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Manaus
POLUIÇÃO

Índice de poluição do ar de Manaus é duas vezes maior que o tolerável pela OMS

As queimadas e o desmatamento estão entre as causas mais comuns de poluição do ar no Amazonas 10/11/2017 às 22:34 - Atualizado em 11/11/2017 às 13:06
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O aumento da frota de veículos é um dos fatores que contribui para o problema. Foto: Márcio Silva - Arquivo/AC
Danilo Alves Manaus (AM)

Em Manaus, o índice de poluentes presentes no ar é duas vezes maior que o considerado tolerável pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Conforme relatório divulgado pelo órgão em outubro deste ano, a capital amazonense apresentou média máxima anual de 20 microgramas de material particulado (µg/m3) com diâmetro menor que 2,5 por metro cúbico de ar   (PM 2,5).  As diretrizes da OMS para a média anual de PM2,5 é de 10 µg/m3. Os reflexos, apontam especialistas, vão dos problemas de saúde à redução no volume de chuvas.

O Inpe realiza monitoramento diário da qualidade do ar na capital via satélite. Conforme levantamento do órgão, em outubro Manaus alcançou, no horário de meio dia, média máxima de 500 µg/m3 de material particulado PM 2,5 por hora.  A média brasileira é de 320 µg/m3.

Enquanto isso, o grupo de trabalho (GT) de monitoramento da qualidade do ar de Manaus e da Região Metropolitana, criado há um pouco mais de um ano, ainda não conseguiu realizar nenhuma análise nas regiões pretendidas. Segundo a assessoria da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), a iniciativa aguarda repasses federais ao fundo do Fundo Estadual de Meio Ambiente (Fema).

Conforme o engenheiro florestal do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), George Fraga, apesar de estar localizada em meio à floresta amazônica, os índices da capital  indicam que a emissão dessas partículas vem aumentando nos últimos cinco anos devido ao aumento da frota de veículos na zona urbana e também na Região Metropolitana de Manaus (RMM), sem contar com a emissão de outros gases poluentes, como monóxido de carbono (CO) e outros compostos orgânicos.

“Por onde passa, essa nuvem de poluição que emana da capital amazonense interfere nos mecanismos de produção de partículas de aerossóis, com consequências nos mecanismos de formação de nuvens, sua evolução e a produção de chuva. Ou seja, caso os índices não diminuam, a fotossíntese pode estar em risco. A interação dessa fumaça com  emissões naturais da floresta produz ozônio em níveis que são tóxicos para a vegetação”, explicou.  

Queimadas e frota

Ainda segundo George, as queimadas e o desmatamento estão entre as causas mais comuns de poluição do ar no Amazonas. Os gases emitidos com a queima de recursos naturais e combustíveis é responsável por cerca de 15% dos poluentes presentes na atmosfera. “O Sul do Amazonas é o campeão na emissão desses gases, no entanto a região metropolitana de Manaus passou uma fase ‘rebelde’ de números elevados e focos de calor. Eu acredito que a situação está mais amena, no entanto é necessário fornecer educação ambiental urgente por  todos os meios”, disse.

O que são materiais particulados?

São partículas muito finas de sólidos ou líquidos suspensos no ar. Há fontes naturais e originárias a partir da ação humana desses materiais. Entre as naturais estão os vulcões, poeira, incêndios em florestas e até aerossol marítimo, gases tóxicos eliminados por rochedos. São consideradas antropogênicas as partículas oriundas da queima de combustíveis fósseis em motores de combustão interna de veículos, termoelétricas e indústrias e as poeiras de construção e de áreas onde a vegetação natural foi removida.

Impacto é sentido primeiro pelas crianças

Não é novidade que a poluição do ar é causadora de diversas doenças respiratória. O que assusta, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) é a emissão dos tipos mais comuns de material particulado: o carbono negro ou fuligem. Sua origem é a queima incompleta de diesel e incêndios. São elas as maiores causadoras de problemas no sistema respiratório.


Problemas no sistema respiratório são os mais comuns nas unidades de saúde por conta da poluição atmostérica

De acordo com o pediatra Márcio Polwihrt, a doença mais frequente é a inflamação das vias respiratórias. As crianças de até 12 anos são as mais propensas a sentir ardência nos olhos, nariz, garganta, traquéia e, por vezes, tosse. “Nestas áreas do corpo haverá maior produção de lágrima ou muco e os tecidos ficam vermelhos. Não há muito que fazer: um colírio para lavar o olho e uma pastilha para a garganta trazem alívio, embora não sejam realmente necessários”, explicou.

Para Maria Luiza, de 7 anos, ficar em casa é sinônimo de incômodo. Ela e a mãe, a empresária Paula Fragoso Santos, 46, moram na avenida Djalma Batista, uma das vias com maior concentração de veículos. A mãe contou que a filha precisa tomar uma série de medicamentos por conta das irritações na garganta. “Ela tosse muito quando sai de casa. Eu a levo para escola à pé e, quando passamos pela rua, ela já sente o impacto da poluição urbana”, comentou.

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