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Invasões surgem em obra abandonada de creche inacabada da Prefeitura de Manaus

Aproximadamente 400 famílias ocupam terreno público onde, desde maio, deveriam estar estudando 240 crianças 19/08/2013 às 08:22
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‘Esqueleto’ da obra inacabada da creche da prefeitura foi cercado por barracas improvisadas com madeira e lona, erguidas em lotes demarcados pelos invasores
Mariana Lima ---

Duas novas invasões estão se formando, uma ao lado da outra, no terreno de uma creche inacabada da Prefeitura de Manaus. As novas comunidades ficam localizadas no bairro Zumbi 3, em uma área que, desde maio deste ano, deveria abrigar a unidade escolar, que atenderia 240 crianças. Em uma das invasões, a ocupação dos lotes é condicionada à aprovação de inscrição em cadastro digital, que exige a apresentação de dados do CPF, RG e comprovante de residência.

O local onde seriam colocados playgrounds abriga hoje casebres de madeira e lotes improvisados. A obra municipal, orçada em R$ 1,9 milhão, deveria ter sido entregue dia 3 de maio deste ano, mas foi abandonada inacabada pela prefeitura há aproximadamente um mês.

Juntas, as duas novas invasões abrigam 400 famílias, número que deve aumentar nos próximos dias. A primeira etapa, onde fica o esqueleto físico da creche, foi invadida no dia 1º agosto por aproximadamente cem famílias. Os lotes foram divididos de acordo com a chegada dos invasores, sendo que os primeiros terrenos medem 10 x 7 metros.

A justificativa dos invasores é que a área estava abandonada há 20 anos. Os primeiros invasores alegaram que a construção da creche começou, mas as obras abandonadas serviam de esconderijo para usuários de drogas e bandidos.

Segundo os invasores da segunda etapa, na parte superior do barranco, a área pertence a uma empresária cujo nome não foi divulgado e foi invadida na última quinta-feira. A movimentação no último fim de semana era para terminar de desmatar o local e lotear o terreno entre 300 famílias no tamanho médio de 7x8 metros.

Comissão

Uma comissão foi criada para organizar os donos dos lotes e distribuir placas com os nomes dos novos proprietários do terreno. “Vamos fazer algo organizado. Na frente do terreno vamos criar um escritório, com computador e internet para fazer o cadastro dessas pessoas. Elas vão ter que apresentar documentos como RG, CPF e comprovante de residência para gente rastrear. Assim saberemos quem realmente precisa da casa e que poderá ficar”, disse João Florêncio, um dos líderes da invasão.

A intenção, segundo os moradores da segunda etapa, é que a área invadida seja negociada com os proprietários legítimos da terra. “A dona veio aqui ontem (sexta-feira) para conversar com a gente. Sugeri que ela nos vendesse os lotes para que ocupássemos pagando um preço justo. Ela pediu que nós dividíssemos as áreas e que ela daria o preço para ver se podemos pagar”, afirmou Sandro Gomes, um dos invasores.

Verba Federal

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Educação confirmou a responsabilidade pela obra e informou que irá buscar mais informações e providências das equipes responsáveis pela obra em atraso. A creche foi custeada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, com verbas federais.

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