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Invasão de cerca de 400 famílias no ramal do Leão, na AM-010, já desmatou quase 150 mil m²

Até sexta-feira (6), a força policial pode fazer cumprir um mandado de reintegração de posse do terreno ocupado 04/03/2015 às 20:57
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O lugar fica próximo a uma Área de Proteção Ambiental (APA)
Nelson Brilhante Manaus (AM)

Uma área de floresta fechada, de aproximadamente 150 mil metros quadrados foi derrubada no Ramal do Leão, no Km 36 da rodovia AM-010 (Manaus-Itacoatiara) para dar lugar à mais nova invasão do município.

O lugar, que fica próximo a uma Área de Proteção Ambiental (APA), foi ocupada por aproximadamente 400 famílias, a maioria moradora (de aluguel) do próprio ramal.

Eles alegam que o terreno, além de não pertencer a quem se diz proprietário e, por nunca ter sido cultivado, representava perigo aos moradores do ramal, pois teria se transformado em área de execução e “desova” de cadáveres. “Minha sogra vinha caminhando à noite e quase tropeça num cadáver. Essa área precisa ser ocupada, é muito perigosa”, disse Diógenes Marques, 46.

Entretanto, até sexta-feira (6), a força policial pode fazer cumprir um mandado de Reintegração de Posse concedido dia 27 de fevereiro pelo juiz Victor André Liuzzi Gomes, da 13ª Vara Cível.

A ação foi requerida pelo empresário Orlando Augusto Vieira de Mattos Júnior, que tem uma chácara do lado oposto da rodovia, mas não foi localizado para falar sobre o assunto.

Segundo os ocupantes, uma comissão foi ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e ao Instituto de Terras do Amazonas (Iteam) e constatou que nesses órgãos o terreno está em nome de Pedro Siqueira Granjeiro, já falecido.

Cleide Nascimento Barbosa, 44, disse que paga R$ 250 pelo aluguel de uma casa no Ramal do Leão e que decidiu ocupar um lote para ter casa própria, e garantir segurança para seus filhos, que estudam na Escola Municipal Carlos Gomes, no Km 25. “Meus filhos vem da escola à noite e caminham bastante, passando por essa área que era de mata fechada, até em casa. Se ele é dono, por que nunca fez nada aqui?”, indaga Cleide.

A maioria dos ocupantes trabalha em granjas, fazendas e chácaras próximas, outros vieram de Rio Preto da Eva (a 80 quilômetros de Manaus) e alguns, de Manaus.

Outra invasão

Ainda no Ramal do Leão, a cerca de quatro quilômetros da primeira, já está se formando a segunda ocupação irregular. A área escolhida, dentro da mata, é de difícil acesso.

Para chegar ao loteamento, ainda na fase inicial, é preciso vencer quase dois quilômetros de lama e obstáculos, numa trilha escorregadia encomendada pelos ocupantes. O terreno ainda está na fase preliminar do desmatamento, mas já está praticamente todo loteado.

O pedreiro Wilson Pereira, 26, um dos líderes do movimento, disse que mora e trabalha nas redondezas e que as terras estão irregulares. “Os que se dizem donos, usaram  documento de outro terreno pra clonar esse. Se está irregular, não tem dono”, afirma.

Vizinho a um dos terrenos invadidos está um dos mais belos balneários de Manaus, a Cachoeira do Leão. Dentro de uma Área de Proteção Ambiental (APA), o balneário fica a quatro quilômetros da rodovia AM-010 e recebe centenas de turistas todos os finais de semana. O segundo terreno, a quatro quilômetros da primeira, também limita com uma APA.

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