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Incêndio em vegetação no 1° BIS é o vigésimo caso desde o começo de setembro deste ano

O fogo atingiu a vegetação próxima a um estande de tiro do batalhão do Exército Brasileiro. Com o forte calor e o ar seco, as queimadas em áreas verdes da cidade estão se tornando constantes: Neste ano, já foram mais de 120 11/09/2014 às 18:47
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Incêndio do quartel do 1º BIS foi o vigésimo somente no mês de setembro.
Denir Simplício Manaus (AM)

Um incêndio atingiu a vegetação do 1º Batalhão de Infantaria de Selva (BIS), localizado na avenida São Jorge, no bairro homônimo, na Zona Oeste de Manaus, na manhã desta quinta-feira (11). De acordo com dados apresentados pelos bombeiros, este foi o vigésimo caso somente no mês de setembro. O total de ocorrências deste tipo em 2014 chegou ao alarmante número de 115 sinistros e a corporação pede a máxima atenção por parte da população para que problemas maiores voltem a ocorrer.

No sinistro que aconteceu nesta quinta na mata do 1ºBIS, as chamas começaram próximas a um estande de tiro utilizado pelos soldados do regimento e os bombeiros tiveram de ser acionados. 

O exército não confirmou, mas os brigadistas presumiram que o fogo pode ter sido provocado por uma faísca de pólvora, provavelmente, por uma fagulha saída de uma das armas utilizadas pelos soldados do 1º BIS, no momento em que treinavam tiro. O fogo atingiu a mata ao redor do local e, em instantes, as chamas já alcançavam pneus que servem de proteção ao estande - o que ocasionou mais fogo e fumaça, piorando a situação.

O exército então acionou o Corpo de Bombeiros às 11h28 e o tempo de resposta da corporação foi de sete minutos, de acordo com a assessoria de imprensa da Corporação. Os agentes usaram um dos carros para apagar as chamas que já se alastravam por boa parte da vegetação.

Cada vez mais frequentes

São cada vez mais comuns os incêndios em vegetação em áreas urbanas da capital. Desde terrenos baldios ou quintais repletos de mato, até mesmo em locais onde a vegetação é bem cuidada, os riscos recorrentes ao fogo são iminentes, como o que aconteceu na mata do 1º BIS na manhã desta quinta-feira.

De acordo os dados apresentados pela assessoria de comunicação do Corpo de Bombeiros do Amazonas (CBMAM), só em 2013 foram registrados 99 incêndios em áreas verdes nas seis zonas de Manaus. Até o dia 11 de setembro deste ano, o número de queimadas em vegetação da capital já chegou a 115 sinistros. Vale ressaltar que somente esta semana foram registrados nove chamados para contenção de fogo.


Dos quase cem incêndios que aconteceram em vegetação de área urbana de Manaus no ano passado, 26 sinistros ocorreram na Zona Sul, 24 na Norte e 21 na região Leste da cidade. Estas áreas juntas são responsáveis por quase 70% dos casos.

Agosto, o mês dos incêndios

Os dados divulgados pelos bombeiros ainda apontam o mês de agosto como o de maior número de ocorrências registrado pela corporação. Em 2013, foram 30 focos de incêndio em agosto contra 20 acontecidos em junho. Este ano, os bombeiros tiveram quase o dobro de sinistros ocorridos no ano passado: foram 59 chamados para apagar as chamas que destruíam áreas verdes de Manaus, somente em agosto.

As zonas mais atingidas em Manaus ao longo de 2014 foram as regiões Norte, com 25 casos; seguidos da zona Centro-Sul da capital, com 22 incêndios em vegetação. Com tantos sinistros registrados pelos bombeiros, a corporação listou três itens para tentar evitar tantas ocorrências, quer na área urbana ou rural/florestal: denúncia, conscientização e, em último caso, o combate.

Denúncias, prevenções e conscientização

Os bombeiros recomendam que o cidadão que avistar qualquer tipo de queima em terreno baldio denuncie a situação ligando para o telefone 190. A Polícia Militar, por meio do Batalhão Ambiental, será acionada e irá ao local no intuito de apreender o infrator e os materiais usados, o conduzindo a Delegacia Especializada em Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), onde o mesmo responderá criminalmente.

Qualquer cidadão ainda pode acionar o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), para que estes órgãos apliquem as devidas multas ao responsável pela queimada em área urbana.

“Assim como o corte de uma árvore em um terreno, sem autorização da Semmas, a queimada em área urbana também pode constituir crime previsto na Legislação Ambiental”, afirma tenente Janderson Lopes, do CBMAM. A corporação avisa a população sobre o perigo de queimadas nesta época do ano, em virtude das altas temperaturas e a baixa umidade do ar - fatores que são propícios para que uma simples queimada se transforme num incêndio florestal de graves consequências.

O órgão ainda recomenda que os proprietários de terrenos baldios façam a capina ou mesmo a redução na altura da vegetação. Esse cuidado visa evitar que desordeiros coloquem fogo no terreno, vindo assim a causar maiores transtornos à população.


“Caso haja residências dentro desses terrenos, sem muros ou cercas, o risco para os integrantes dessas casas é ainda maior, pois em condições propícias o fogo se propaga rapidamente por meio do calor, convecção (condução de faíscas) e ainda pela condução (contato pela proximidade)”, acrescenta tenente Janderson.

Outra preocupação é com as brincadeiras de crianças e adolescentes, que com o intuito de causar desordem iniciam pequenos incêndios nessas épocas. Os pais devem sempre orientar seus filhos quanto aos riscos envolvidos e os efeitos de tais ações. A época de eleições também é motivo apreensão por parte dos bombeiros, por conta dos fogos de artifício que acabam soltando fagulhas e podem se transformar em chamas, por isso todo cuidado é necessário na utilização desse material nesta época do ano.

Quanto ao combate

No último caso a solução é discar 193 e chamar pelos bombeiros, que são os mais preparados para o combate a esse tipo de problema, ainda segundo Janderson: “Os brigadistas, atualmente, contam não só com equipes preparadas, mas também equipamentos terrestres de combate às chamas, além de apoio aéreo para dizimar incêndios florestais urbanos, que é o caso do helicóptero multimissão ‘Resgate-01’”. A Corporação ainda conta com o apoio de viaturas de combate a incêndio, as chamadas Auto Bomba Tanques (ABT), utilizadas principalmente no caso de incêndio em vegetação urbano da cidade.

A aeronave utilizada pelos bombeiros faz uso de um equipamento chamado “bambibucket”, que armazena em torno de 540 litros de água, podendo ser rapidamente abastecido em qualquer rio ou lago, e descarregado no ponto exato da área de maior concentração de calor, auxiliando assim o trabalho das equipes terrestres, que combatem tanto com abafadores, pás, enxadas e bombas-costais, resfriando o lugar.

No fim da tarde

Por volta das 16h30 desta quinta-feira (11), outro incêndio atingiu a empresa Intelbrás, localizada na avenida Tefé, bairro Japiim, Zona Sul de Manaus. O incêndio se originou em uma torre de resfriamento, que ficava próximo ao muro que dividia o terreno da empresa do terreno do Jornal do Commercio.

O incêndio acabou queimando um depósito de fibra de vidro, o que gerou uma nuvem de fumaça preta e espessa que se espalhou pelo bairro. O Corpo de Bombeiros foi acionado e, segundo sua assessoria, conseguiu debelar as chamas em cerca de meia-hora. Ninguém ficou ferido.

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