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Início do período chuvoso preocupa moradores na ZL

Erosão vem ‘engolindo’ a rua no bairro Mauazinho e existe o risco de desabamentos, pois há desmatamento e construções irregulares no local 29/02/2016 às 17:00
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Erosão ameaça casas e comércios na rua Seringal, no Mauazinho
Marcela Moraes Manaus (AM)

Há meses, moradores da rua do Seringal e adjacências, no bairro Mauzinho, Zona Leste da capital, acompanham o avanço lento - e ameaçador - das erosões que, aos poucos, vão “engolindo” calçadas e ruas. E, com as chuvas que vêm atingindo Manaus nos últimos dias, o risco de deslizamentos, desabamentos e alagações se tornou uma constante, colocando toda a vizinhança em alerta.

Sem saber o que fazer e com previsão de mais chuva nos próximos dias, os moradores esperam, temerosos e ansiosos, por uma resposta do poder público. Enquanto ela não vem, a dona de casa Lucilene Picanço, 27, reza para que nada de ruim aconteça. Ela conta que está preocupada com a situação de risco no local e elata que muitas vezes já viu casa dos vizinhos sendo invadida pela água. “Nos dias de chuva água invade as casas e agente tenta se virar como pode. Muitas vezes nós chegamos a ficar atolados nesse barro que desce com os deslizamentos”, contou.

Ela relata que, mesmo com muitas promessas por parte da prefeitura em arrumar uma solução, até o momento nada foi feito. “A gente convive com o medo, o barranco está caindo aos poucos mas o único jeito é a gente enfrentar essa situação, já que não temos para onde ir. A prefeitura diz que vai resolver, mas fica só na promessa. As autoridades deviam fazer algo de concreto por nós e esquecer as promessas”, desabafou.

Fabiano Costa, 32, é proprietário de uma empresa que fica próximo a uma das erosões e conta que, nas últimas semanas, com o aumento de chuvas, a situação vem ficando mais complicada. “A equipe da prefeitura tem vindo aqui e está ciente da situação. A minha empresa está a ponto de ser engolida pelo buraco. Com essas chuvas, logo tudo vai cair. Estou em busca de fazer um seguro para minha empresa, mas nenhuma aceita fazer o contrato por causa do buraco”, disse.

Os moradores que vivem na área de risco alegam que não têm para onde ir. A dona de casa Ivani Dias, 50, teme que o pior possa acontecer a qualquer momento. “O nosso grande medo é que de uma hora pra outra tudo desabe. Toda essa situação é muito arriscada para nós que moramos aqui. Infelizmente temos que continuar morando aqui porque não temos para onde ir. Conviver com o perigo já se tornou rotina para nós”, lamentou.

E vem chuva

De acordo com o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), a preocupação dos moradores do Mauazinho tende a aumentar nos próximos dias. Isso porque a estação chuvosa já começou, apesar do registro de chuvas ligeiramente abaixo dos índices climatológicos considerados normais para o período.O mês de fevereiro é caracterizado por precipitação entre 222 e 306 mm. Até ontem (29), os registros apontavam um total de 215mm, estando portanto, ligeiramente abaixo do mínimo esperado para o mês.

Blog - Ednaldo dos Santos, morador

Nós estamos entregues a Deus. A cada dia esse buraco aumenta mais e, a cada chuva, uma parte do barranco cede, e é claro que fica mais evidente o risco de desabamento. Quando chove fica toda essa área fica só o lamaçal. Para piorar a situação, tem uns políticos que, com certeza, vão se candidatar nessa eleição e já estão rondando por aqui fazendo promessas que nós estamos cansados de ouvir. A gente sabe que isso não será resolvido de imediato. Nós só pedimos que alguém possa agir antes que a situação piore”.

Seminf e Defesa Civil estudam solução

A Secretaria Municipal de Infraestrutura informou, por meio de nota, que já mandou representantes, junto com a Defesa Civil, para o local, verificando a situação da erosão na rua Seringal.

Segundo a pasta, o local se trata de uma área de risco que apresenta deslizamento de terra ocasionado pela retirada de vegetação, desgastes do solo e construções irregulares. Por se tratar de uma área de risco com famílias residindo no local a Seminf não pode atuar com serviços definitivos.

Recentemente, a Seminf esteve na área realizando serviços paliativos, como a construção de um muro de proteção para impedir a passagem de pessoas no local, que está cedendo. Segundo registros do Distrito de Obras do Morro da Liberdade - que atende a área - a mureta foi quebrada há duas semanas pelos próprios moradores, que se recusam a fazer um caminho alternativo.

Uma nova medida foi tomada por parte da secretaria que colocou blocos de concreto para impedir que o local seja usado como rota pelos moradores. A Seminf tem atuado no bairro realizando outros serviços, como na rua Independência na qual estão implantando uma nova rede de drenagem profunda de 100 metros, dos quais 70 metros já foram concluídos. Nos 30 metros restantes, as tubulações já se encontram no local da obra para dar continuidade aos serviços.

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