Quarta-feira, 24 de Julho de 2019
Manaus

Invasores intimidam moradores do Santa Etelvina, Zona Norte de Manaus

Morador foi impedido de passar pela invasão, que iniciou tímida há uma semana, mas que hoje tem mais de 100 famílias



1.jpg Barracos montados ao lado do parqueamento do Detran, em Santa Etelvina, e próximo do órgão de terras do Estado
27/10/2014 às 21:05

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Proprietários dos lotes que foram invadidos na semana passada, no bairro de São Etelvina, Zona Norte, ao lado do parqueamento do Detran, estão “acuados” nos seus próprios lares, com medo de andar livremente nas suas terras devido ao sentimento de intimidação provocado pelos invasores.

A invasão  do terreno começou tímida, na terça-feira passada, mas enquanto os olhos estavam voltados para o processo eleitoral, o número de invasores triplicou, conforme apurado por A CRÍTICA ontem. E as cercas não representam impedimento para eles. O parente de um dos proprietários dos lotes invadidos, que preferiu não ter seu nome divulgado, contou que teve a cerca do terreno quebrada, por quatro vezes, e a madeira roubada à noite, na última semana. O morador também foi impedido de “entrar” na invasão, porém a mesma “regra” não vale para as pessoas que estão ocupando ilegalmente os lotes, que andam livremente por onde querem. Toda a área invadida teria cinco donos.

Ontem, A CRÍTICA estava no local e um homem e uma mulher tentaram impedir o trabalho da imprensa, intimidando a equipe, dizendo que a reportagem estava “proibida” de tirar fotos ou fazer outros registros.

Toda a área foi “dividida” e os “lotes” estão sendo vendidos a R$ 500, R$ 700 e até R$ 1 mil. E, numa cena que se repete em todas as invasões de terra, em qualquer tempo, os lotes vendidos tiveram vários donos desde o início da invasão. Mais de cem pessoas permanecem nas barraquinhas de lona, fora aquelas que obtiveram um lote, de acordo com relatos no local.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) informou que esteve no local e constatou que as ocupações irregulares estão situadas em áreas particulares, “cujos proprietários foram orientados a tomar as providências cabíveis, já  tendo inclusive registrado boletim de ocorrência junto à Delegacia Especializada em Meio Ambiente (Dema)”, conforme nota do órgão.

Os donos deverão também entrar com pedidos de reintegração de posse na Justiça para reaver as áreas. A Semmas fica impedida legalmente de intevir por não se tratar de áreas públicas. “Em caso de reintegração de posse concedida pela Justiça, a secretaria pode atuar como órgão de apoio, se solicitado”, informou em outro trecho da nota. A Secretaria de Política Fundiária do Amazonas, também não pode intervir, pois só faz regularização fundiária em terras do Estado. O local da invasão foi bem escolhido, pois é estratégico uma vez que está à beira da pista, a avenida Arquiteto José Henriques Rodrigues, e ao lado do Complexo de Treinamento de Direção Veicular do Detran.

Espécie de ‘milícia’ atua na invasão

Um grupo de 15 pessoas vem se revezando desde o início da ocupação ilegal para que uma pequena faixa de terra não seja invadida também.

Essa área está situada logo atrás do condomínio Viver Melhor 4, nas proximidades do Parque de Exposições Eurípedes Lins, antiga expoagro, e foi cedida pelos proprietários da terra aos operários da obra do condomínio e suas famílias.

O pedreiro Raimundo Mendes dos Santos contou que o grupo, juntamente com seus familiares, vem enfrentando sol e chuva e também algumas intimidações por parte dos invasores, mas vão continuar lá.

Lucilene Paula de Araújo, Hailton Oliveira Alcântara e José Ribamar Silveira Alcântara também fazem parte do grupo e contam sobre suas expectativas e esperança com o futuro. Todos querem um lar e deixar o aluguel ou sair “do favor”.

Indígenas                                                                                                                                           

De acordo com relatos, a invasão teria a presença de “índios”, com o objetivo de atrasar as decisões judiciais, uma vez que processos envolvendo indígenas são de competência da Justiça Federal. O juiz Jefferson Zanini, especializado em questões agrárias, sobre um processo de invasão de terreno particular em Santa Catarina, decidiu afastar o pedido do Ministério Público para que a ação fosse remetida à Justiça Federal. “Entendi que o fato de existirem indígenas na área, não faz com que o direito controvertido seja envolvendo o direito indígena, por isso entendi que o processo deve ser mantido na esfera estadual”, defendeu o juiz.

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