto Mota também disse que testemunhou inúmeras imprudências e que elas aumentam nos domingos. 

Um caseiro de um sítio às margens do rio Negro, de 47 anos, que pediu para não ser identificado, disse que é comum pessoas alugarem jet-skis na Marina Tauá, mesmo não tendo habilitação ou qualquer tipo de autorização. Ele disse que há tempos não vê fiscalização da Marinha do Brasil na região próximo dos flutuantes da Praia Dourada. 

Outro caseiro, que também pediu para não ser identificado, disse que os próprios locatários se “gabam” de não possuir autorização, mas conseguirem alugar lanchas e jet-skis. 

'Fiscalização é diária', diz Marinha

O Comando do 9º Distrito Naval informou que, de acordo as normas da autoridade marítima, as marinas, clubes e entidades desportivas deverão ser cadastradas nas capitanias e que é de responsabilidades dessas entidades o aluguel dessas embarcações. 

Deve ser exigido, no ato da negociação, obrigatoriamente, a habilitação do locatário, caso constatada irregularidade no aluguel de embarcações, as marinas poderão ser multadas e podem até ser suspensas por até três meses ou ter o cadastro cancelado. O comando ressaltou que a Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental realiza fiscalizações diariamente e intensifica todos os fins de semana por conta do aumento do fluxo de embarcações e pessoas. 

Em 2016, 830 apreensões

No ano passado, no Amazonas, foram abordadas 17.136 embarcações, sendo 2.582 notificadas e 830 apreendidas e, até o mês de abril deste ano, a Marinha  abordou 5.653 embarcações, notificou 692 e apreendeu 212.

Acidente de sábado

Sobre as embarcações envolvidas no acidente de sábado, que deixou o empresário Daniel Dabela com traumatismo craniano, ambas estão inscritas na capitania, informou o comando. Segundo o órgão, o condutor da lancha de esporte e recreio é habilitado pela capitania, mas não foi possível a identificação do condutor da moto aquática, que, segundo testemunhas, fugiu  do local.

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