Quinta-feira, 23 de Maio de 2019
CENTRO

Instituto Amazônia busca apoios para revitalizar o Marco Zero de Manaus

Proposta de revitalização do Centro Histórico visa ações de intervenção nos imóveis da comunidade São Vicente e, durante evento de apresentação, revelou monumento "escondido" da Casa do Thesouro Provincial



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Durante o evento, realizado para convidados e imprensa, foram apresentadas novidades como a terceira temporada da Feira do Paço 2018 / Fotos: Paulo André Nunes
04/04/2018 às 21:29

O Projeto de Revitalização do Marco Zero de Manaus, que foi apresentado na última terça-feira, dia 3, pela oscip Instituto Amazônia, mostrou à coletividade os próximos passos para dar via ao Centro Histórico e, além disso, revelou ao público um patrimônio da cidade que estava esquecido e que voltou aos velhos tempos de glória: a antiga Casa do Thesouro Provincial, imponente estrutura localizada na Travessa Vivaldo Lima, Centro, e que abriu, após reformas, especialmente para sediar o evento.

Cedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em parceria com o Porto de Manaus para o evento, o prédio é localizado na área portuária de Manaus e é uma edificação construída no final do século 19 para abrigar a repartição do Tesouro Público.

Além da presença do diretor-presidente Paulo Henrique Castro, a solenidade teve a participação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), empresários e representantes das administrações estadual e municipal.

A convidados e imprensa, foram apresentadas novidades como a terceira temporada da Feira do Paço 2018, que volta a ocupar o Centro Histórico a partir do próximo final de semana. A novidade deste ano é que diferente dos anos anteriores, agora o evento passa de um para dois dias de atividades, sempre no segundo final de semana de cada mês: o próximo acontece nos dias 7 e 8 (sábado e domingo), respectivamente.

A direção do Instituto Amazônia também fez uma exposição do projeto de revitalização do Centro Antigo, com levantamento técnico visando ações de intervenção nos imóveis da comunidade São Vicente, que compreende as ruas  Frei José dos Inocentes, Bernardo Ramos, Sete de Setembro, Visconde de Mauá, Taquerinha, Gabriel Salgado, Governador Vitório e Travessa Vivaldo Lima. Esta é a primeira de quatro etapas contempladas no projeto de revitalização. 


Cedido pelo Iphan em parceria com o Porto para o evento, a Casa do Thesouro é localizada na área portuária de Manaus

"O poder público, de uma forma geral,recupera os prédios públicos. Já o morador que mora nessa área do Centro da cidade não tem recursos próprios para fazer suas reformas nas fachadas das suas residências, pois há uma certa técnica a ser utilizada. Então, o que nós começamos a desenvolver foram as peças técnicas, os trabalhos técnicos para que possam ser feitas essas reformas. Agora vamos tentar captar recursos para que nós mesmos possamos recuperar as casas. Não posso chegar à casa de um morador e propôr a mudança. Para isso, estamos há dois anos com o projeto social Caminhos do Frei onde toda a comunidade participa. E através da Feira do Paço nós conseguimos fazer com que a cidade conheça essa área. A finalidade da feira é mostrar o Centro da cidade para que as pessoas possam ver esse pedaço da cidade. Estamos abrindo esse espaço para pessoas que talvez nem conheçam esse espaço publicamente", disse o presidente Paulo Henrique de Castro.

Ele destaca que o evento de lançamento visa também chamar a atenção de empresários que possam ter interesse de investir no projeto de revitalização. "Como somos uma oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) eles (empresariado) pode deduzir parte dos seus valores no Imposto de Renda". 

"O Iphan nos cedeu, junto com o Porto, a Casa do Thesouro para que nós fizéssemos esse lançamento aqui e isso também é uma de tentar mostrar que, dentro da quarta do nosso projeto de revitalização do Marco Zero da cidade temos um espaço maravilhoso que esperamos, um dia, poder utilizar esse local de uma forma mais lúdica", explica o dirigente do Instituto Amazônia, sobre o local reservado para o evento. "Nós só temos que agradecer a presença de todas essas pessoas e órgãos que estiveram aqui no evento", frisa Paulo Henrique Castro.  

