Segunda-feira, 30 de Novembro de 2020
FIM DO VERÃO

'Inverno Amazônico': novembro deve marcar início da temporada de chuvas

Meteorologistas e pesquisadores do clima ouvidos por A CRÍTICA apontam que influência do fenômeno ‘La Ninã’ poderá fazer com que volume de chuvas seja maior do que anos anteriores



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19/10/2020 às 11:52

O mês de novembro marca o início do período de chuvoso na região amazônica, conhecido como o “inverno amazônico” que seguirá até o mês de maio do ano seguinte. Apesar das previsões apontarem um período com chuvas dentro dos padrões, os especialistas não descartam a possibilidade de o inverno amazônico deste ano ser mais intenso que o do ano anterior.

O pesquisador em Clima e Ambiente e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Rogério Ribeiro Marinho, comenta que a previsão para os próximos meses é que ocorra um resfriamento fora do comum no oceano Pacífico, o que pode causar um aumento no volume de chuvas na região amazônica.



“Os centros de previsão e monitoramento do clima indicam que, para o trimestre de outubro, novembro e dezembro de 2020, as chuvas fiquem dentro dos padrões. Mas foi detectado um resfriamento anômalo do oceano Pacífico, o que por sua vez pode indicar um ano típico de La Niña, com maior volume de chuvas que o normal”, comentou o pesquisador

Marinho destaca ainda a influência dos fenômenos El Niño e La Niña tem sobre o clima da região amazônica.

“A previsão é que a próxima estação chuvosa possa ser influenciada pelo fenômeno La Niña. Anos em que ocorrem eventos de El Niño e La Niña são caracterizados pelo impacto sobre o volume de chuva na região. O El Niño, por exemplo, ocasiona redução da chuva, secas e aumento do risco de incêndios. Já a La Niña ocasiona aumento da chuva e consequentemente maior enchente nos rios. Ambos os fenômenos ocasionam grandes impactos sobre a população”, destacou Marinho.


'La Ninã' pode tornar inverno amazônico mais intenso. Foto: Arquivo/AC/Euzivaldo Queiroz

O meteorologista Flávio Oliveira, do 1º Distrito de Meteorologia do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) localizado em Manaus, ressalta também a possibilidade do período chuvoso que inicia em novembro ser igual ou maior que o do ano passado.

“Agora, espera-se para 2020/2021 um episódio de La Niña no Pacífico. Os modelos climáticos estão reportando a possibilidade de um episódio de La Niña com intensidade de moderada a forte. Como sabemos, estes episódios tendem a elevar o volume de chuvas dentro do nosso período chuvoso e, portanto, esperamos uma estação muito chuvosa com volume de chuva de igual ou acima do volume registrado na última estação chuvosa”, ressaltou o meteorologista.

“Verão mais seco”

O meteorologista do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Ricardo Dallarosa, confirma que o trimestre julho/agosto/setembro - considerado o período mais quente do ano - surpreendeu por apresentar chuvas abaixo do que foi previsto.

“Esse ano os meses de Julho/Agosto/Setembro apresentaram temperaturas máximas médias mensais de 33,0°C, 34,5°C e 34,4°C respectivamente. São valores mais elevados em relação às médias climatológicas desses meses que apontam para os índices de temperatura de 31,4°C, 32,2°C e 33,0°C. Quanto às chuvas o mês de julho apresentou volume de precipitação de 47mm sendo considerado normal, enquanto o mês de agosto registrou apenas 3,2mm dos esperados 39mm, sendo considerado muito seco”, detalhou Dallarosa.

Apesar disso, o pesquisador Rogério Marinho conta que o mês de setembro foi o único mês que apresentou uma incidência de chuvas acima do normal.

“Para o mês de setembro de 2020, algumas regiões do estado, como no curso principal dos rios Solimões, Negro, Iça e Japurá, apresentaram um volume de chuva acima do normal. Já os dados do INMET na estação de Manaus indicam que a chuva nos meses de julho e agosto deste ano ficaram abaixo da média. No mês de setembro de 2020, foi observado um volume de chuva 67% superior à média, padrão que aparenta se manter em outubro, que até o dia 14/10 já choveu 45% do valor esperado para o mês”, pontuou Marinho.

Aumento de casos de Covid-19

Durante coletiva de imprensa realizada no dia 14 de outubro, a diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), Rosemary Pinto, afirmou que o inverno amazônico é o período com maior incidência de casos de doenças respiratórias.

"Agora em outubro estamos tendo chuvas quase todo dia. Para nós da vigilância e também da SES-AM [Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas], isso significa fazer todos os preparativos para o período sazonal dos vírus respiratórios. Nós Começamos a ter o crescimento incluindo a covid-19", afirmou a diretora.

Segundo Rosemary, vírus como a H1N1, Influenza B, vírus sincicial respiratório, levam também a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e podem ser confundidos com a Covid-19.

"Nos próximos meses, nós certamente teremos um aumento na circulação desses vírus e muitos poderão se interpretados como covid-19", alertou a presidente da FVS-AM.

Vírus como o da Covid-19 pode se disseminar com maior facilidade no tempo frio e seco. Além de que esse clima pode tornar o sistema imunológico das pessoas mais sensível.

A diretora-presidente reafirma que a melhor maneira de se prevenir é usando máscaras e evitando aglomerações.


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