Sexta-feira, 19 de Abril de 2019
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VENCEDOR

Indígena que deixou Santo Antônio do Içá apresenta TCC de Física na UEA

Morador da Casa do Estudante da instituição, ele sonha passar no concurso da Seduc para ser professor na sua cidade natal


06/06/2018 às 06:00

Sair de sua cidade natal para estudar em outra localidade, cujo idioma você pouco conhece, parece de cara bastante desafiador. É sob esse enredo que contamos a história de Edio Nonato Julio, 28, aluno indígena da Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (EST/UEA). Há quatro anos o rapaz deixou a comunidade de Betânia, na zona rural de Santo Antônio do Içá, para estudar licenciatura em Física na cidade de Manaus, que fica a mais de mil quilômetros de distância.

Edio revelou que o sonho dele era, na verdade, conhecer a capital amazonense. O vestibular da UEA foi, naquele momento, um pretexto para que o jovem indígena chegasse ao destino desejado. Após aprovação no vestibular, Niniã, como é chamado pela família dele, deixou os pais e os seis irmãos para ingressar na turma de Licenciatura em Física ano de 2014.

Hoje, Edio apresenta o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) - missão que ele considera como a maior desde seu ingresso na universidade.  Superar todas as disciplinas da grade do curso, que é classificado como um dos mais difíceis no meio acadêmico, também foi um desafio grande. Prova disso é a turma de Edio Nonato  ter começado com 38 alunos e está concluindo com menos da metade. Essa evasão no curso, inclusive, é tema do TCC dele.

Choque cultural
As palavras desafio e superação são inerentes à rotina do estudante desde o momento em que ele pisou em solo manauara. Embora ele seja brasileiro, na comunidade em que nasceu a língua materna é Tikuna. Edio até chegou a ser alfabetizado em Português, mas de forma precária em turmas multiseriadas, na qual alunos de diversos níveis assistem à mesma aula, ou seja, não tem diferença de conteúdo de um aluno do primeiro para o do terceiro ano, por exemplo.

“Quando cheguei aqui eu não entendia bem o português, tive que aprender na convivência do dia a dia. Muitas vezes eu não entendia o que o professor estava falando em sala de aula e precisava contar com a ajuda de alguns colegas de classe para repassar o conteúdo”, disse Edio Nonato, ao revelar que seu maior aprendizado na capital foi ouvir muito e falar pouco, o que muitas pessoas interpretam até hoje como timidez.

Essa conduta de poucas palavras também resultou em momentos tristes na vida do jovem. Ele chegou a passar fome porque não tinha R$ 0,89 centavos para comprar o almoço no Restaurante Universitário (RU). Sem querer falar para ninguém da dificuldade financeira, o estudante tinha que esperar até a hora do jantar na Casa do Estudante da UEA,  onde ele ainda reside.

O jovem  já está inscrito no concurso da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), cujo edital dispõe de vaga para professor de Física em Santo Antônio do Içá. Voltar para lá é, segundo ele, sua única pretensão neste  momento. 

“Eu quero muito voltar para próximo da minha família e poder contribuir levando todo esse conhecimento que conquistei aqui para meus parentes”, disse. Em tom de brincadeira, o formando contou  que irá ensinar para o povo de lá os cálculos e fórmulas matemáticas que ele nunca imaginou que existissem  antes de ingressar na universidade.   
 

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