Segunda-feira, 23 de Novembro de 2020
Manaus

Intelectuais denunciam o estado de memorial dedicado ao ex-governador Álvaro Maia

Hoje, o prédio, que era a sede da casa de banhos do balneário, não serve mais nem para abrigar moradores de rua ou marginais, como acontecia há alguns anos



1.jpg Às margens do igarapé do Mindu, no balneário do Parque 10, prédio sediava o Memorial do ex-governador Álvaro Maia, inaugurado em junho de 1991 na primeira gestão do prefeito Artur Neto
16/11/2013 às 18:58

O antigo balneário do Parque 10 de Novembro, cujas águas límpidas do igarapé do Mindu foram eternizadas em fotografias históricas, está a cada dia mais distante do período de glórias que marcaram aquele local, situado no bairro do mesmo nome, na Zona Centro-Sul. Após a destruição do prédio, considerado histórico e o desaparecimento do acervo do Memorial Álvaro Maia, inaugurado ali no início da década de 1990, e da Fundação Vila Lobo, instalada depois, o cenário de total abandono levou historiadores, escritores e admiradores do poeta, escritor e ex-governador a indagar qual foi o destino do acervo de Maia e da fundação.

Entre os intelectuais, estão a escritora Carmen Nóvoa Silva, que num livro sobre histórias de Manaus, dedicou um capítulo à parte cobrando as responsabilidades pelo desaparecimento das telhas, tábuas do assoalho, assim como de sete lustres de cristal com mais de 70 anos e de mais de 200 peças de instrumentos musicais (doados pela Orquestra Nacional de Brasília e pelo Instituto Baccarelli, de São Paulo.



Hoje, o prédio, que era a sede da casa de banhos do balneário, não serve mais nem para abrigar moradores de rua ou marginais, como acontecia há alguns anos. O telhado foi depredado e só as paredes permanecem, algumas com pichações. Há folhagem em toda extensão da construção, formada por várias salas e banheiros. Ao lado, outro prédio abandonado só registra o nome da Sedema, como era denominada a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, cuja sigla atual é Semmas, graças à ampliação do nome de Sustentabilidade à denominação.

Desolação

Para quem viu o Memorial Álvaro Maia montado naquele local, o cenário atual é desolador. O secretário de Cultura do Estado, Robério Braga, era vereador em Manaus quando organizou o memorial, a pedido da mãe dele, professora Sebastiana Braga, amiga de Maia. “O espaço foi inaugurado com pompa e circunstância, reunindo doação de livros, cartas, canetas e fotografias, além de livros cedidos pela Academia Amazonense de Letras”, disse Robério. Pelo que sabe, na transição política, o memorial foi desmontado e remontado, até desaparecer. “Tenho cópia de tudo que foi colocado lá, mas não sei dizer se guardaram, roubaram ou o que fizeram com o acervo”, observou ele, lamentando a falta de continuidade dos projetos na esfera municipal.

A jornalista e historiadora Etelvina Garcia convida o Ministério Público a investigar esse assunto. Segundo ela, o balneário, que era um local aprazível e frequentado por todas as classes sociais, ganhou o nome e Parque 10 de Novembro em homenagem ao aniversário de instalação da Ditadura de Getúlio Vargas, mas foi no outro período da ditadura militar, em meados da década de 1960, que o Mindu foi aterrado naquele trecho e com a política habitacional, criou-se o conjunto de casas, que era para a população de baixa renda, inaugurado em 1965.

Surpresa com o cenário visto ali em uma visita recente, Etelvina disse não acreditar no que viu e por entender que a sociedade manauense está cansada de ver o seu patrimônio cultural jogado na lata do lixo, pede providências para se resgatar pelo menos o acervo do memorial. “Aquilo é parte da memória histórica, não pode ser desprezado”, finalizou.

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