Elogios

A superintendente do Iphan no Amazonas, Karla Bitar, esteve presente no evento e elogiou a iniciativa do Instituto Amazônia. "Se trata de uma iniciativa importante de uma entidade privada. Sempre as pessoas esperam que o poder público assuma as ações do patrimônio cultural e de revitalização do Centro Histórico. O que estamos vendo aqui é outra coisa. O Iphan tomou conhecimento deste projeto, se encantou e obviamente vai fazer de tudo para que ele seja executado. Trata-se de uma área muito importante do nosso Centro Histórico e que há de ser disseminada no restante das áreas. O Instituto Amazônia está de parabéns", disse a superintendente.

Para o diretor-presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Cláudio Guenka, o "Instituto Amazônia marca um passo importante na história ao compôr junto ao Iphan e à Prefeitura de Manaus, um grande projeto para que possamos revitalizar de forma adequada e em conjunto o nosso Centro da cidade. Como todos dizem, o Centro é para as pessoas e nós precisamos resgatar o valor das pessoas, principalmente com obras adequadas que compõem o nosso patrimônio histórico para que nós voltemos a habitar de forma adequada o Centro".

Ele frisa que o Implurb é um instituto de planejamento urbano que se preocupa com a aprovação adequada do projeto, ao mesmo tempo que se preocupa com o planejamento da cidade, e que é preciso conhecer profundamente o projeto para compatibilizar com outros já existentes por parte da Prefeitura, e dos governos Estadual e Federal para que não haja sobreposições e nenhuma dificuldade nas concepção deles para a cidade de Manaus. "A iniciativa é válida e é muito importante o que está sendo feito neste momento. Porém, a interlocução é necessária para que todos nós conheçamos os projetos existentes no Centro Histórico da cidade de Manaus", explica ele.     

Espaços Recuperados


A banda The Stone Ramos fez o show após o lançamento do projeto

Como parte do projeto de Revitalização do Espaço São Vicente, o Instituto Amazônia já restaurou quatro prédios antigos do Centro Histórico que estavam sem utilidade.

Com o restauro, hoje, duas casas estão abertas à população na Rua Frei José dos Inocentes. Uma é o Espaço Cultural Caminhos da Arte, onde acontecem cursos de dança, teatro, apresentação de espetáculo e outras atividades artísticas, com percentual de participação gratuita aos moradores.

O segundo, é a Casa do Frei, que também funciona como sede do projeto social onde são realizadas atividades como aulas de reforço, curso de idiomas, reuniões do Programa de Desenvolvimento Manaus Economia Criativa, oficina de gastronomia, entre outras atividades.

Trabalho social

Há cinco anos o Instituto Amazônia (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP) tem atuado na Comunidade São Vicente, com acompanhamento socioeconômico junto às famílias de baixa renda, além de propor e executar atividades, oficinas e cursos que levam desenvolvimento aos moradores do entorno.

As ações integram o projeto Caminhos do Frei, braço social do projeto de Requalificação do Espaço São Vicente.

Única do norte

Com o “Caminhos do Frei”, o instituto foi a única entidade no Amazonas a ser contemplada no edital do Projeto Fundo Socioambiental da Caixa Econômica Federal, que incentiva iniciativas de desenvolvimento e cidadania pelo País.

Entre as ações de destaque que tem levado desenvolvimento cultural e melhoria de renda para os moradores da comunidade, está a Feira do Paço realizada desde 2016 no entorno da Praça Dom Pedro II, primeiro sítio arqueológico de Manaus.

Ao se apropriar da Economia Criativa com a participação de mais de 70 profissionais expondo serviços e produtos do mercado criativo, a feira tem levado milhares de pessoas a revisitar e reconhecer o Marco Zero da cidade, revitalizando espaços antes degradados e reocupando o Centro Histórico.

Com sede instalada na primeira via urbanizada da cidade, a rua Bernardo Ramos, o Instituto Amazônia propõe, com essas ações já em andamento, a Revitalização do Marco Zero de Manaus que reúne monumentos culturais que contam a história da cidade como o Hotel Cassina, construído em 1899, e o Paço Municipal, que sediou os governos Provincial e Republicano.


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