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Manaus
SISTEMA PRISIONAL

Investigação aponta que facções criminosas estão pressionando unidades femininas

SSP-AM reforçou a segurança para evitar que rebeliões e mortes aconteçam entre as mulheres 16/01/2017 às 05:16
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De acordo com a Inteligência da Seap, as alas femininas são comandadas por mulheres ligadas às facções criminosas. Foto: Márcio Silva - Arquivo/AC
Joana Queiroz Manaus (AM)

Facções criminosas que atuam no sistema prisional masculino em Manaus exercem forte influência nas unidades femininas da capital e vêm pressionando as detentas a instaurar, também nas unidades femininas, o clima de tensão e terror que se espalhou pelas alas masculinas. Foi o que apontou investigação feita pelo departamento de Inteligência da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

Segundo as investigações, alas recebem ordens dos presos da ala masculino para fazer rebeliões, greve de fome e até para matar esposas e namoradas  de presos de facções rivais que estejam encarceradas na mesma unidade.

A Inteligência identificou ainda que são as mulheres que lideram as facções nas alas femininas e, por  elas serem em número menor, até o momento foi possível manter o controle, porém há evidências de que esse domínio do masculino sobre elas vem ficando cada vez mais sólido, e desperta uma atenção maior. Já há casos de separação de internas para evitar conflitos e mortes, informou a Seap.

A inteligência apurou que no dia do massacre elas  receberam ordens para “lombrar” as cadeias, porém decidiram não fazer nada temendo perder as conquistas que conseguiram na administração do ex-secretário Pedro Florêncio, como remissão da pena por meio da leitura  e oportunidade para estudar.

Atualmente a população carcerária encarcerada nas cadeias de Manaus é de 202 mulheres. Destas, 195 são presas provisórias que estão no Centro de Detenção Provisória Feminina (CDPM) e 47 são presas condenadas que cumprem pena no regime fechado da Penitenciária Feminina de Manaus (PFM), ambas localizadas no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no Km 8 da BR-174.

A PMF fica ao lado do sistema fechado do Compaj, onde ocorreu o massacre de 56 internos, dividido apenas pela muralha.   Já o CDPF fica próximo do CDPM, a apenas alguns metros. De acordo com informações de policiais que trabalham no local, quando há alteração nas unidades masculinas, as femininas ficam agitadas.

Informações do sistema penitenciário do Amazonas apontam que o tráfico é a principal causa de encarceramento das mulheres.

O secretário de segurança pública, Sérgio Fontes, disse que como o número de presas é menor no feminino, fica mais fácil controlar as animosidades.

Massa crescente

De acordo com os  dados  do Ministério da Justiça de 2014, o Brasil tem cerca de 37 mil presas. Elas são apenas 6% da massa carcerária brasileira, mas têm chamado a atenção pelo ritmo de crescimento. Enquanto o número de homens presos aumentou 220% entre 2000 e 2014, entre as mulheres esse aumento foi de 567%. Em 2000, eram 5.601 detentas.

Iniciativa pela saída de presos

A reativação, no último dia 2 de janeiro, da Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, localizada na avenida Sete de Setembro, no Centro, está preocupando o gestor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam) devido o fato de o presídio ficar a poucos metros da instituição, que inicia o ano letivo no dia 2 de fevereiro. Por conta disso, o Ifam está à frente da campanha “Volta às Aulas Sem Medo #Eu apoio”, que faz um apelo às autoridades e pede a desativação imediata e irrevogável da Vidal Pessoa.

De acordo com o diretor-substituto do Ifam unidade Centro, Antônio Ferreira Santana Filho, a permanência da Vidal Pessoa oferece riscos para todos os estudantes das imediações, acrescentando que na proximidade da Vidal Pessoa funcionam ao menos 12 escolas.

“A sensação de medo é constante porque, se houver alguma rebelião ou fuga, fica difícil até para os alunos saírem da escola. É uma situação bastante delicada”, acrescentou. No último dia 8, quatro detentos foram mortos durante um tumulto na Vidal Pessoa. Três foram decapitados e um morreu por asfixia.

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