Quarta-feira, 23 de Setembro de 2020
DESAFIAM AUTORIDADES

Invasores voltam a ocupar o terreno da antiga comunidade Arthur Bernardes

Defensor público Carlos Almeida irá entrar contato com os invasores para saber como a DPE poderá atuar.



ARTUR_BERNARDES08888.jpg Cerca de 50 famílias voltaram a ocupar terreno, prometendo não sair do local até que o governo dê a eles a posse da terra. (Foto: Aguilar Abecassis)
06/04/2017 às 15:20

Poucas horas após serem retirados pela polícia militar do terreno da antiga comunidade Arthur Bernardes, no bairro São Jorge, Zona Oeste de Manaus, um grupo de invasores voltou a ocupar o local na manhã desta quinta-feira (06), e desafiou as autoridades. Eles afirmam que irão voltar todas as vezes que forem retirados.

Após um acordo com o Governo do Estado do Amazonas, que voltará a pagar o aluguel social e indenizações às famílias que perderam suas casas em um incêndio ocorrido há quatro anos e cinco meses, os ex-moradores da comunidade decidiram sair do local na quarta-feira (05).



Contudo, cerca de 50 famílias ocuparam o terreno, prometendo não sair do local até que o governo dê a eles a posse da terra. Retirados do local na quarta à noite, eles desafiaram os órgãos públicos e voltaram a invadir a área hoje pela manhã.

A doméstica Vanda Lima disse que mora em uma  casa alugada ali próximo, mas não consegue mais pagar R$ 450  e ver a casa alagando nos tempos de chuva.  Apesar de ter sido retirada da área na quarta-feira pela Polícia Militar, Vanda disse que voltará quantas vezes for necessário, até conseguir um terreno.  A dona de casa Maria das Graças também disse que espera ganhar um lote e não pretende sair do terreno.

Maria das Graças contou que paga um aluguel de R$ 150 em um quarto que está quase desabando. Ela alega que não tem como pagar mais porque não tem renda suficiente e ainda cuida de um neto que tem problemas de saúde

Reocupação
No início da manhã desta quinta-feira, os invasores voltaram a ocupar o terreno, demarcar lotes e construir pequenos barrocos com madeira e lonas. No total, segundo moradores, 50 famílias estão ocupando a área. “A maioria dessas pessoas mora aqui próximo, são pessoas carentes”, disse um invasor que não quis se identificar.

Ele disse ainda que um grupo de moradores irá procurar representantes da Suhab e da Defensoria Pública para saber como ficará a situação dessas famílias.

O defensor público Carlos Alberto Almeida Filho disse que irá procurar representantes dessa nova invasão para saber os motivos pelos quais estão na área e, posteriormente, saber de que forma a Defensoria Pública do Estado (DPE) poderá atuar.

Porém, Carlos Alberto destacou que essas famílias que estão invadindo áreas públicas devem ser retiradas do local. O defensor disse também que há a necessidade de se debater mais profundamente o assunto das invasões e não atuar apenas com medidas paliativas. “Entendendo que essas famílias não têm moradia, é preciso que ações mais efetivas sejam adotadas por todos os órgãos públicos para evitar esse tipo de atitude dessas pessoas”.


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