Terça-feira, 18 de Junho de 2019
CIÊNCIA NA AMAZÔNIA

Inpa é importante, mas ainda desconhecido por muitas pessoas que vivem em Manaus

Enfrentando o desmonte do setor, Inpa precisa se voltar ao público para mostrar sua importância estratégica. Nos últimos dois anos, a redução foi de 40% no orçamento do órgão



inpa.JPG Aos 64 anos, Inpa enfrenta severa crise por cortes no seu orçamento. Fotos: Luiz Vasconcelos - 20/agosto/2014
16/04/2018 às 05:00

“Visitei uma única vez”. “Nunca entrei”. “Quando eu era criança fui, mas não sei o que se faz aí dentro”. Uma manhã em frente a uma das instituições públicas federais mais importantes para a ciência e tecnologia na região, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), é suficiente para ver o quanto esse trabalho ainda é desconhecido. Para além de questões que separam o ambiente científico acadêmico da realidade de pessoas fora desse meio, o Inpa, que atualmente enfrenta uma série de cortes em investimentos por parte do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), é um espaço que precisa sair do desconhecido para os amazonenses.

No momento em que os cortes no orçamento da instituição se tornam brutais e prejudicam as atividades, é fundamental que a população se mobilize para entender a importância do Inpa para a Amazônia. Nos últimos dois anos, a redução foi de 40% no orçamento do órgão. Em 2017, a Lei Orçamentária Anual (LOA) disponibilizou o montante de R$ 42,33 milhões, caindo para R$ 25,56 milhões em 2018.

 “A melhor forma de se mobilizar em favor da ciência e da tecnologia no Amazonas é conhecer o que nós temos feito aqui. E conhecer significa saber que estamos contribuindo para preservação dessa região”, destaca a pesquisadora e coordenadora de extensão da instituição, Rita Mesquita.

Quem passa nas ruas e vê um quarteirão de muros por trás de placas dificilmente entende o que se faz e a importância daquele espaço para a sociedade. O Inpa, há 64 anos, é responsável por reunir estudos da biodiversidade e dos ecossistemas amazônicos para mostrar ao mundo. Além disso, tem o importante papel de contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas para a população da região.

A barreira que precisa ser quebrada neste momento é aquela que distancia pessoas como a doméstica Antônia Nélia da Silva, que há sete anos é vizinha, mas desconhece o que é feito pelo futuro da região e os problemas pelos quais passa o instituto atualmente. “Eu moro do lado, passo todos os dias, mas é algo que eu não me dou conta de que eu posso conhecer. É a correria do dia a dia que faz a gente passar despercebida e não abrir esse espaço na nossa vida”, afirma.  Antônia e tantas outras pessoas da redondeza  não são um problema por desconhecer uma realidade “distante” das atividades que ela exerce cotidianamente. O contato ou não com a pesquisa é opcional.


A  Casa da Ciência é um centro de exposição que fica dentro do Bosque da Ciência. 

O importante, nesse contexto, é permitir que assim como ela outras pessoas saibam da existência, possibilidades e importância da instituição. É o caso do adolescente Jorge Gabriel Bentes, de 16 anos, que também passa pelo local todos os dias. Ele fez a visita ao Bosque da Ciência (braço do instituto voltado justamente a esse contato com a população) com um grupo do colégio quando ainda era criança. “Só lembro que tinha animais e foi divertido. Foi algo que me chamou mais atenção porque eu era criança, mas faz muito tempo que eu não sei o que existe por trás desse portão. Eu não sabia ao certo que eu podia fazer visitas sem precisar da escola”, afirma.

Assim como Jorge e Antônia, a reportagem de A CRÍTICA ouviu outras sete pessoas que passavam em frente ao instituto. Todas desconhecem o trabalho. O Inpa é uma das unidades de pesquisa acadêmica que trabalham em sistema de portas abertas, por meio do Bosque da Ciência, com o objetivo de levar o máximo de informações possíveis para a população. 

Bosque como porta de entrada

Para diminuir a distância entre o mundo acadêmico e a realidade das pessoas, o Bosque da Ciência é a porta de entrada para quem pretende conhecer que é feito no Inpa.  Em uma área de 13 hectares, foi projetado e estruturado para  promover a  difusão científica e a educação ambiental, ao mesmo tempo preservando os aspectos da biodiversidade existente no local.

“Hoje o Inpa reúne estudos que englobam todos os tipos pessoas da região amazônicas. São pescadores, extrativistas, agricultores, indígenas, ribeirinhos e tantos outros grupos que representam a cultura amazônica. Estamos levando a ciência para se conectar com as populações tradicionais e nos colocando a serviço da sociedade”, explica Rita Mesquita.

Ao incentivar a visitação, o Inpa o consegue reunir verba que também é investida na manutenção da instituição. A visitação  acontece de terça-feira a domingo e uma taxa de R$ 5,00 que é cobrada por visitante. “Esse valor é simbólico e é repassado à União para investimentos na manutenção. Em breve, vamos ter um novo modelo de administração para que a verba seja aplicada diretamente à manutenção do complexo, sem precisar ser levada ao governo federal”, ressalta Rita.   

Curiosidades         

# O Inpa foi criado em 1952 e implementado em 1954.

# Atualmente há 184 projetos de pesquisas registrados lá.

# O instituto tem 65 Grupos de Pesquisas, distribuídos em quatro focos: Biodiversidade; Dinâmica Ambiental; Sociedade, Ambiente e Saúde; e Tecnologia e Inovação.

Serviço

Onde: Av. Bem Te Vi (antiga rua Otávio Cabral),  Petropólis.

Quando: De terça a sexta, de 9:00 às 12:00 h e de 14:00 às 17:00 h.  Aos sábados e domingos de 9:00  às 17:00 h (a portaria fecha as 16:00h em ambos os casos).

Entrada: R$ 5,00

Linhas de ônibus para chegar no INPA: 125/449/461/515/517/519/541/600/651/676

Transporte Alternativo (Micro-Ônibus): 801/817/821  


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