Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2020
Manaus

Invasão de cerca de 400 famílias no ramal do Leão, na AM-010, já desmatou quase 150 mil m²

Até sexta-feira (6), a força policial pode fazer cumprir um mandado de reintegração de posse do terreno ocupado



1.jpg O lugar fica próximo a uma Área de Proteção Ambiental (APA)
04/03/2015 às 20:57

Uma área de floresta fechada, de aproximadamente 150 mil metros quadrados foi derrubada no Ramal do Leão, no Km 36 da rodovia AM-010 (Manaus-Itacoatiara) para dar lugar à mais nova invasão do município.

O lugar, que fica próximo a uma Área de Proteção Ambiental (APA), foi ocupada por aproximadamente 400 famílias, a maioria moradora (de aluguel) do próprio ramal.



Eles alegam que o terreno, além de não pertencer a quem se diz proprietário e, por nunca ter sido cultivado, representava perigo aos moradores do ramal, pois teria se transformado em área de execução e “desova” de cadáveres. “Minha sogra vinha caminhando à noite e quase tropeça num cadáver. Essa área precisa ser ocupada, é muito perigosa”, disse Diógenes Marques, 46.

Entretanto, até sexta-feira (6), a força policial pode fazer cumprir um mandado de Reintegração de Posse concedido dia 27 de fevereiro pelo juiz Victor André Liuzzi Gomes, da 13ª Vara Cível.

A ação foi requerida pelo empresário Orlando Augusto Vieira de Mattos Júnior, que tem uma chácara do lado oposto da rodovia, mas não foi localizado para falar sobre o assunto.

Segundo os ocupantes, uma comissão foi ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e ao Instituto de Terras do Amazonas (Iteam) e constatou que nesses órgãos o terreno está em nome de Pedro Siqueira Granjeiro, já falecido.

Cleide Nascimento Barbosa, 44, disse que paga R$ 250 pelo aluguel de uma casa no Ramal do Leão e que decidiu ocupar um lote para ter casa própria, e garantir segurança para seus filhos, que estudam na Escola Municipal Carlos Gomes, no Km 25. “Meus filhos vem da escola à noite e caminham bastante, passando por essa área que era de mata fechada, até em casa. Se ele é dono, por que nunca fez nada aqui?”, indaga Cleide.

A maioria dos ocupantes trabalha em granjas, fazendas e chácaras próximas, outros vieram de Rio Preto da Eva (a 80 quilômetros de Manaus) e alguns, de Manaus.

Outra invasão

Ainda no Ramal do Leão, a cerca de quatro quilômetros da primeira, já está se formando a segunda ocupação irregular. A área escolhida, dentro da mata, é de difícil acesso.

Para chegar ao loteamento, ainda na fase inicial, é preciso vencer quase dois quilômetros de lama e obstáculos, numa trilha escorregadia encomendada pelos ocupantes. O terreno ainda está na fase preliminar do desmatamento, mas já está praticamente todo loteado.

O pedreiro Wilson Pereira, 26, um dos líderes do movimento, disse que mora e trabalha nas redondezas e que as terras estão irregulares. “Os que se dizem donos, usaram  documento de outro terreno pra clonar esse. Se está irregular, não tem dono”, afirma.

Vizinho a um dos terrenos invadidos está um dos mais belos balneários de Manaus, a Cachoeira do Leão. Dentro de uma Área de Proteção Ambiental (APA), o balneário fica a quatro quilômetros da rodovia AM-010 e recebe centenas de turistas todos os finais de semana. O segundo terreno, a quatro quilômetros da primeira, também limita com uma APA.


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