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Internas do CDP recebem cursos de manicure, pedicure, corte e coloração de cabelos

O espaço foi implantado em parceria com a Umanizzare Gestão Prisional para que sejam desenvolvidas atividades de ressocialização e cursos profissionalizantes 25/08/2015 às 10:19
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Com duração de 250 horas, o curso tem como objetivo dar às detentas uma oportunidade de nova carreira profissional
joana queiroz ---

Uma oportunidade para uma vida limpa e longe do crime. É assim que as internas do Centro de Detenção Provisória Feminino (CDPF), no Km 8 da BR-174, estão vendo a possibilidade de aprender uma profissão que poderão exercer quando ganharem liberdade. Elas estão aprendendo o ofício de manicure e pedicure, além de corte, escova e coloração de cabelo, enquanto aguardam julgamento.

É um grupo de 15 mulheres que foram selecionadas a partir do tempo que deverão ficar presas, se condenadas, com base nos crimes que cometeram. Elas são suspeitas de roubo, homicídio da possibilidade de serem condenadas devido aos crimes que praticaram, a maioria por tráfico de droga.

O curso com aulas práticas começou ontem a partir da inauguração de um salão de beleza nas dependências do CDPF. O espaço foi implantado em parceria com a Umanizzare Gestão Prisional para que sejam desenvolvidas atividades de ressocialização e cursos profissionalizantes.

Klissia Braga, 22, está presa há dez meses aguardando julgamento. Ela é uma das alunas do curso de beleza no CDPF. Entusiasmada com a oportunidade de aprender uma profissão, ela disse que já tinha noção de trabalhar com embelezamento de cabelos, que é o que ela gosta. Além deste, ela pretende fazer outros cursos que aparecerem. “Não quero voltar à minha vida do passado. Quero trabalhar e, quem sabe, ter o meu próprio salão”, disse.

Marjorie Kate Ane Justino Paixão, 24, está aguardando julgamento há seis meses, pelo crime de homicídio. Ela está no curso para aprender manicure e cuidar de cabelos. Ela disse que vai se aperfeiçoar na profissão e que está cheia de expectativas novas para quando ganhar liberdade. “Quando sair daqui, quero trabalhar na área de beleza. Estou me sentindo privilegiada e quero fazer diferente quando eu ganhar liberdade”, sonha a detenta.

Além delas, as demais também sonham em nunca mais voltar para o crime depois de aproveitar todas as oportunidades que aparecerem enquanto estiverem encarceradas. Além dos cursos profissionalizantes, as internas também recebem aulas dos ensinos médio e fundamental.

A oferta de cursos, de acordo com o titular da Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seape), Louismar Bonates, está inserida no processo de ressocialização das internas e de mantê-las com a mente ocupada. As aulas estão sendo ministradas por professores do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam)

Autoestima ajuda na recuperação

A implantação do projeto Lisbela, como está sendo chamado o espaço, justifica-se pela necessidade natural que as mulheres possuem em cuidar da aparência. Segundo a equipe técnica da Umanizzare, que firmou parceria com o centro de detenção na implantação do projeto, muitas vezes as internas tentavam improvisar espaços para cuidar da aparência.

De acordo com a diretora da unidade, Maria Edna Pereira, o encarceramento desperta uma série de sentimentos nas mulheres, como a depressão, que complicam a recuperação. Os cuidados com a aparência são, muitas vezes, fatores que contribuem para reverter esse quadro. “A ideia é que esse espaço contribua exclusivamente para a recuperação dessas mulheres, por isso vamos oferecer momentos de cuidado, higiene e embelezamento pessoal, mas também vamos trazer cursos profissionalizantes”, lembrou.

Equipamentos

O projeto começou a ser idealizado em abril, hoje já estão instalados no local cadeira lavatório, espelheira, poltronas de cabeleireira, cadeiras para manicure todos na cor rosa, refrigeração, secador, chapinha, máquina de cortar cabelo, dentre outros equipamentos e produtos de beleza como esmaltes de unha. O curso tem a duração de 250 horas.

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