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Manaus
PLANO NACIONAL

Índices de alfabetização em leitura e matemática estão abaixo da meta no AM

Segundo dados de 2014 do Anuário Brasileiro de Educação Básica, apenas 39,1% dos alunos matriculados no ensino fundamental das escolas estaduais estavam em nível adequado em matemática 30/03/2018 às 18:54 - Atualizado em 31/03/2018 às 08:49
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Foto: Arquivo/AC
Álik Menezes Manaus (AM)

O Plano Nacional de Educação (PNE) tem como um dos objetivos alfabetizar todas as crianças até, no máximo, o final do 3º ano do ensino fundamental, quando têm, em média, 8 anos de idade. Segundo dados de 2014 do último Anuário Brasileiro da Educação Básica, no Amazonas, apenas 39,1% dos alunos matriculados no ensino fundamental das escolas estaduais estavam em nível adequado em matemática, por exemplo.

O professor de línguas estrangeiras Vagner Barros Teixeira defende que, para o Brasil avançar no quesito educação, deve haver investimento na base, além de outras medidas que considera como urgentes. “A educação no Brasil como um todo precisa melhorar na base, nos anos iniciais. Há crianças que não sabem ler e nem escrever e vão passando de ano. O problema é que lá na frente eles vão sofrer as consequências, não vão conseguir entrar numa faculdade e se conseguirem, terão sérias dificuldades de aprendizado. Não estarão no mesmo nível”, apontou.

Para o educador, a grande dificuldade dos alunos ainda é em disciplinas como a matemática e sem esse conhecimento, serão prejudicados nos anos finais da educação. A afirmação do educador é confirmada pelos números apresentados no Anuário Brasileiro da Educação 2017.

No Amazonas, na rede estadual, 39,1% dos alunos matriculados no 3º ano do ensino fundamental estavam no nível adequado para essa disciplina. Na rede municipal, no mesmo período, 23,9% estavam no nível adequado para a matemática.

 Leitura

 No quesito alfabetização em leitura, os dados apresentados no anuário, com relação ao ano de 2014, apontam que, na rede estadual, cerca de 79,7% dos alunos estavam em nível considerado como adequado, enquanto que na rede municipal a porcentagem era de 65,1%.

O documento ainda aponta que cerca de 56,7% dos alunos do 3º ano do ensino fundamental da rede estadual estavam no nível de leitura considerado como correto, enquanto na rede municipal o número era apenas de 38,9%. Os números são referentes aos alunos que participaram da Avaliação Nacional da Alfabetização, que é uma das estratégias criadas pelo Plano Nacional de Educação.

O técnico em informática Charles Bonyeck, 30, investe pesado na educação do filho, o pequeno Guilherme Bonyeck, de 8 anos, que estuda na rede pública de ensino. Segundo Bonyeck, Guilherme aprendeu a ler e escrever bem cedo, mas o bom desempenho do aluno não é mérito apenas dos professores.

“Como pai eu não posso deixar a responsabilidade apenas com os professores, seria negligenciar a educação do meu filho. Ele estuda de manhã na escola regular e durante a tarde tem outras atividades em casa e reforço, além de informática e inglês. Não tem moleza, ele sabe que precisa estudar e se dedicar”, disse.

Gestão democrática

A gestão democrática é uma meta considerada como ousada, mas também utópica por especialistas em educação.  A meta 19ª do Plano Nacional de Educação (PNE), em tese, ela garante que membros da comunidade como familiares e professores de alunos da rede publica participem da gestão no ambiente escolar.

Contudo, educadores acreditam que é uma das metas mais difíceis de ser alcançada porque as escolas precisam ter autonomia. Em caso de ser alcançada, o processo de definições de decisão poderiam impactar a aprendizagem de crianças e adolescentes.

Para o gestor da escola municipal Antônio Matias Fernandes, Rodrigo Fróes, a efetivação da gestão democrática em cada uma das redes públicas de ensino ainda é um imenso desafio. “É preciso ter conselhos municipais. Já existem, mas a legislação é pouco regulamentar em relação ao funcionamento desses colegiados, as estatísticas também revelam as formas de acesso aos cargos de direção escolar, concurso, eleição ou indicação, ou seja, essa meta fica cada vez mais distante”, disse.

Na prática, para o plano funcionar, segundo Fróes, as escolas precisariam ter autonomia financeira, apoio logístico e de infraestrutura, efetivação dos conselhos escolares com participação ampla da sociedade. Rodrigo Fróes foi eleito, em 2016, o melhor diretor de escola do Brasil pelo prêmio nacional Educador Nota 10.

A professora aposentada Cida Maria da Marra, 68, acredita que incentivar a gestão democrática possibilitará avanços na educação porque envolverá pais, alunos, conselhos comunitários e dará uma certa autonomia às escolas.

“Temos excelentes professores que poderão ser ótimos gestores. Contudo, os acessos aos cargos de direção nem sempre são por méritos. Precisamos do apoio e da ajuda da comunidade para alavancar essa meta e sair da letargia”, defendeu.

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