Publicidade
Manaus
Manaus

Invasão Cidade das Luzes se expande e continua destruindo o meio ambiente

Prefeitura de Manaus afirmou que terras no bairro Tarumã são particulares e não tem atribuição legal para atuar. Enquanto isso, a invasão vai se consolidando 26/08/2015 às 10:21
Show 1
A cada dia mais e mais pessoas chegam para tentar conseguir um lote de terra na invasão Cidade das Luzes
Oswaldo Neto Manaus (AM)

Um novo bairro construído na velocidade da luz. Assim podemos caracterizar a formação  da Cidade das Luzes, invasão localizada no Tarumã, Zona Oeste. Devido à omissão dos proprietários daquelas terras e a falta de iniciativa do poder público, a Cidade das Luzes ganhou milhares de novos donos dispostos a destruir tudo.

Andando em terra batida e debaixo de um sol forte do mês de agosto, os moradores da Cidade das Luzes tocam as vidas e vão dando uma nova cara à invasão. Nela existem mais de 95 ruas que cortam a região e a maioria dos barracos são feitos de madeira e ripas. Outra curiosidade da Cidade das Luzes é que boa parte das vias tem nomes de planetas ou palavras relacionadas ao sistema solar. As duas ruas principais, por exemplo, são a Cometa Halley e avenida das Estrelas.

De acordo com o vice-presidente da comunidade, identificado como “Paulinho”, cerca de 4,5 mil  famílias ocupam hoje a invasão. No entanto, ele estima que a área tem capacidade total para 6 mil. “O que nós queremos é que as pessoas vejam que Cidade das Luzes tem potencial para ser um bairro, com pessoas de bem. É claro que há muita gente ruim, mas isso não vem escrito na testa”.

Enquanto isso, novos rostos chegam todos os dias em busca de um espaço para viver no local. Eliene Marques, por exemplo, está há duas semanas em um espaço cedido por Paulinho na comunidade. “Vim da Zona Norte pra cá porque não tinha pra onde ir. Tenho nove filhos, mas todos eles estão com a minha mãe. Quando conseguir resolver tudo aqui eles vem pra cá comigo”, relatou Eliene Marques.

Novos barracos

Pelo fato do poder público não tomar providências sobre o destino a ser dado aos invasores, vários barracos continuam sendo erguidos no espaço, que segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), é composto por um conjunto de áreas particulares. Alguns dos barracos, porém, só vêm sendo melhorados com a perfuração de poços, cacimbas, e até mesmo com a instalação de antena de TVs por assinatura.

De acordo com moradores, a coleta de lixo parou de ser realizada dentro da Cidade das Luzes. Atualmente, todos precisam depositar os seus resíduos em dois camburões de lixo colocados no ramal da Anaconda, via de entrada e saída da comunidade. “Eu pretendo conversar com o Paulo Farias para saber o motivo do lixo não ser mais recolhido”, afirmou Paulinho, referindo -se ao secretário Municipal de Limpeza Publica.

O transporte público se resume a uma linha, a 011, que atende a comunidade. Os moradores enxergam a mobilidade como um dos principais problemas da Cidade das Luzes. “Se aqui fosse asfaltado as coisas iam mudar, com certeza. Os ônibus saem daqui lotados e quando chove atola tudo”, disse uma moradora. 

Semmas

Sobre a invasão, a Semmas manteve a resposta informada em julho, em que diz que após ser acionada para averiguar a denúncia, foi ao local e verificou que se tratavam de terras particulares, onde o órgão não tem atribuição legal para atuar, cabendo as proprietários requisitarem na Justiça a reintegração de posse.

Comércio aumenta na comunidade

Em junho deste ano, A CRÍTICA visitou a invasão Cidade das Luzes.  Ao contrário do que foi visto da última vez, a equipe de reportagem constatou a construção de postes de concreto com transformadores de energia elétrica. Também foi observada a inauguração de novos empreendimentos como lojas de materiais de construção, padarias, salões de beleza e mercadinhos que abastecem a área.

Apesar do crescimento, calculado pelos representantes em um ano e nove meses, a Cidade das Luzes ainda não dispõe de serviços básicos como escolas e creches. Sobre o assunto, Paulinho diz que vem buscando parcerias com políticos e órgãos responsáveis.

A expansão da comunidade e a reversão do quadro atual é avaliada como um desafio para os órgãos competentes. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) informou que encaminhou informações da invasão à Delegacia Especializada em Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema) e ao Ministério Público do Estado (MPE), visto que a área é particular.

Ainda segundo o órgão, após os procedimentos judiciais, o Ipaam irá atuar no que diz respeito aos danos ambientais causados pela invasão. O Instituto diz ainda que os responsáveis pelos prejuízos, conforme apontar o inquérito, deverão ser autuados mediante a legislação ambiental.

Publicidade
Publicidade