Segunda-feira, 26 de Outubro de 2020
análise

Internação aumenta, mas especialistas descartam 2ª onda de Covid-19

Especialistas dizem que taxa de internação de agora é diferente do auge da pandemia em Manaus



corona_9559F5F5-4988-47AE-BAC7-5E590B0987AF.JPG Mesmo com coronavírus em franca queda é preciso manter a precaução. Foto: JUNIO MATOS/FREELANCER
02/09/2020 às 06:35

Mesmo com a pandemia do novo coronavírus em desaceleração na capital amazonense, especialistas avaliam que taxas como de internação e de óbitos apresentaram aumento nas últimas semanas de agosto. No entanto, essas taxas de elevação ainda não representam uma segunda onda de Covid-19, em Manaus. “Pelo que vimos, estaria havendo um aumento no número de internações, em Manaus, nessa segunda quinzena de agosto, se aproximando de valores iguais ao do pico de 22 de junho. Embora sejam valores diários abaixo daqueles registrados em junho, são superiores aos de julho”, explicou o coordenador do Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) Atlas da Amazonas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), professor-doutor Henrique dos Santos Pereira.

De acordo com ele, a equipe da ODS Atlas Amazonas percebe, em seus estudos, variações nas taxas de óbitos, ou seja, o aumento e diminuição de ocorrências. Porém, ainda não se pode afirmar que Manaus está caminhando para uma segunda onda de pandemia.



“Houve, na última semana agosto, uma tendência de nova aceleração. Fechamos o mês com uma média de óbitos acima dos valores registrados ao longo dos últimos 30 dias. Essa observação de tendência ascendente se restringe a um período curto de observação, o que a torna insuficiente para indicar que estaríamos caminhando para mais uma "onda" de aceleração de óbitos”, comentou.

“Teremos que observar o que irá acontecer nos próximos dois meses. Estamos falando de uma média de 2,2 óbitos por dia, o que é bem inferior ao que tivemos em maio que chegou ao pico de 42 óbitos por dia, em média”. Para o cientista de dados e professor de matemática da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Rodrigo Tavares Teixeira, a pandemia continua em quadro de estabilidade, mas adverte a continuidade de circulação do vírus pela capital.

“Eu penso que temos ainda um quadro de estabilidade. Os números de casos continuam praticamente no mesmo patamar e os óbitos também em média cinco por dia. Ainda temos o vírus circulando, com uma taxa alta de óbitos quando vermos a quantidade por semana, mês ou por ano, mas nada que justifique que haverá uma segunda onda, até o momento”, concluiu.

Países do continente europeu como França, Itália, Espanha e Alemanha começaram, na última semana de agosto, a reportar o aumento de casos de novo coronavírus, o que representaria uma segunda onda de Covid-19. No entanto, as taxas de hospitalizações e de mortalidade sequer chegaram ao nível da primeira onda, ocorrida em abril. As informações foram extraídas do site americano de notícias, The Daily Beast.

Na visão do professor-doutor Henrique dos Santos Pereira é possível que a mesma situação aconteça em Manaus nos próximos meses, ou seja, o aumento no número de casos porém poucos óbitos em decorrência da doença.  “Se uma segunda grande onda de casos vier a acontecer, em Manaus, seria que talvez ocorra como nos outros países, ou seja, com muito menos mortes que na primeira grande onda”, explicou. “Haveria mais pessoas adoecendo, porém com menos delas evoluindo para óbito, se aqui vier acontecer o que nesse momento se observa em países da Europa ocidental”, comentou ele, sugerindo a hipótese da ecologia evolutiva de doenças.

Casos mais leves são de outros vírus

No dia 18 de agosto , cientistas de Singapura publicaram na renomada revista médica, The Lancet, a descoberta de uma nova variante para a SARS-COV-2 que causa infecções menos graves. A nova variante está associada a sintomas mais leves do que aqueles causados pela versão não mutada do vírus, conforme informou a publicação. Entre 22 de janeiro e 21 de março, 278 pacientes infectados tiveram o tipo de vírus que os infectou sequenciado.

Desses 131 foram acompanhados cuidadosamente. Nesse grupo, 92 haviam sido infectados com o vírus comum, outros 10 estavam infectados com uma mistura do comum e do mutante e 29 somente com o vírus mutante. Nenhum dos 29 pacientes com o vírus precisou de oxigênio ou iUTIs.

FVS-AM afirma que crise foi controlada

Comparando o mês de julho com o mês  de agosto, Manaus manteve uma tendência de estabilidade nas mortes por Covid-19. De acordo com o último boletim da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), foram 62 mortes em julho contra 60 em agosto, uma queda mínima de 3,3% de um mês para o outro.

Analisando a quantidade de mortes somente no interior do Estado, a redução da velocidade das mortes  foi bem mais intensa: foram 121 mortes no mês de julho, contra 76 no mês de agosto, o que representa queda de 37,19% de um mês para o outro.

Ao longo do mês de agosto, Manaus teve dois dias sem registrar nenhuma morte - nos dias 30 e 16  -, mesmo quantidade do interior do Amazonas, que não teve casos fatais nos dias 22 e 14 de agosto.

Em julho, foram cinco os dias em Manaus sem qualquer registro de morte, enquanto no interior, em julho, não houve óbitos apenas no dia 19.

Desde março até 31 de agosto, o Amazonas registrou 3.649 óbitos, sendo 2.248 na capital e outros 1.401 no interior. A letalidade em Manaus é de 5,30%, enquanto no interior é de 1,80%, o que gera uma taxa no Amazonas de 3,03%.

Internações

Em relação a quantidade de pacientes internados em Manaus, houve uma queda de 22,67% de um mês para o outro: eram 344  pacientes internados em 31 de julho contra 266 internados em 31 de agosto.

No entanto, um número chama a atenção: apesar da queda no número geral, a quantidade de internados em UTI aumentou. Eram 108 em 31 de julho, sendo 19 suspeitos e 89 confirmados, e 11 em 31 de agosto, sendo 77 confirmados e 34 ainda suspeitos. O Brasil registrou na segunda-feira 553 novos óbitos em decorrência da Covid-19, o que eleva o total de mortes pela doença no país a 121.381, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

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