Sexta-feira, 22 de Novembro de 2019
OPERAÇÃO ACOLHIDA

‘Invisíveis’, venezuelanos PCDs buscam apoio durante ação humanitária

Ação organizada por secretaria local, com apoio de parceiros envolvidos, ofereceu serviços humanitários aos migrantes da Venezuela; conheça as histórias dramáticas por trás da vinda deles a Manaus



seped1_A753575F-2E49-4C9E-BBF8-DF78EC20B496.JPG De costas, o venezuelano Gregorio Seco, que tem a perna amputada e anda de muletas: ele foi um dos PCDs que veio atrás de apoio na Seped / Fotos: Márcio Silva
24/09/2019 às 06:00

Imagine vir de um outro país em estado calamitoso provocado por um dos maiores ditadores da atualidade, sem dinheiro, documentação e com expectativas sombrias: estamos falando dos venezuelanos que aportam diariamente em Manaus. Agora, imagine ser uma pessoa com deficiência vindo do mesmo país: a dificuldade dobra, se alastra, em forma de pessoas cegas e com muletas, muitas das vezes. Ontem, na sede da Secretaria de Estado da Pessoa com Deficiência (Seped), vários deles, por vezes “invisiveis” aos olhos da sociedade, procuraram o órgão em busca de serviços como cadastramento e atendimentos médico e odontológico. 

A ação envolve uma parceria com outras instituições como a Secretaria de Trabalho (Setrab) e Exército Brasileiro, dentro da “Operação Acolhida”, que visa oferecer serviços humanitários aos migrantes venezuelanos. 



Critiuska dos Santos, 38, veio do Estado de Bolívar e está há quatro meses na capital amazonense. “Não conseguia trabalho na Venezuela e acabei vindo para o Brasil. Vim com meu esposo Jaime Romero que vende mingau na rua”, comentou ela, que tem acondroplasia – uma condição genética relacionada com baixa estatura e alteração dos ossos. Desempregada, na Seped, ela procurava trabalho como serviços gerais para ajudar no aluguel da casa na qual moram na Cidade Nova, Zona Norte. “Já chegamos a dever aluguel”, disse a venezuelana.

 
Critiuska, que tem acondroplasia – uma condição genética relacionada com baixa estatura e alteração dos ossos - foi em busca de trabalho

Venezuelana cega

A dona de casa Betzaida Flores, 59, levou sua filha, Mariannis Aleman Flores, 27, que é cega de nascença – devido ter nascido prematura  - e tem transtornos mentais, para tentar um encaminhamento de saúde. Elas foram cadastradas e, agora, aguardam uma ligação da Seped. “Estamos há menos de 20 dias em Manaus. Ela precisa de atendimento médico. A vida está difícil, moramos de favor na casa de outra venezuelana”, resumiu a mãe, que precisa se consultar em um cardiologista.


Mariannis e sua mãe, Betzaida: correndo atrás de consultas médicas

Morando na rua

A situação delas só não é pior que a de Gregorio Seco: com a perna esquerda amputada por conta de um acidente, ele se locomove de muletas e afirmou dormir na rua após ter sido retirado da área da Estação Rodoviária. “Procuro ajuda econômica, passe livre e trabalho. Moro na rua, uma noite em cada lugar, em qualquer parte. Ontem à noite foi lá perto do Amazonas Shopping. Minha esposa e quatro filhos ficaram na Venezuela e eu vim pra cá ver em busca de coisas melhores”, comentou. 


O venezuelano Gregorio Seco: perna amputada e morando na rua, ele busca apoio
   
Doação de roupas

Em paralelo, muitos venezuelanos que não são PCDs buscaram a sede da Seped em busca de doações de roupas, calçados e assessórios, como a dona de casa Jessica Cova, 23, que estava com mais três filhos menores de idade. “Vim atrás de roupas e, também, de encaminhamento para tratamento de saúde pois eu e meus filhos estão com virose”, disse ela, aparentando fragilidade e um olhar cansado, e oriunda do abrigo municipal para venezuelanos existente no bairro do Coroado, Zona Leste.


Jessica Cova (à esq.) e dona Elizabeth Velasquez receberam roupas doadas

Ao lado, também abrigada do mesmo local, a dona de casa Elizabeth Velasquez, 66, procurava uma roupa e calçados em meio a vários que estava expostas em duas mesas na Seped. Ela está há dois meses em Manaus e é oriunda do Estado de Anzoátegui. “Gostei de tudo, mas também vim atrás de consulta médica pois lá na Venezuela não tinha”, declarou. Se você quer doar roupas, calçados e assessórios é só se dirigir para a sede da Seped, localizada na rua Salvador, 456, Adrianópolis, Zona Centro-Sul.

Varal solidário

Segundo o consultor da Seped, Mário Célio, “a ação desta segunda-feira na secretaria começou em agosto quando do ‘Varal Solidário’, arrecadando roupas, produtos de limpeza e higiene e calçados para os venezuelanos; verificamos que existe uma população de pessoas com deficiência e refugiados que estão no nosso País e Estado e a Seped está sensível a isso”.


O consultor da Secretaria de Estado da Pessoa com Deficiência, Mário Célio

“Não há dados concretos sobre o quantitativo de pessoas que vivem em situação de rua. Soma-se a isto a entrada dos venezuelanos. Não podemos ficar inertes diante da situação, precisamos ir atingindo, mesmo que aos poucos, estas pessoas, e dar essa atenção”, disse a titular da Seped, Viviane Lima, por meio de sua assessoria de comunicação, destacando o movimento solidário dos profissionais da área da saúde que se propuseram a participar da ação coordenada pela secretaria.

Repórter de A Crítica

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