Terça-feira, 18 de Junho de 2019
Manaus

Invasores do bairro Santa Etelvina se rearticulam em movimentos por moradia

Movimento Nacional de Luta pela Moradia busca auxílio para ‘sem-tetos’ expulsos da comunidade Nobre, na terça-feira (26)



1.jpg Na parte do terreno que não sofreu a ação de reintegração de posse, até quatro famílias dividem o mesmo barraco
30/11/2013 às 08:40

As famílias retiradas de uma parte da comunidade Nobre, no bairro Santa Etelvina, Zona Norte, na última terça-feira, estão se reorganizando em novos barracos, que chegam a acomodar até quatro famílias, na parte do terreno onde não houve reintegração de posse.

As famílias são lideradas pelo Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), que se organiza para conseguir recursos do Governo Federal para a construção de moradias pelo programa “Minha Casa, Minha Vida”, proposto por entidades.

“Estivemos em Brasília denunciando a situação aqui e em breve vamos propor o projeto”, afirmou Neila Gomes, que participou da 5ª Conferência Nacional das Cidades, ocorrida esta semana. Segundo ela, a área que eles pleiteiam estava em processo de desapropriação por parte do proprietário que aguardava indenização do Governo Federal.

No entanto, outros interessados passaram a reivindicar a posse da terra de 118.500 metros quadrados. De acordo com os autos do processo 0719046-26-2012.8.04.0001, que corre na 18ª Vara Cível, há pelo menos três mandados para a área em litígio. “Isso atrapalha nosso pleito, que é legítimo. Se formos olhar o histórico, é capaz de encontrarmos este terreno como registro da União, como são a maioria das terras no Amazonas”, disse. Segundo Socorro de Sá Barba, moradora que também esteve em Brasília, no local existia uma pedra fundamental contendo informações do Governo Federal. “O problema é que ninguém sabe para onde foi”, afirmou.

Outra providência que deverá ser tomada nos próximos dias é o pedido de manifestação da Superintendência de Habitação do Amazonas (Suhab) sobre a quem pertence a terra. “Pretendemos oficiar o órgão em breve porque até agora ele não se manifestou”, disse Aluísio Pereira, também membro da MNLM. Segundo ele, do outro lado da avenida das Flores, que corta a comunidade Nobre, já existe projeto liberado junto ao Governo Liberal para a construção de 600 casas pelo programa Minha Casa, Minha Vida - Entidades.

Uma das administradoras do centro comunitário local, Fabiane Brilhante, disse que a comunidade nunca foi procurada por qualquer órgão público para saber se as pessoas que ali viviam eram necessitadas, onde moravam ou se tinham para onde ir. “As pessoas que estão aqui precisam de verdade, tanto que todos trabalham em conjunto em prol da comunidade. Tínhamos escola com dois turnos, creche e tudo teve que parar por que passamos a abrigar famílias que foram despejadas pela Justiça”, disse.

Vivendo num espaço insignificante

O lugar onde Silvana Conceição da Silva dorme com o filho de 3 anos é um quadrado de menos de dois metros de cumprimento por 1 de largura, separado por lonas. Ao lado dela, outras famílias se abrigam embaixo de um cômodo de alvenaria, cuja cobertura apresenta rachaduras e goteiras, ameaçando cair. O teto está escorado por vigas.

“Vim pra cá depois que derrubaram meu barraco. Estava lá há 4 meses porque não tinha para onde ir. Morava de aluguel e estava pesado pra mim”, afirmou Silvana que trabalha como funcionária de um buffet no período noturno.

Orijane Souza, conhecida como “Sol”, também perdeu botijão de gás, colchão, e outros objetos durante a reintegração de posse. “Meus filhos moram com o pai por que não tenho onde morar. Meu medo é ficar idosa e não ter um lugar pra repousar”, disse a moradora de 33 anos.

Saiba mais

Prisão 1 - O morador Jucelino Ferreira Gama, que foi preso durante a reintegração de posse, questiona a validade do mandado apresentado pelo oficial de Justiça. “Eles não nos deixaram ler e nem explicaram nada e me prenderam por que estava lendo o documento que dizia haver um prazo de 15 dias. Segundo o trâmite do processo 0719046-26-2012.8.04.0001, no site do Tribunal de Justiça, a última movimentação é do mês de agosto e trata de certidão expedida para correição.

Prisão 2 - No início da tarde da última quinta-feira, Francisco Edilberto foi preso por policias da Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam) enquanto estava almoçando. “Os policiais me pediram para levantar e foram me prendendo. Me confundiram com alguém, tanto que me soltaram algumas horas depois e me trouxeram de volta aqui, onde havia um protesto dos moradores pedindo a minha soltura”.

Provas - Filmagens de celular mostradas pelos comunitários mostram barricadas feitas com pneus e objetos na via principal do conjunto Viver Melhor.


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