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Manaus
IRREGULAR

Invasão em área de preservação ambiental revolta moradores em conjunto de Manaus

Os residentes do conjunto Renato Souza Pinto 2 reclamam da omissão dos órgãos públicos que deveriam coibir e punir a ação de invasores de terras 27/04/2018 às 07:19 - Atualizado em 27/04/2018 às 08:18
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Moradores convivem com o medo da área verde continuar a ser devastada (Fotos: Jair Araújo)
Álik Menezes Manaus (AM)

Há cinco anos moradores do conjunto Renato Souza Pinto 2, localizado na Zona Norte da cidade, lutam contra a invasão de uma área, que seria de Preservação Permanente (APP) e reclamam da omissão dos órgãos públicos que deveriam coibir e punir a ação de invasores de terras. O caso ganhou um novo episódio nos últimos 30 dias, quando a propriedade em questão voltou a ser alvo de invasores: três casas de alvenaria foram construídas no último mês há poucos metros de um igarapé.

Segundo o funcionário público aposentado José Nunes, o tormento iniciou há pelo menos cinco anos, quando um policial militar comprou um lote desse terreno. Contudo, o terreno nem poderia ser vendido pois se trata de uma APP, segundo moradores. “Esse terreno foi vendido para ele, mas não poderia ter sido vendido, é uma Área de Preservação Permanente”, afirmou Nunes.

O aposentado informou que os donos das 240 casas do conjunto fizeram um abaixo-assinado que pede a reintegração de posse do terreno em questão. Ele alega também que órgãos como o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade foram acionadas para que alguma ação no local fosse realizada, mas não obtiveram sucesso. O Ministério Público do Estado, segundo os moradores do conjunto, entrou com uma ação pedindo a demolição e reintegração da área, mas os invasores continuam no local.

Segundo os moradores, que pediram para não serem identificados temendo algum tipo de represália, o conjunto agora ficou perigoso porque alguns dos novos moradores tem envolvimento com o tráfico de drogas e comercializam entorpecentes a qualquer hora do dia.

“Antes aqui era muito calmo, mas agora a gente tem medo até de confrontos entre duas facções rivais. Tem gente que está morando aí que é de uma facção que domina o tráfico no bairro”, disse um morador.

Invadi para ter um lugar

A reportagem de A CRÍTICA conversou com uma moradora da área que mora no local há cinco anos. Ela pediu para não ser identifica e contou que o marido comprou um terreno que mede 12m de largura por 60m de comprimento que, segundo ela, foi recentemente vistoriada pelo Implurb. “Se fosse irregular eles nem teriam vindo aqui, mas vieram e disseram que está tudo certo. Nós temos a documentação da casa, do terreno, da compra. Nós estamos longe do igarapé”.

Com a justificativa de que não tem casa própria e nem condições de pagar o aluguel de uma, a dona de casa Dyenna Simões, 28, invadiu e construiu um quarto com um banheiro dentro, há dois meses, na APP.

“Eu já tinha tentado invadir em 2014, mas não deixaram. Mas eu não desisti, esse ano voltei e consegui. Eu não estou aqui por quero, eu invadi porque preciso de um lugar para morar com meus filhos”.

Semmas promete uma fiscalização

O Departamento de Fiscalização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) informou que a ocupação irregular em área verde já tem uma ação de reintegração de posse em trâmite e que uma equipe de fiscais retornará a área para verificar o local.

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