Terça-feira, 21 de Janeiro de 2020
direitos humanos

Infrações em programas de TV são alvos de pesquisa por exposição indevida de pessoas

Pesquisa sobre programas ‘policialescos’ na televisão e no rádio promoveram mais de 4,5 mil violações de direitos



pmpm.jpg Também fazem parte das infrações, a exposição indevida de pessoas, bem como, a violação do direito ao silêncio (foto: Winnetou Almeida )
13/05/2016 às 20:26

A Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi) – Comunicações e Direitos vai lançar na próxima segunda-feira, 16, em Goiás, a pesquisa “Violações de direitos na mídia brasileira” que identificou que em apenas 30 dias, programas “policialescos”  na TV e no rádio  promoveram mais de 4,5 mil violações de direitos e cometerem mais de 15 mil infrações às leis brasileiras. Os dados foram coletados no ano passado. 

A pesquisa foi em realizada nas de Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP), durante os dias 2 e 31 de março de 2015, e verificou que os programas nessas cidades  cometeram pelo menos nove tipos de violações de direitos, produzidas a partir da infração a 11 leis brasileiras, sete acordos multilaterais e três  instrumentos de autorregulação como, respectivamente, a Constituição Federal, a Declaração Universal dos Direitos Humanos e o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros.



As principais violações identificadas nesses programas foram, a exposição indevida de pessoas, o desrespeito à presunção de inocência e a violação do direito ao silêncio. 

Embora Manaus tenha participado da pesquisa, para o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Amazonas, Wilson Reis, esse formato de programação é preocupante porque, em muitos casos, o profissional deixa de cumprir o papel de informar.

“Primeiro temos a condição comercial e a briga pela audiência faz como esses programas exagerem na abordagem do conteúdo.  A segunda preocupação é com a formação desse profissional. Não podemos esquecer que, enquanto jornalistas, temos que cumprir a missão de entreter, mas também informar e educar”, opinou Reis.  

Segundo ele, as empresas devem investir nos profissionais, para que a programação cumpra o dever de prestar um serviço à população. “Não podemos prestar um desserviço e o tratamento que é dado para esse tipo de conteúdo deve ser revisto”, defende. 

Proposta

De acordo com a Andi, a proposta é, a partir desses dados,  promover conferências, palestras, oficinas, debates, mesas redondas em diferentes espaços e estados brasileiros para ampliar as discussões sobre a temática.


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