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Manaus
SEM TERRAS

Invasores derrubam árvores e ocupam área verde no Distrito Industrial

Segundo os próprios invasores, mais de mil famílias invadiram a localidade. Área pertence a uma empresa, que não se manifestou sobre a ocupação irregular 30/04/2018 às 10:02
Show terreno
Foto: Jair Araújo
Álik Menezes Manaus (AM)

Há exatos sete dias uma área verde localizada na Estrada do Aleixo, no Distrito Industrial 2, está sendo ocupada por sem terras. Eles alegam que não tem casa própria e que a área é utilizada para crimes como assassinatos e uso de drogas. Até a manhã de ontem, mais de mil famílias já ocupavam uma vasta área, segundo os sem terras. Os lotes estavam sendo divididos de forma “justa”. Eles informaram que o terreno pertence à empresa Itautinga Agro Industrial S.A.

Uma dona de casa que não quis se identificar disse que soube que a propriedade estava sendo invadida e por não ter casa própria viu a oportunidade de garantir um futuro melhor para a família. “Eu tenho quarenta anos, nunca tive uma casa minha mesmo, sempre vivi de aluguel e não aguento mais. Se Deus permitir, essa vai ser a minha chance de ter meu cantinho”, disse.

Regina Mota, 27, disse que o local começou a ser invadido e devastado na segunda-feira passada e a maioria das pessoas é moradora da Colônia Antônio Aleixo. “Uma parte do pessoal chegou na segunda e já foi pegando o deles. Aqui estão tentando dividir igual para ninguém se prejudicar, um lote de 10 por 20 metros. Assim ninguém sai no prejuízo, sabe?! Muitos já começaram até a derrubar as árvores para erguer os barracos”, contou, empolgada.

Segundo dados dos próprios ocupantes, cerca de mil famílias já tem terrenos demarcados na localidade. Por enquanto, a ocupação não tem líder e nem nome. “Vamos nos reunir para decidir se vamos ter alguma liderança. A única coisa que sabemos é que já tem mais de mil famílias aqui, não tem mais jeito, não tem mais volta, agora a terra é nossa”, afirmou.

Na manhã de ontem, sob forte chuva, os invasores entravam e saíam da propriedade com terçados, sacolas de roupas, garrafas com água  e lonas, que devem ser utilizadas para cobrir os barracos. Em alguns trechos, árvores já haviam sido derrubadas e, em outras áreas, os invasores afixavam placas com os nomes dos novos proprietários.

Na mesma estrada, outra área que também seria da empresa de fabricação de cimento começou a ser invadida na quarta-feira da semana passada. Nesse local, cerca de 200 famílias já haviam garantido um lote também medindo 10 metros de largura por 20 de comprimento. “A chuva atrasou, muitas pessoas  foram para casa, mas elas vão voltar e vamos continuar organizando tudo”, disse uma dona de casa, que não quis dizer o nome.

Segundo os invasores, essa área, que fica ao lado de uma empresa que mantém uma horta  era utilizada para “desova” de cadáveres, estupros e também como esconderijo para assaltantes. Essa justificativa, inclusive, está sendo usada em várias invasões na capital amazonense.

“Esse lugar aqui não era utilizado para o bem, mas nós vamos mudar isso, vamos construir nossas casas e tentar preservar. Você pode ver que a gente nem tocou na horta que fica nesse terreno cercado aí do lado, só queremos esse aqui mesmo”, justificou uma dona de casa de 46 anos.

Empresa não se manifesta

A equipe de reportagem de A CRÍTICA tentou contato com a Itautinga pelos números divulgados no site da empresa, na manhã de ontem, mas não obteve sucesso. A reportagem também entrou em contato com o Governo do Estado para saber que ações estão sendo realizadas naquela área para impedir a invasão de uma propriedade privada, mas não teve respostas até o fechamento da edição. No sábado, A CRÍTICA mostrou que o déficit de casa no AM é de 151,6 mil residências.

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