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Manaus
ENSINO RELIGIOSO

Instituições de ensino de Manaus defendem diversidade religiosa nas escolas

O STF autorizou que escolas públicas ofereçam o ensino religioso de natureza confessional, mas representantes de escolas tradicionais de Manaus divergem da decisão 11/10/2017 às 08:42
Show religiosa
Para especialistas em educação, professores da disciplina também devem possuir formação acadêmica (Foto: Arquivo AC)
Kelly Melo Manaus (AM)

A polêmica decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) autorizando que escolas públicas ofereçam o ensino religioso de natureza confessional (não vinculado a uma religião específica) ainda é assunto de debate entre diretores de escolas e especialistas da área. Mesmo com  a derrubada  Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adi) 4439, movida pela Procuradoria Geral da República (PGR), no mês passado, as escolas optam por trabalharem a diversidade religiosa, inclusive as instituições consideradas cristãs.

Na rede pública de ensino no Amazonas, tanto a Secretaria de Estado de Ensino e Qualidade (Seduc) quanto a Secretaria Municipal de Educação (Semed) informaram que adotam o modelo não confessional e trabalham a diversidade religiosa, para evitar a intolerância entre os alunos sobre os seus credos. Só que, embora o aluno não seja obrigado participar da aula, as escolas são obrigadas a fornecer a disciplina em sua matriz curricular, mas que não possuem resistências quanto ao modelo pedagógico.

O modelo confessional é mais comum em escolas particulares. Em Manaus, o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, no Centro, é uma dessas instituições de ensino.

Considerada uma escola católica, a diretora, irmã Gorete Mendes, reforça que a sala de aula não é catequese. “Aqui não é catequese porque isso, a pessoa faz na igreja. Aqui ensinamos o respeito e a tolerância entre os estudantes”, afirmou ela. “Nós estamos de acordo que haja essa liberdade nas escolas. No entanto, embora sejamos uma instituição cristã, temos alunos de todos os credos ou religiões e respeitamos isso. Damos uma abordagem ecumênica à disciplina e nunca tivemos problemas com esse trabalho”, destacou ela.

No colégio Dom Bosco, também no Centro, a diretora pedagógica, Sandra Correa, explicou que a instituição registrou apenas um caso (nos últimos cinco anos) de recusa de aluno a uma atividade religiosa, por  pertencer a outra religião. O Dom Bosco também é uma escola cristã.

“Mas nesse caso, o aluno desenvolveu uma atividade na biblioteca e isso aconteceu apenas dessa vez. Nós também trabalhamos a diversidade religiosa e todos os alunos participam de todas as atividades sem qualquer problema, porque desde o momento da matrícula, os pais conhecem a nossa metodologia”, explicou ela. “Não temos conflito. Inclusive, temos alunos, professores e funcionários de outras religiões aqui conosco”, afirmou a diretora.

Professores devem ter formação

Além de discordarem do modelo confessional nas escolas públicas,  especialistas da área de educação também defendem que o profissional que leciona o ensino religioso deve ser qualificado para função, contrariando a decisão Supremo Tribunal Federal (STF) que autoriza também a formação de parcerias e voluntariados para a disciplina.

De acordo com a diretora do colégio Nossa Senhora Auxiliadora, irmã Gorete Mendes, o professor tem que estar  habilitado para a função. “Não pode ser qualquer pessoa porque temos a preocupação não só com a criança, mas com o que vai ser da formação dela, para não ser distorcida”, afirma.

No mesmo sentido, antropóloga social Fátima Weiss, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam),  afirma que  foram feitos esforços para promover formação de professores em cursos como ciências da religião numa perspectiva que abrangesse, dentre outros, aspectos históricos, sociológicos e antropológicos do religioso. “Tarefa para professores com conhecimento de área e não para religiosos de quaisquer matrizes religiosas”, disse.

MEC não comenta

A CRÍTICA também procurou o Ministério da Educação (MEC) para comentar sobre a derrubada a Adi 4439, mas o ministério informou apenas que “a decisão é do Supremo Tribunal Federal (STF) é direcionada aos estados e municípios, que são gestores das escolas”. 

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