Domingo, 19 de Maio de 2019
PROTESTO

Indígenas protestam contra medida que deu à Agricultura poder para demarcar terras

Ato no Largo São Sebastião, em Manaus, contou com indígenas de diversas etnias. Segundo manifestantes, mudança é retrocesso



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Foto: Márcio Silva
20/01/2019 às 16:25

Indígenas de várias etnias se concentraram na tarde deste domingo (20) no Largo de São Sebastião, no Centro de Manaus, para protestar contra a transferência da responsabilidade sobre demarcar terras indígenas no Brasil da Fundação Nacional do Índio (Funai) para o Ministério da Agricultura. A mudança foi uma decisão do governo Jair Bolsonaro através da Medida Provisória 870, instituída no primeiro dia do novo governo.

Agora, a demarcação, identificação, delimitação e registro das terras tradicionalmente ocupadas pelos povos indígenas antes de responsabilidade da Fundação Nacional do Índio (Funai) passa a ser do Ministério da Agricultura.

“Essa medida vem muito contra os nossos direitos. A gente percebe que isso é muito ruim para os povos indígenas sendo que Manaus possui um grande número da população indígena. A Comipe fez um diagnóstico que há 45 povos na cidade e 16 línguas faladas”, explicou o coordenador dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Comipe), Turi Satere.

“A chamada é justamente para que pare esses impactos do Governo Federal em cima dos direitos indígenas. Estamos aqui todos reunidos como um só com o interesse de paralisar esse retrocesso em cima dos nossos direitos” acrescentou ainda.

Participaram do protesto instituições e outros movimentos que apóiam a causa como o Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas (MEIAM). “Essa mobilização é para combater essa transferência. Na verdade, apresentamos aqui a nossa insatisfação à medida, tirar a Funai e colocar dentro desse ministério significa que nós estamos mais  desprotegidos do que nós já somos. Há uma agressão contra a nossa terra por que é a Funai que está dentro de nossas aldeias, é eles que sabem as nossas realidades”, disse uma das coordenadoras do Meiam, Vanda Ortega. 

Uma das coordenadoras do Fórum Permanente das Mulheres de Manaus (FMM), Antônia Barroso, ressalta que a causa requer atenção por parte da sociedade. “Todos os dias mais do que nunca serão dias de resistência. Então, nós mulheres estamos aqui para afirmarmos que a luta dos povos indígenas também é uma luta das mulheres. Elas lutam pela suas vidas e suas identidades, pela floresta e biodiversidade”, acrescentou ela.

O indígena da etnia Mura, Tamilton da Silva de 32 anos relatou os impactos. “Já sentimos muito, não temos direitos, e nós não vamos aceitar isso”, contou ele que é morador de uma comunidade indígena no bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus. 

O presidente Jair Bolsonaro editou a Medida Provisória (MP) 870/19, que transfere o poder de demarcação de terras indígenas da Funai – vinculada ao Ministério da Justiça- para o Ministério da Agricultura no dia 1º. Já as terras quilombolas eram definidas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra)  e também passaram para a responsabilidade da pasta da agricultura.


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