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Intelectuais denunciam o estado de memorial dedicado ao ex-governador Álvaro Maia

Hoje, o prédio, que era a sede da casa de banhos do balneário, não serve mais nem para abrigar moradores de rua ou marginais, como acontecia há alguns anos 16/11/2013 às 18:58
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Às margens do igarapé do Mindu, no balneário do Parque 10, prédio sediava o Memorial do ex-governador Álvaro Maia, inaugurado em junho de 1991 na primeira gestão do prefeito Artur Neto
ANA CÉLIA OSSAME Manaus (AM)

O antigo balneário do Parque 10 de Novembro, cujas águas límpidas do igarapé do Mindu foram eternizadas em fotografias históricas, está a cada dia mais distante do período de glórias que marcaram aquele local, situado no bairro do mesmo nome, na Zona Centro-Sul. Após a destruição do prédio, considerado histórico e o desaparecimento do acervo do Memorial Álvaro Maia, inaugurado ali no início da década de 1990, e da Fundação Vila Lobo, instalada depois, o cenário de total abandono levou historiadores, escritores e admiradores do poeta, escritor e ex-governador a indagar qual foi o destino do acervo de Maia e da fundação.

Entre os intelectuais, estão a escritora Carmen Nóvoa Silva, que num livro sobre histórias de Manaus, dedicou um capítulo à parte cobrando as responsabilidades pelo desaparecimento das telhas, tábuas do assoalho, assim como de sete lustres de cristal com mais de 70 anos e de mais de 200 peças de instrumentos musicais (doados pela Orquestra Nacional de Brasília e pelo Instituto Baccarelli, de São Paulo.

Hoje, o prédio, que era a sede da casa de banhos do balneário, não serve mais nem para abrigar moradores de rua ou marginais, como acontecia há alguns anos. O telhado foi depredado e só as paredes permanecem, algumas com pichações. Há folhagem em toda extensão da construção, formada por várias salas e banheiros. Ao lado, outro prédio abandonado só registra o nome da Sedema, como era denominada a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, cuja sigla atual é Semmas, graças à ampliação do nome de Sustentabilidade à denominação.

Desolação

Para quem viu o Memorial Álvaro Maia montado naquele local, o cenário atual é desolador. O secretário de Cultura do Estado, Robério Braga, era vereador em Manaus quando organizou o memorial, a pedido da mãe dele, professora Sebastiana Braga, amiga de Maia. “O espaço foi inaugurado com pompa e circunstância, reunindo doação de livros, cartas, canetas e fotografias, além de livros cedidos pela Academia Amazonense de Letras”, disse Robério. Pelo que sabe, na transição política, o memorial foi desmontado e remontado, até desaparecer. “Tenho cópia de tudo que foi colocado lá, mas não sei dizer se guardaram, roubaram ou o que fizeram com o acervo”, observou ele, lamentando a falta de continuidade dos projetos na esfera municipal.

A jornalista e historiadora Etelvina Garcia convida o Ministério Público a investigar esse assunto. Segundo ela, o balneário, que era um local aprazível e frequentado por todas as classes sociais, ganhou o nome e Parque 10 de Novembro em homenagem ao aniversário de instalação da Ditadura de Getúlio Vargas, mas foi no outro período da ditadura militar, em meados da década de 1960, que o Mindu foi aterrado naquele trecho e com a política habitacional, criou-se o conjunto de casas, que era para a população de baixa renda, inaugurado em 1965.

Surpresa com o cenário visto ali em uma visita recente, Etelvina disse não acreditar no que viu e por entender que a sociedade manauense está cansada de ver o seu patrimônio cultural jogado na lata do lixo, pede providências para se resgatar pelo menos o acervo do memorial. “Aquilo é parte da memória histórica, não pode ser desprezado”, finalizou.

Leia mais na edição impressa do jornal A Crítica deste domingo (17)

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