Sábado, 20 de Julho de 2019
DESAFIO

Inspeção revela 'fila' de 98 mil aguardando cirurgias e exames no Amazonas

Novo titular da Susam e vice-governador, Carlos Almeida, afirma que "inchaço" para realizar procedimentos é resultado da falta de pagamento aos fornecedores do Estado



zCID010503_p01_77584E1C-8A17-4054-9A36-07799E714593.jpg Foto: Jair Araújo
05/01/2019 às 02:05

A fila de espera por cirurgias e exames específicos na rede de saúde no Amazonas chega a 98 mil pessoas. O inchaço no Sistema de Regulação (SisReg) para a realização dos procedimentos é resultado do desabastecimento de insumos por falta de pagamento aos fornecedores do Estado. A informação foi dada pelo titular da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam) e vice-governador, Carlos Almeida Filho (PRTB), na manhã de ontem, durante visitação ao Hospital Universitário Francisca Mendes, no bairro Cidade Nova, Zona Norte de Manaus.

Durante a visita, que é a primeira de uma série de inspeções nas unidades de saúde, o governador Wilson Lima (PSC) disse que até seringas estão em falta no estoque do hospital.

“A medida que vamos tomando conhecimento de como funciona o Estado por dentro, vamos ficando cada vez mais assustados. Em conversa com a equipe do Francisca Mendes, descobri que hoje, por exemplo, não há seringa na unidade. Descobri que apenas 23% dos medicamentos que deveriam ter, ou seja, 77% dos medicamentos, estão faltando aqui”, afirmou o chefe do Executivo.

A falta de itens como medicamentos, Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME), insuficiência de profissionais e equipamentos quebrados, culminaram em alerta vermelho para todos os setores da pasta de saúde, diz Carlos Almeida.

“A primeira solução que nós vamos dar é fazer o diagnóstico do prejuízo geral e, na medida que estamos fazendo, devemos apresentar à imprensa, até porque isso nos garante transparência no pagamento dos fornecedores. Nós vamos colocar os órgãos de controle a par de todos esses dados, o Tribunal de Contas e os Ministérios Públicos, para controle dessas informações. Precisamos organizar a gestão de pagamentos, pois eles não poderão ser feitos da forma como eram feitos anteriormente”, destacou o titular da Susam.

De acordo com ele, um cronograma de pagamentos será ajustado com a Secretaria de Fazenda (Sefaz), para que seja dado início à organização dos demais fornecimentos. “Os serviços vão ser deficitários porque qualquer item que falte na prestação de uma cirurgia acrescenta problema para esse fornecimento. Faltou medicamento, luva ou profissional, vai apresentar problemas, incha e a fila de cirurgias tende a não diminuir. O principal sistema é a identificação de todo o problema inicial”, enfatizou Carlos Almeida.

Falta de medicamentos

Durante a comissão de transição, foi repassada a informação de que a Central de Medicamentos (Cema) alcançava 45% de desabastecimento, entretanto, Carlos Almeida afirmou que a baixa de medicamentos e materiais pode chegar a 18%. 

“Esse desabastecimento de medicamentos pode chegar a um número bem maior que do que o que foi identificado, está entre 23% e 18% e está sendo ainda apurado. Precisa-se identificar qual o tamanho do problema para que possa se falar com todos os setores”, adiantou.

Ansiosos por melhorias

A dona de casa Dariana Bentes, 32, sofre de coração grande e hipertensão pulmonar. Ela, que ontem estava entrando em internação na unidade para exames antes dos procedimentos cirúrgicos, se disse esperançosa. “Primeira vez que estou vindo, mas só me falaram coisas boas. A avó da minha sobrinha esteve internada aqui e ela mesma me falou que tem ótimos médicos. Apesar das condições e demora, tem ótimos profissionais que se esforçam para prestar um serviço bom”, enfatizou Dariana.

O gerente de laboratório do Francisca Mendes, Rogério Lobo, disseque o comprometimento dos profissionais é reabilitar os pacientes, porém com estrutura adequada. “Falta adequar mais situações que venham para aproveitar o máximo de coisas que nós temos a oferecer. A procura de pacientes é muito grande. Os serviços podem ser melhores, precisamos de apoio, pois temos apenas um único intuito: reestabelecer os pacientes”, disse.

Raio-x no quadro de servidores

O número de servidores na área da saúde é em torno de 22 mil funcionários, entretanto, segundo o vice-governador Carlos Almeida, o montante deve ainda ser apurado de forma mais concreta na capital e interior. Equipes do Fundo Estadual de Saúde, Central de Medicamentos juntamente com o setor jurídico, devem fazer o levantamento dos dados do quadro funciona e de todos os contratos.

“Nós precisamos controlar e ter uma ideia muito concreta de quais são os servidores, qual a origem desse problema e descontrole da situação. Estive analisando com a equipe os setores da secretaria, no caso da sede, e fiquei estarrecido com o controle de pessoal, que é algo essencial, e é feito em salas escuras, mal acondicionadas, numa situação muito severa, que é o controle não organizacional informatizado, efetivamente o controle é feito na máquina de escrever”, relatou o vice-governador.

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