Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020
BALANÇO

Quase 700 animais silvestres foram devolvidos à natureza no AM

Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas atendeu, em média, até 70 solicitações por mês e entre as espécies capturadas estão iguana, jacaré e aves, durante o ano de 2019



ipaam_5A0551EB-FB69-41F0-85AB-FC89BC8330AE.JPG Foto: Divulgação
23/01/2020 às 08:24

Uma das características mais marcantes de Manaus é ser uma metrópole cercada pela Floresta Amazônica, o maior local de biodiversidade do planeta. Viver na capital amazonense é ter a possibilidade de se deparar com um animal silvestre a qualquer momento. Não é incomum, portanto, que eles apareçam de vez em quando nas residências, principalmente nas localizadas próximas a áreas verdes. Mas quando o animal está fora do seu habitat natural, ferido ou oferece algum risco ao morador é o caso de solicitar o resgate do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) pelo telefone (92) 2123-6739.

A equipe da Gerência de Fauna do Ipaam, composta por oito profissionais (cinco biólogos e três veterinários), resgatou 699 animais silvestres em 2019 - uma média de 60 a 70 solicitações por mês. Só na primeira quinzena de 2020, o Ipaam já resgatou 23 bichos. Entre as principais espécies mais resgatadas pelo órgão ambiental estão jiboia, iguana, bicho-preguiça, juriti (uma “pomba” nativa), mucura (ou gambá), jacaré e aves em geral.



Como explicou o gerente de Fauna do Ipaam, Marcelo Garcia, o órgão não realiza o resgate de animais silvestres que estejam em seu ambiente natural, apenas quando, por exemplo, entra na residência de alguém ou está em algum local público e movimentado onde o bicho corre perigo (de ser atropelado, geralmente) ou oferece algum tipo de risco para a população, como no caso de jacarés que já foram capturados no balneário da Ponta Negra, na Zona Oeste de Manaus. 

“Não retiramos jacarés do igarapé ou bichos-preguiça que estejam em árvores nas áreas verdes, por exemplo, pois isso pode causar um impacto ambiental. Cada solicitação de resgate é muito bem analisada, assim como o local onde vai ser feita a soltura dessas espécies. Também não resgatamos animais domésticos, mas todas as chamadas são atendidas e, caso não se trate de animal silvestre, a equipe está pronta para instruir o solicitante quanto ao que deve ser feito”, explicou.

Os animais saudáveis são imediatamente soltos na natureza pela equipe do Ipaam. Já as espécies que precisam de cuidados são encaminhados para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), onde recebem o atendimento necessário no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) para posteriormente serem devolvidos ao seu habitat natural.

“Apenas 3% dos animais resgatados morrem (por já estarem muito machucados); cerca de 20% são enviados aos cuidados do Cetas, onde são tratados e devolvidos à natureza; e grande parte, quase 80%, são soltos próximos ao local onde eles foram capturados. Cada caso é um caso. Animais feridos, em via pública ou que possam ferir pessoas ou causar algum acidente são as principais prioridades em um dia de resgate”, completou Garcia.

Novos equipamentos

Para este ano, as ações de resgate do Ipaam ganharão reforços com novos instrumentos que o órgão adquiriu no final de 2019, entre os quais o cambão (usado para capturar jacarés e bichos-preguiça), pulsar (um aro de metal com uma rede, própria para pequenos mamíferos), pinção e gancho (para a contenção de cobras), armadilha tomahawk (uma espécie de jaula gradeada, adequada para capturar animais maiores), caixa para transportar os bichos capturados e luvas de raspa para uso de segurança dos técnicos do órgão.

Todos estes equipamentos foram adquiridos por meio de um termo de ajustamento de conduta ambiental e outros foram doados pela ONG Proteção Animal Mundial (WAP, do nome em inglês World Animal Protection). O  gerente de Fauna do Ipaam, Marcelo Garcia, reforçou ainda que devido ao número frequente de chamados solicitando o resgate de animais silvestres em áreas residenciais é importante que as pessoas não tentem tocar nos bichos sem a instrução dos órgãos competentes, o que pode ser prejudicial para ambos.

“Há uma possibilidade muito grande de fuga destes animais para residências localizadas em área verde, portanto, instruímos a não efetuar o resgate com as próprias mãos, principalmente se há a suspeita de que este animal seja peçonhento”, alertou.

Histórias curiosas

Em 20 anos como servidor do Ipaam, sendo cinco deles à frente do setor de fauna do órgão, o biólogo Marcelo Garcia já perdeu as contas de quantas histórias pitorescas já vivenciou ao longo da carreira. 

Uma delas foi a solicitação de resgate feita por uma mulher, moradora do bairro Parque Dez, Zona Centro-Sul de Manaus, que encontrou uma iguana enorme na própria sala. “Ela ficou tão nervosa com a situação que saiu às pressas de casa e ficou do lado de fora até a equipe do Ipaam chegar”, lembrou.

Entre tantos testemunhos, talvez um dos mais curiosos tenha sido o caso de uma mulher que ligou desesperada para o órgão para pedir que retirasssem uma jiboia que, supostamente, estava no sótão da casa dela. “A mulher disse para irmos imediatamente à residência dela, pois a jiboia já tinha atacado um dos seus periquitos de estimação. Diante de tamanha urgência fomos ao local e, numa breve investigação, descobrimos que o que tinha no sótão, na verdade, era um grande abacate podre, que a mulher achava ser a cabeça de uma cobra”, contou.

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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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