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Inúmeros livros didáticos são descartados de forma irregular em residência de Manaus

Ao invés de estar sendo explorado em uma sala de aula, o material foi despejado há três semanas no quintal de uma casa da Zona Leste, pegando sol e chuva 26/01/2015 às 10:37
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Perla Soares Manaus (AM)

Centenas de livros que deveriam estar sendo usados em escolas da rede pública de ensino estão amontoadas, há semanas, em uma residência no bairro Monte Sião, Zona Leste, pegando sol e chuva. Foram encontrados livros de história, geografia, matemática, língua portuguesa, utilizados no Ensino Fundamental, dentre outros.

Não há informação sobre a origem dos livros e o flagrante foi registrado na rua 13, em uma casa de alvenaria, com portão de ferro trancado com um cadeado, onde dois cachorros, caminhavam sobre o material. Os livros estão na área da frente da residência.

A reportagem de A CRÍTICA esteve no local e procurou o dono da residência mas não encontrou ninguém, apenas os animais que estavam brincando sobre o monte de livros. Segundo moradores da redondeza os livros foram jogados há pelo menos três semanas. A estudante do 4º período do curso de administração Lourdes Sena de Melo, 23, conta que passa diariamente pelo local. “Tinha aqui na frente dessa casa um monte de livros jogados. Essa montanha estava bem maior semana passada. Eu acho que a prefeitura levou”, afirmou à universitária.

A dona de casa Vera Repolho, 55, vizinha à residência onde estão os livros, afirmou não saber quem é responsável pelos livros e não sabe quem mora na casa. “É uma senhora, marido e filhos. Acho que a dona da casa é professora, pois só a vejo saindo pela manhã com uma pasta, mas não sei o nome dela. Eles mudaram faz pouco tempo para essa rua, tem menos de oito meses”, disse.

A maioria dos livros estão novos, alguns ainda dentro de caixas de papelão e outros embalados em sacos de plástico. O ajudante de pedreiro Manoel da Silva, 45, confessou o desejo de pegar alguns exemplares e levar para os filhos dele, de 5 e 8 anos. “Eu queria muito pegar uns livros para os meus filhos e para mim mesmo. Lendo dá para a gente aprender”, lamentou.

A professora Alcenira Melo, 45, mora próximo e mantém uma escola de reforço para alunos do 1º ao 4º ano. Ela lamenta que livros sejam desperdiçados dessa forma. “Tem muita gente precisando de um livro. Deviam fazer a doação para uma escola ou até uma comunidade que esteja interessada nos livros para serem reaproveitados”, disse.

Seduc irá apurar a denúncia

Conforme informações do Departamento de Gestão Escolar (Degesc) da Seduc, os livros didáticos têm três anos de validade. Ao término do triênio, quando os conteúdos dos livros tornam-se desatualizados, a escola pode, ao término desse período, doar uma quantidade de livros para os alunos ou podem permanecer no acervo da própria escola, mas tudo com o devido conhecimento do órgão.

O Degesc informou ainda que a secretaria realiza um trabalho de acompanhamento da utilização do livro didático nas escolas da rede estadual, como a Campanha de Conservação do Livro Didático. O descarte sem o devido conhecimento da Seduc não é autorizado.

Em relação a denúncia dos livros abandonados no bairro Monte Sião a Seduc, por meio do Departamento de Gestão Escolar, esclarece que pelas fotos não teve como identificar se são ou não livros didáticos utilizados pela rede, e que irá apurar os fatos, para tomar as medidas cabíveis.

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