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Manaus
FOGO

Invasão onde corpo de PM foi encontrado é atingida por incêndio de grandes proporções

Mesmo sabendo da ocorrência, Corpo de Bombeiros afirmou que precisa ser comunicado oficialmente para mandar equipe. Casebres ficaram destruídos 30/05/2017 às 18:21 - Atualizado em 30/05/2017 às 20:48
Fábio Oliveira e Rafael Seixas Manaus (AM)

Vários casebres de madeira pegaram fogo nesta terça-feira (30) na invasão chamada Buritizal Verde, no bairro Nova Cidade, na Zona Norte de Manaus, no mesmo local onde, horas antes, foi encontrado o corpo do policial militar Paulo Sergio Portilho, 34.  Moradores acusaram os policiais de terem ateado fogo nas casas como uma represália pela morte do policial, que estava desaparecido desde a última sexta-feira (26) e foi encontrado enterrado no local.

As chamas iniciaram pouco antes das 18h, mas o Corpo de Bombeiros só chegou ao local às 18h30. Uma moradora do local disse que os policiais mandaram todos saírem da invasão e minutos depois ocorreu o incêndio.

“Foi a polícia, eles são ingratos! O meu pai pegou dinheiro para conseguir uma moradia própria para a gente. Se eles queriam um corpo e acharam, por que fizeram isso? Se a gente tivesse dinheiro não estaríamos aqui. Eles destruíram sonhos. Eles mandaram todos os moradores saírem da invasão para aproveitar para tacar fogo”, declarou.

Sobre a denúncia, o secretário de segurança pública do Estado, Sérgio Fontes, disse que irá apurar os fatos. “Não tinha nenhum incêndio quando sai de lá, acabei de chegar em casa. Se foram policiais, nós vamos apurar. Não tem meia hora que sai do local”, declarou.

Uma moradora da invasão desabafou à reportagem do programa Cidade Alerta, da TV A Crítica. Revoltada, e com pedaços de eletrodomésticos nas mãos, ela afirmou que os moradores estão sofrendo retaliações por parte dos policiais. "Quero dizer para os policiais que a gente sente muito pelo que aconteceu com o amigo deles, mas não é por causa de uns quatro gatos pingados (que cometeram o crime) que todos vão pagar", afirmou ela.

O Corpo de Bombeiros do Amazonas aguardou quase meia hora para ir ao local. Mesmo tendo conhecimento do ocorrido, a corporação informou que só poderia ir ao local após um acionamento oficial via 193. Apenas uma viatura da corporação estava atendendo a ocorrência, mesmo sendo considerado um incêndio de grandes proporções. Cinco viaturas da Polícia Militar e três da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) permanecem na invasão.

Sem resposta

Em nota, o Corpo de Bombeiros justificou a demora para ir ao local afirmando que "toda ocorrência segue os protocolos estabelecidos na Norma Geral de Ação, utilizada por todos os Corpos de Bombeiros do País. Essa medida determina que o acionamento seja feito diretamente pelo Centro de Operações do Sistema de Segurança Pública do Estado, por meio do 190 (Polícia Militar) e 193 (Bombeiros)".

"Na ocorrência de incêndio da invasão localizada no bairro Nova Cidade, hoje, 30, o acionamento foi realizado às 18h15 e o tempo resposta das equipes foi de foi sete minutos, dentro do padrão pré-estabelecido. Até o momento, quatro viaturas estão no local, com 15 militares e com autonomia para 30 mil litros de água", complementa a nota, enviada às 19h20.

"A corporação reitera o compromisso com a sociedade Amazonense em qualquer situação de emergência, sempre com a missão de proteger vidas, patrimônios e o meio ambiente", finaliza o órgão. O fogo foi controlado por volta das 20h. Ao todo, 14 casas de madeira tiveram perda total. 

A reportagem procurou a Secretaria de Estado da Comunicação (Secom) para questionar se o Governo do Estado aprovava o procedimento do Corpo de Bombeiros, que mesmo sabendo do ocorrido não deslocou nenhuma guarnição para apagar as chamas. No entanto, por telefone, a Secom informou que não se posicionaria a respeito desta questão. 

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