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Habitação

Invasões põem em risco a cidade de Manaus como um todo, diz perícia ambiental da PC

Especialistas afirmam que a degradação não se limita ao espaço que foi ocupado irregularmente 02/07/2017 às 05:00
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Cidade das Luzes foi desocupada antes que o lençol freático fosse afetado e acabasse contaminando a bacia do Tarumã. Foto: Antônio Lima - 24/nov/2015
Álik Menezes Manaus (AM)

A degradação ambiental produzida pelos invasores de terras em Manaus não se limita ao espaço ocupado irregularmente. Os efeitos das ocupações destrutivas afetam  a cidade como um todo. A constatação é  de engenheiras que atuam no departamento de perícia ambiental da Polícia Civil do Amazonas. O assunto foi discutido em um workshop na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) na última quarta-feira (28).  

A invasão da Cidade Luzes, no Tarumã, na Zona Oeste, é um dos exemplos da perita Elizandra Assunção, que trabalha há 6 anos no departamento. No local, antes da reintegração de posse, havia 1.500 casas e na maioria dos lotes foram construídos poços e fossas que contaminariam o lençol freático e poderia chegar até aos balneários do Tarumã. “A perícia naquela área detectou que a maioria tinha perfuração para fossa e poços. Isso poderia contaminar o lençol freático de uma área de 61 hectares e contaminar o Tarumã, que é o grande local de lazer da cidade. Era uma questão de tempo se não fosse feita a retirada dessas pessoas”, explicou. 

Elizandra Assunção reforçou que a construção de fossas sem nenhum cuidado, preocupação e sem seguir as normas técnicas pode  contaminar o lençol freático e os igarapés mais próximos. Contudo, o efeito acaba afetando toda a cidade.

“Quando os recursos hídricos são afetados, a gente entra em um problema social porque fica cada vez mais difícil a captação de água para abastecimento da cidade e a purificação dessa água para deixar ela de acordo com as normas de água potável e o custo vai aumentar. O consumir, de uma forma geral, vai ter um custo elevado”, explicou. 

Além da poluição dos recursos hídricos da cidade, as ocupações irregulares também expulsão animais que viviam na área e os levam até a morte. De acordo com a  também perita   e engenheira ambiental Laura Bernardes, todo o ecossistema é afetado.

“Quando eles destroem a floresta, os animais são afugentados. Eles fogem para outros locais e muitos acabam morrendo porque são mais lentos, têm um hábito de vida peculiar. As aves migram, mas perdem seus lugares de procriação. A gente tem um resultado em cadeia, a fauna sofre, a flora sobre e o solo sofre”, explicou. 

A perita disse que algumas pessoas até precisam das terras para morar porque não têm para onde ir, mas com essa ocupação irregular eles destroem áreas de preservação permanente e ambiental. “Alguns querem garantir o pedaçinho de terra deles, mas acabam causando destruição e prejudicando toda a população”, afirmou Laura Bernardes. 

Atuação e riscos

“Nós atuamos em todas as invasões e áreas que foram desocupadas para periciar e ver quais os danos foram causados naquelas áreas. Para realizar nosso trabalho, precisamos entrar nessas ocupações irregulares e já fomos até expulsas pelos invasores. Dois casos foram mais tensos:  uma vez fomos apredrejadas pelos invasores e em outro nos impediram de sair de lá, ficamos presas e foi preciso pedir ajuda da Rocam. Agora montamos um verdadeiro aparato com apoia de policias da Dema e  da Polícia Militar”, afirmou Elizandra Assunção.

Solução: Dema virar departamento

O Amazonas conta apenas com três peritos ambientais para atender todo o Estado. Em função disso, o delegado titular da Delegacia Especializada em Meio Ambiente (Dema), Samir Freire, defende que a unidade polcial,  em virtude da extensão territorial do Amazonas e da riqueza da fauna e flora a nível mundial, a  deveria ser transformada em departamento e as respostas seriam mais rápidas e eficientes.
 
Segundo Samir Freire, nesta transformação,  a perícia deveria trabalhar no mesmo espaço físico e ser dividida em setores específicos como maus tratos/animais, desmatamento/fauna, poluição/atividades potencialmente poluidoras e patrimônio histórico. “Cada subgrupo contaria com um perito. Então, a melhora estrutural e pessoal na perícia implica diretamente na melhora dos resultados alcançados”. 

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